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  • Estrelas dos

    [+] Estrelas dos "Anos Dourados"

    Jornal O Tempo
    Fabiano Chaves
    30.08.2010

    Jornal O Tempo
    Fabiano Chaves
    30.08.2010

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    A família reunida em torno de um aparelho de rádio, diariamente. A cena, comum outrora e impensável nos dias de hoje, remete aos anos 1940 e 50, período em que pais, mães e filhos paravam para ouvir e cantar junto com estrelas do cancioneiro popular brasileiro.

    Foi nessa época, intitulada "Era de Ouro" do rádio, que cantoras e cantores emocionaram milhares de ouvintes e eternizaram suas vozes na música brasileira. Para registrar esse momento da cultura musical do Brasil, o escritor alagoano Ronaldo Conde Aguiar acaba de lançar o livro "As Divas do Rádio Nacional" (editora Casa da Palavra, 272 págs., R$ 58).

    Doutor em sociologia e professor aposentado, Ronaldo Aguiar, já residindo no Rio de Janeiro, viveu a fase de ouro da Rádio Nacional, da qual era ouvinte assíduo. Com tamanha paixão pelo veículo, o autor tornou-se um profundo pesquisador e conhecedor do tema, o que culminou com o livro "Almanaque da Rádio Nacional", publicado em 2007.

    "A nova obra é um complemento do "Almanaque". Mas a principal motivação em criá-la foi de ordem pessoal. A Rádio Nacional teve muita influência na minha formação, e a música teve um papel fundamental", relembra o autor que, quando garoto, protagonizava com sua família a cena prosaica tão comum na primeira metade do século XX.

    O livro presta uma espécie de tributo a Dolores Duran, Maysa, Emilinha Borba, Marlene, Zezé Gonzaga, Dalva de Oliveira, Ademilde Fonseca, Elisete Cardoso, Angela Maria, Nora Ney, Linda Batista, Isaurinha Garcia, Dircinha Batista e Inezita barroso. Quatorze divas que se tornaram ícones do rádio e da música brasileira.

    "Elas foram extremamente representativas, algumas delas indispensáveis. Poderia ter colocado outras, mas tive limitações, como a falta de informações", explica Aguiar.

    No livro, o autor dedica cada capítulo a uma intérprete, à exceção das irmãs Dircinha e Linda Batista, que dividem o mesmo. Histórias de glamour, escândalos, rivalidade, tentativas de suicídio, amores e decadência dão o tom dessas biografias, algumas delas totalmente desconhecidas.

    Vale mencionar casos divertidos, como o de um homem que diariamente ia ao Little Club, no Rio de Janeiro, ver e ouvir Dolores Duran cantar e ordenava ao maître da casa: "Manda a negrinha cantar ‘Menino Grande’". Enfurecida com as cenas que observava do homem, mas acatando aos pedidos (o sujeito mencionado consumia muito no local), a cantora comentou o caso com o amigo Billy Blanco, que fez a canção "A Banca do Distinto". Todas as noites, ela olhava para o arrogante cidadão e cantava: "Não fala com pobre, não dá mão a preto, não carrega embrulho. Pra que tanta pose, doutor? Pra que esse orgulho?".

    A essa se juntam, "outras histórias, muito tristes, como das irmãs Batista". Elas eram ótimas cantoras, ostentavam uma vida de luxo e glamour. Getúlio Vargas declarava publicamente um imenso afeto por elas, que passaram os últimos dias de suas vidas em um manicômio. Morreram completamente na miséria", diz Aguiar.

    Segundo ele, nenhuma das cantoras retratadas na obra dominou completamente o período, havendo uma competição permanente, principalmente entre Marlene e Emilinha Borba, rivais históricas. "O que era muito bom para nós, ouvintes e amantes da música".

    Coroação de Angela Maria
    Em 1954, Angela Maria foi eleita Rainha do Rádio, obtendo o total de 1.464.906 votos. Para se ter ideia do prestígio da cantora, os votos totalizaram quase metade do número obtido por Getúlio Vargas nas eleições de 1950. A consagração veio um ano depois, quando a intérprete pisou no palco do Maracanã. Flamenguista doente, ela foi convidada para entregar as faixas de tricampeões cariocas aos jogadores e foi ovacionada por mais de 100 mil pessoas.

    Era do rádio
    Obra resgata a memória e as vozes das cantoras

    Profundo conhecedor da história do rádio no Brasil e amante das vozes que por ela ecoavam, o autor de "As Divas do Rádio Nacional", Ronaldo Conde Aguiar, explica que a fase áurea do veículo, em relação às cantoras e aos cantores que lotavam o auditório da Rádio Nacional, começa na segunda metade dos anos 1940 e perdura ao longo da década seguinte. "No entanto, nos anos 1960, com as mudanças que ocorriam pelo mundo e a chegada da televisão, a rádio e, consequentemente, seus agentes começam a perder espaço. O tiro de misericórdia foi o golpe de 1964", conta o autor.

    Mas para ele, a condição e o status de ídolos que essas mulheres conseguiram jamais vai acabar. "Elas tinham uma empatia muito grande com os fãs. Respondiam as cartas e tratavam o público com muito carinho, coisas que não vemos mais. Até hoje existem fã-clubes que se reúnem para ouvir e conversar sobre essas divas".

    Um dos aspectos que incomoda o autor de "As Divas do Rádio Nacional" é a falta de conhecimento dos brasileiros, principalmente os mais jovens, sobre a vida e obra das intérpretes.

    "Quando lecionava cultura brasileira, gostava de fazer aulas temáticas sobre determinado artista. Me lembro de fazer uma sobre Ary Barroso e fiquei impressionado pois os alunos não sabiam quem era. Acho que as pessoas não precisam gostar, mas sim conhecer quem foram", diz Aguiar.

    Atualmente, apenas quatro das 14 cantoras retratadas na obra estão vivas: Ademilde Fonseca, Marlene, Angela Maria e Inezita Barroso - a única ainda em atividade.

    Pérolas. Por se tratar de um livro que fala sobre cantoras, a obra traz um registro importante daqueles tempos de ouro do rádio. Juntamente com o livro, um CD traz 14 composições na voz de cada uma das intérpretes mencionadas.

    "Não dava pra fazer esse livro sem colocar alguma coisa que fizesse as pessoas ouvirem sobre o que eu estava escrevendo. E foi um trabalho árduo conseguir as músicas. Levei mais tempo discutindo com sociedades arrecadadoras para obter a permissão do que para escrever o livro. Mas compensou", destaca o escritor.

    Faixa a faixa
    “A Noite do Meu Bem” (Dolores Duran)
    “Ouça” (Maysa)
    “Sou Apenas uma Senhora que ainda Canta” (Zezé Gonzaga)
    “Pedacinhos do Céu” (Ademilde Fonseca)
    “Vida de Bailarina” (Angela Maria)
    “Se Queres Saber” (Emilinha Borba)
    “Lata d´água” (Marlene)
    “Neste Mesmo Lugar” (Dalva de Oliveira)
    “Cansei de Ilusões” (Elisete Cardoso)
    “Conselho” (Nora Ney)
    “Chico Viola” (Linda Batista)
    “Conceição” Dircinha Batista
    “Mensagem” (Isaurinha Garcia)
    “Cuitelinho” (Inezita Barroso)

  • Leilah Assumpção ganha antologia valiosa

    [+] Leilah Assumpção ganha antologia valiosa

    Folha de S. Paulo
    Christiane Riera
    03.08.2010

    Folha de S. Paulo
    Christiane Riera
    03.08.2010

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    Livro reúne 11 peças escritas durante quatro décadas pela dramaturga paulista e permite acompanhar evolução
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    A LEITURA REVELA COMO A AUTORA SE DEIXA CONTAMINAR POR QUESTÕES QUE ASSOLAM O PAÍS

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    CHRISTIANE RIERA
    CRÍTICA DA FOLHA
    Organizada em cronologia, "Onze Peças de Leilah Assumpção" é uma valiosa antologia de peças da autora brasileira contemporânea.
    Parte de "Vejo um Vulto na Janela, me Acudam que Eu Sou Donzela" (1964) e termina com "Ilustríssimo Filho da Mãe" (2008).
    Desta maneira, inevitável não acompanharmos o percurso da dramaturga aliado ao contexto histórico em que foram escritas. Na primeira, à iminência do regime ditatorial, um pensionato abriga mulheres de diferentes idades, filiações políticas e visões de mundo.
    Trata-se de um panorama da situação feminina em período de ebulição à beira de grandes transformações. Na última, com dramaturgia mais domesticada, o foco em relações pessoais parece ter esvaziado o fervor de seu teatro do início. O percurso da leitura, ao atravessar décadas, revela como a autora se deixa contaminar pelas questões que assolam o país.
    No trânsito fluido entre política e feminismo, duas belas peças sobressaem. Em "Fala Baixo, Senão Eu Grito" (1969), a ingênua Mariazinha é sufocada por laços e rendas, fruto da ideologia opressora de seus tempos.
    Em seu quarto, o embate com um inesperado assaltante resulta em texto lírico de surpreendente desembaraço teatral. Trancados ali, fantasiam a vida lá fora no auge dos anos de chumbo.
    Nada atravanca os devaneios dos possíveis amantes neste manifesto libertário. "Kuka, o Segredo da Alma de Ouro" é um "Ubu Rei" brasileiro, tamanha soltura criativa. Na terra fictícia de Kamaiorá, a protagonista Malfadada é cruelmente perseguida por não estar grávida do rei Fernandez.
    Teatro do absurdo com forte viés satírico, ora ou outra se desmancha em cenas que transbordam clima mais simbolista. Ambas traduzem, em linguagem teatral pura, um sistema opressor hegemônico sob uma ótica feminina.
    A partir dos anos 80, "Boca Molhada de Paixão Calada" e "Lua Nua" são exemplos da mudança em sua dramaturgia, agora mais calcada em relações amorosas e tingidas de saudosismo por contracultura e militância política. A mulher emancipada ascende com novos problemas.
    Carmelinda Guimarães abre a antologia com um texto humano, porém sucinto, numa coletânea que merecia um estudo crítico mais extenso. Somente então esta publicação se igualaria à singularidade de Leilah Assumpção na cena teatral brasileira.



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    ONZE PEÇAS DE LEILAH ASSUMPÇÃO
    AUTORA Leilah Assumpção
    ORGANIZAÇÃO Carmelinda Guimarães
    EDITORA Casa da Palavra
    QUANTO R$ 49 (608 págs.)
    AVALIAÇÃO bom

  • Nietzsche - Filósofo da suspeita

    [+] Nietzsche - Filósofo da suspeita

    Revista Cult
    01.08.2010

    Revista Cult
    01.08.2010

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    Apresentação do pensamento nietzschiano, dirigido tanto a iniciantes como a iniciados. Aqueles encontrarão uma introdução documentada e elegante; estes, uma tomada de posições da autora diante dos temas abordados pelo “filósofo da suspeita”. O fio da meada é o de encarar Nietzsche da perspectiva de seu questionamento permanente, “método” adotado pela autora para tratar das imagens que o consagraram como antifilósofo, pensador contraditório, nacional-socilaista antissemita, irracionalista, misógino, demolidor do cristianismo, iconoclasta etc. Como diz a autora, por que não aceitar o convite de colocar sob suspeita as imagens que temos do próprio Nietzsche?

  • Lançamento Nietzsche - filósofo da suspeita

    [+] Lançamento Nietzsche - filósofo da suspeita

    O Globo – Prosa & Verso
    03.07.2010


    O Globo – Prosa & Verso
    03.07.2010

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    O livro, que inaugura a Coleção Casa do Saber dentro do catálogo da editora, reúne as reflexões da professora de Filosofia Contemporânea da USP sobre aquele que é um dos traços mais marcantes de Nietzsche: o questionamento permanente.

     

     

  • Canções do Rio, A cidade em letra e música

    [+] Canções do Rio, A cidade em letra e música

    Revista de História da Biblioteca Nacional
    Rodrigo Elias
    02.07.2010

    Revista de História da Biblioteca Nacional
    Rodrigo Elias
    02.07.2010

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    Se o Brasil é um país musical, o que se pode dizer da capital fluminense? “A Rua do Ouvidor resume o Rio de Janeiro”, afirmou nosso escritor maior, Machado de Assis. Dizer que o Rio de Janeiro, por sua vez, resume o Brasil seria uma tremenda injustiça. Mas não é possível deixar de reconhecer que as mais diversas formas de expressão musical que tiveram lugar no Rio guardam estreita relação com outras regiões do país – seja importando temas, sonoridades e personagens, seja, de algum modo, fornecendo inspiração. A obra organizada por Marcelo Moutinho mostra como os diversos gêneros musicais trataram a Cidade Maravilhosa, da “época de ouro”do início do século passado ao funk dos nossos dias. De simples cenário a tema central, o Rio de Janeiro foi cantado e decantado no morro e no asfalto, da idealização à denúncia, provando que a música, mesmo quando “inocente”, não é apenas estimulante emocional.

    HHH (Altamente recomendável)

     

     

  • Ciência & arte

    [+] Ciência & arte

    Estado de Minas
    Eduardo Tristão Girão
    09.06.2010

    Estado de Minas
    Eduardo Tristão Girão
    09.06.2010

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    É verdadeiro deleite para os olhos o recém-lançado livro Flora brasileira – História, arte & ciência (Casa da Palavra). Organizado pela jornalista Ana Cecília Impellizieri Martins, reúne textos de quatro autores sobre diferentes aspectos da riqueza botânica do Brasil, desde as primeiras pesquisas científicas realizadas no país. Não bastasse a qualidade das informações, a obra é recheada com centenas de belas ilustrações e fotos de épocas e vertentes distintas.

    Cruzamento de arte, história e ciência, o livro reúne pesquisadores que são referência em se tratando da riqueza de plantas brasileiras. Começa com Lorelai Kury e Magali Romero Sá, ambas historiadoras e professoras da Fundação Oswaldo Cruz. Elas se aprofundam na análise do que fizeram os cientistas e viajantes brasileiros e estrangeiros que por aqui passaram e em como isso determinou a produção de conhecimento no país nos anos seguintes.

    Diretor-executivo da ONG Conservação Internacional do Brasil e professor do Departamento de Ecologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Fábio Rubio Scarano traça, na sequência, útil panorama da flora nacional, passeando pelos principais biomas do país: Amazônia, caatinga, cerrado, Pantanal, mata atlântica, pampa e mar.

    O historiador José Augusto Pádua assina interessante texto sobre a importância da flora na formação da identidade brasileira. Por fim, a historiadora Vera Beatriz Siqueira evidencia a influência do rico cenário natural brasileiro em diferentes movimentos artísticos que tiveram lugar no Brasil.

    Para ver Por suas quase 170 páginas é possível encontrar reproduções de obras de artistas e documentos de artistas e pesquisadores de todas as épocas: de Debret, Rugendas, Taunay e Von Martius à pintora carioca Beatriz Milhazes. Também foram contemplados Marc Ferrez, Marcel Gautherot, Cícero Dias, Almeida Júnior, Oswaldo Goeldi, Burle Marx, Margaret Mee, Frans Krajcberg, Guignard e Iberê Camargo, entre outros.

    A vista do Corcovado e da Lagoa Rodrigo de Freitas observada da Boa Vista da Gávea, pintura de Louis Bouvelot, é simplesmente linda, bem como as representações das espécies Abutilon rufinerve e Caryocar brasiliense, incluídas em publicações de Saint-Hilaire, com grande riqueza de detalhes. Há, ainda, impressionantes imagens extraídas de Flora brasiliensis, de Von Martius: a clássica visão de índios abraçando gigantesca árvore amazônica está lá, bem como a de uma cachoeira na região de Sabará.

    Há menos fotografias que ilustrações, mas elas marcam presença notável. Vale mencionar as imagens feitas pelo norte-americano Dana Merril na Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, em Rondônia; o belíssimo retrato de dom Pedro II sentado em meio às plantas, feito pelo fotógrafo português Joaquim Insley Pacheco; e o grafismo hipnotizante da foto de uma folha de carnaúba feita por Marcel Gautherot.

    FLORA BRASILEIRA – HISTÓRIA, ARTE & CIÊNCIA
    De Ana Cecília Impellizieri Martins
    Casa da Palavra, 168 páginas, R$ 120

  • Baía dos porcos

    [+] Baía dos porcos

    Veja Rio
    Rafael Sento Sé
    19.05.2010

    Veja Rio
    Rafael Sento Sé
    19.05.2010

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    Um dos cenários mais espetaculares do mundo sofre com o crescente despejo de esgoto e lixo nas suas águas — e os 10 milhões de pessoas que vivem ao seu redor são os maiores responsáveis por essa situação

     

    Os primeiros viajantes europeus no século XVI não economizaram elogios em seus relatos. Todos se encantaram com a combinação de tonalidades cristalinas, praias de areias brancas e montanhas cobertas por matas exuberantes. Para alguns, era uma espécie de materialização da ilha de Utopia, recém-descrita pelo inglês Thomas More no livro de mesmo nome publicado em 1516 — um paraíso perdido onde o homem poderia conviver em comunhão com a natureza. Séculos depois, a Baía de Guanabara continua a encantar visitantes de todo o mundo, mas suas águas e praias, como mostra a foto que ilustra estas páginas, viraram depósitos para todo tipo de detrito. No ano passado, foram retiradas do complexo hidrográfico 3 000 toneladas de resíduos, volume equivalente ao de 1 000 caminhões da Comlurb (e isso em apenas cinco de seus dezoito rios e afluentes). São pedaços de automóveis, sofás, garrafas, liquidificadores, bonecas e outros exemplos nada óbvios de lixo de origem doméstica. Os dejetos foram recolhidos em ecobarreiras, montadas pelo Instituto Estadual do Ambiente em uma tentativa de reduzir o volume da imundície. “É necessária uma ação urgente para reverter essa situação”, diz o engenheiro florestal Axel Grael, que desenvolve um trabalho de conscientização ambiental. A preocupação tem fundamento. De acordo com o projeto olímpico, ali serão disputadas as provas de iatismo. Como faltam cerca de seis anos para a competição, seria oportuno começar um programa de despoluição agora. Afinal, iniciativas de tal magnitude costumam levar alguns anos. “Para que os Jogos não virem motivo de vergonha, temos de limpar essa sujeira logo”, completa Grael, dono de um sobrenome com tradição no esporte.

    Nesse caso, o emprego da palavra “temos” não é meramente retórico. Durante muito tempo, as grandes vilãs eram as empresas instaladas no entorno da baía. Com o aprimoramento da legislação e para evitarem o desgaste na imagem associado aos problemas ambientais, a situação mudou. Muitas companhias passaram a adotar procedimentos de tratamento de resíduos industriais, e seu despejo nas águas diminuiu consideravelmente. Hoje, o panorama de total desleixo é fruto de uma combinação nefasta entre inação das autoridades públicas e, principalmente, falta de higiene dos moradores do Grande Rio. Joga-se de tudo ali.

    Veja também
    O retrato do descaso
    A convite de VEJA RIO, o arquiteto André Piva analisou o material retirado do fundo do Irajá, um dos afluentes que desembocam na Baía de Guanabara, e criou, em menos de duas horas, um ambiente equipado com televisão, mesa, telefone, impressora, computador, ventilador, brinquedos e até um pufe (veja o quadro na pág. 30). “Achei que fosse encontrar apenas sacos e garrafas de plástico”, surpreendeu-se Piva. Naquela localidade, onde foi montada uma barreira de contenção, havia nada menos que trinta televisores. “Precisamos nos preocupar com a origem do lixo e sua destinação. Está na hora de mudarmos nosso comportamento radicalmente”, diz Dora Negreiros Hess, presidente do Instituto Baía de Guanabara, que desenvolve programas de conscientização ambiental.

    Diariamente, os 10 milhões de habitantes da região metropolitana produzem cerca de 1,5 milhão de litros de esgoto. Desse total, apenas 25% é tratado. Pelos cálculos da Secretaria Estadual de Ambiente, seria necessário pelo menos 1,2 bilhão de reais para elevar o índice de tratamento a 60% até 2013 — recursos que, por enquanto, não existem. Pesquisa realizada pela ONG Instituto Trata Brasil, divulgada há duas semanas, dá uma dimensão de quanto há para ser feito. Em um ranking que classifica a situação de saneamento básico nas 81 cidades brasileiras com população acima de 300 000 habitantes, foram avaliados nove municípios fluminenses (Nova Iguaçu, São Gonçalo, São João de Meriti, Belford Roxo, Duque de Caxias, Petrópolis, Campos, Rio de Janeiro e Niterói). Entre eles, o último teve a melhor performance. Nos demais, a situação é aterradora, a começar pela própria capital, que ficou apenas na 46ª colocação, dez posições abaixo da registrada no ranking do ano passado. Os quatro representantes da Baixada Fluminense, os primeiros citados acima, estão classificados entre os dez piores do país. “Essa situação é uma vergonha”, diz Raul Pinho, presidente do Instituto Trata Brasil.

    A experiência de outros países comprova que despoluir a Baía de Guanabara está longe de ser um desafio intransponível. Há uma década, os australianos mostraram ao mundo como é possível limpar um ambiente degradado em um espaço de tempo relativamente curto. No início dos anos 90, eles lançaram um ambicioso programa de avaliação e monitoramento das praias da Baía de Sydney como forma de prepará-las para a Olimpíada de 2000. Na ocasião, detectaram que a maior fonte de imundície eram as águas pluviais, que carregavam a sujeira das ruas e a levavam para o mar. A partir daí, investiram 1,6 bilhão de dólares em um projeto chamado Government’s Waterways Package, iniciado em 1997, que teve como objetivo recolher toda a chuva e armazená-la em um gigantesco piscinão, o Northside Storage Tunnel. Uma vez estocada, a água era posteriormente tratada antes de ser lançada no complexo hidrográfico. Com isso, o índice de poluição da Praia de North Steyne, que em 1989 tinha uma concentração de 1 887 unidades de coliformes fecais por 100 mililitros, caiu para quatro unidades dez anos depois. Esforços e resultados semelhantes aconteceram em Tóquio e em rios europeus como o Tâmisa, de Londres, e o Sena, de Paris. “Apesar de tudo, a baía tem uma alta capacidade de regeneração”, diz o oceanógrafo José Laílson Brito Júnior, coordenador do laboratório de mamíferos aquáticos da Uerj. “Se os despejos forem reduzidos, a chance de recuperação será bastante razoável”, diz.

    Mas a falta de tempo, como mostra o relógio olímpico no início desta reportagem, é um obstáculo concreto. Há efeitos, a exemplo do assoreamento, de difícil reversão. Desde o século XVI, a superfície aquática da baía encolheu 20%, processo que segue em ritmo acelerado. Segundo cálculos do geógrafo Elmo Amador, são perdidos em média 5 centímetros de profundidade por ano. Esse valor é vinte vezes maior do que o registrado no início do século passado. Um passeio pela região entre o norte da Ilha do Governador e Duque de Caxias, perto do lixão de Gramacho, é suficiente para ilustrar o problema. Lá, hoje em dia, podem ser percorridos a pé longos trechos em áreas onde antes havia água. “É a parte mais crítica. Quando a maré está baixa, formam-se verdadeiros lodaçais e a circulação cessa”, diz o engenheiro Victor Coelho, autor do livro Baía de Guanabara — Uma História de Agressão Ambiental. Algumas medidas emergenciais estão sendo tomadas. Entre elas, a dragagem do Canal do Cunha, que separa a Ilha do Fundão do continente, e o Projeto Iguaçu, obra do PAC de drenagem e recuperação das margens de rios que cortam a Baixada Fluminense. Mas de nada adiantarão os investimentos se não houver uma mudança de comportamento da população. “As pessoas precisam se conscientizar. A dragagem custa 300 milhões de reais, mas, se a população continuar sujando, vai ser preciso dragar de novo”, alerta o engenheiro Paulo Canedo, do laboratório de hidrologia da Coppe/UFRJ. Cariocas e fluminenses sonham em aproveitar a Olimpíada para construir uma nova cidade e um estado mais moderno. Entre outros possíveis avanços, a despoluição da Baía de Guanabara seria um ótimo legado.

  • Obra mostra mitos da gravidez

    [+] Obra mostra mitos da gravidez

    Correio Braziliense
    11.05.2010

    Correio Braziliense
    11.05.2010

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    A jornalista Ana Paula Brasil e o médico Ricardo Lopes Pontes enfrentam os tabus, crendices e superstições da gravidez no livro Barriga redonda, barriga pontuda (Casa da Palavra), com prefácio de Fátima Bernardes e ilustrações de Jana Magalhães. A obra debruça sobre os ditos da sabedoria popular tentando dar uma visão científica dos fatos. É o caso da segunda barriga ser maior devido ao útero, que se torna menos rígido por conta da primeira. Ou ainda que as grávidas não devem tomar banho de banheira quente, para não elevar a temperatura do corpo e a pressão sanguínea. Em ambos os casos, a voz do povo procede. “Quando li Barriga redonda, barriga pontuda, percebi que a gravidez de trigêmeos fez com que eu não ouvisse muitas observações sobre a relação entre a aparência da barriga e o sexo do bebê. Mas sobre a gravidez, a amamentação, os cuidados com o recém-nascido, está tudo aqui no livro”, comenta Fátima, cujos filhos são pacientes de Ricardo Lopes Pontes.

  • A partir da natureza

    [+] A partir da natureza

    Revista Vida Simples - Coluna Tudo Simples
    Márcia Bindo e Leandro Sarmatz
    01.05.2010


    Revista Vida Simples - Coluna Tudo Simples
    Márcia Bindo e Leandro Sarmatz
    01.05.2010

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    É possível desvendar a formação da identidade de um povo tendo como ponto de partida sua relação com a natureza? Pois essa é a tese de Flora Brasileira — História, Arte & Ciência. A importância de nossas matas é o tema cental da obra, dividida em quatro capítulos escritos por diferentes autores. O aspecto histórico das primeiras pesquisas científicas realizadas no pais sobre nossas belezas naturais é abordado pelas historiadoras Lorelai Kury e Magali Romero Sá. O biólogo Fábio Rubio Scarano é responsável por mapear a flora brasileira e apontar questões ambientais urgentes nos dias atuais. Já a importância da flora brasileira na formação da identidade brasileira fica a cargo do historiador José Augusto Pádua. E, para finalizar o livro, a historiadora da arte Vera Beatriz Siqueira revela a influência da flora em diferentes movimentos artísticos brasileiros.

  • Livro explica mitos sobre gravidez

    [+] Livro explica mitos sobre gravidez

    Blog Amigas da Pracinha
    30.04.2010


    Blog Amigas da Pracinha
    30.04.2010

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    Lançamento da Casa da Palavra, “Barriga redonda, barriga pontuDa - — Derrubando mitos, crendices e superstições sobre a gravidez”, da jornalista Ana Paula Brasil promete elucidar (ou tentar) as crendices que rondam a gravidez.

    Com a consultoria de dr. Ricardo, a autora reuniu os mitos de gravidez mais difundidos para esclarecer o que é falso ou verdadeiro. Assim, ela acabou descobrindo que boa parte desse repertório da “sabedoria popular” é cientificamente comprovada: a segunda barriga geralmente é mesmo maior, isso devido ao útero que se torna menos rígido por conta da primeira gravidez; grávidas não devem tomar banho de banheira muito quente, para não elevar a temperatura do corpo e a pressão sanguínea. Como se vê, nem tudo é superstição. Mas por outro lado, alguns mitos caem: a mulher grávida pode fazer as unhas tranquilamente sem correr o risco de prejudicar a gestação; e não há problema em dar banho no bebê à noite, nem amamentar gripada.

    Ilustrado por Jana Magalhães, o livro ainda traz o prefácio da jornalista Fátima Bernardes, que teve sua gestação de trigêmeos — hoje com 12 anos — acompanhada por milhões de brasileiros. “Quando li o Barriga redonda, barriga pontuda percebi que a gravidez de trigêmeos fez com que eu não ouvisse muitas observações sobre a relação entre a aparência da barriga e o sexo do bebê. Mas sobre a gravidez, a amamentação, os cuidados com o recém-nascido, está tudo aqui no livro”, comenta Fátima, cujos filhos são pacientes de dr. Ricardo Lopes Pontes.