Casa da Palavra - Notícias http://www.casadapalavra.com.br Casa da Palavra - Notícias 2012 Casa da Palavra - Todos os direitos reservados pt-br O Rio de Joaquim Manuel de Macedo <p><strong>Um retrato da corte em palavras</strong></p><p>A colet&acirc;nea O Rio de Joaquim Manuel de Macedo traz &agrave; tona a vasta, variada e quase desconhecida produ&ccedil;&atilde;o de textos de n&atilde;o fic&ccedil;&atilde;o que o autor de[br]A Moreninha (1844) publicou em jornais e revistas</p><p>Lilia Moritz Schwarcz - O Estado de S.Paulo</p><p>Joaquim Manuel de Macedo ficou famoso por causa de A Moreninha (1844), romance que virou sin&ocirc;nimo do g&ecirc;nero rom&acirc;ntico no Brasil e j&aacute; fez muitas mo&ccedil;oilas e rapazes barbados chorarem. Dr. Macedinho, como era popularmente conhecido, editaria a obra &agrave;s pr&oacute;prias custas e n&atilde;o se arrependeria: o livro converteu-se em nosso primeiro best-seller. A despeito do sucesso, o ganha-p&atilde;o do escritor seria obtido a partir da atividade como jornalista, articulista e cronista. M&eacute;dico de forma&ccedil;&atilde;o, Macedo enveredaria pela literatura de maneira ampla. Num momento em que parecia natural cruzar a ponte entre jornalismo e literatura, Macedinho sagrou-se personagem descolado no Rio de Janeiro de Pedro II.</p><p>E come&ccedil;ou cedo: com apenas 24 anos, al&eacute;m de se dedicar ao romance passou &agrave;s p&aacute;ginas de jornal. Por&eacute;m, se sua obra ficcional &eacute; conhecida, j&aacute; a produ&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica permanece pouco divulgada. A despropor&ccedil;&atilde;o &eacute; gritante, uma vez que o escritor publicou durante quatro d&eacute;cadas em v&aacute;rios &oacute;rg&atilde;os cariocas. Apenas no sisudo Jornal do Com&eacute;rcio, reduto conservador dos mais est&aacute;veis, Macedo foi presen&ccedil;a cativa durante 25 anos, sem interrup&ccedil;&atilde;o. Suas colunas ocupavam o espa&ccedil;o prestigioso do rodap&eacute; da primeira p&aacute;gina de domingo; dia em que a circula&ccedil;&atilde;o duplicava. O fato &eacute; que Macedo sagrou-se principal colunista do Rio de Janeiro, esse centro difusor de vogas do Imp&eacute;rio.</p><p>Macedo era mesmo um agitador. Secret&aacute;rio do prestigioso Instituto Hist&oacute;rico e Geogr&aacute;fico Brasileiro, por l&aacute; ajudou a criar uma tradi&ccedil;&atilde;o para nossas artes, letras e hist&oacute;ria. Nosso escritor usaria da Institui&ccedil;&atilde;o, de suas boas rela&ccedil;&otilde;es e da sua literatura &aacute;gil para fortalecer seu grupo, empenhado na constru&ccedil;&atilde;o cultural do Pa&iacute;s. Junto com Gon&ccedil;alves Dias, Ara&uacute;jo Porto-Alegre e Gon&ccedil;alves Magalh&atilde;es comporia o grupo forte do Imperador que mostraria como as fronteiras entre fic&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o fic&ccedil;&atilde;o podiam ser porosas.</p><p>Suas atividades n&atilde;o parariam por a&iacute;. Macedo dirigiu A Na&ccedil;&atilde;o e a revista A Guanabara e como jornalista percorreu a via-cr&uacute;cis de boa parte dos peri&oacute;dicos da Corte: Biblioteca Brasileira, Correio Mercantil, O Globo, Jornal das Fam&iacute;lias, A Manh&atilde;, Marmota Fluminense, A Na&ccedil;&atilde;o, Ostensor Brasileiro, A Reforma, A Rosa Brasileira, Revista Popular, Revista do IHGB, Semana Ilustrada, Minerva Brasiliense.</p><p>&Eacute; em torno dessa produ&ccedil;&atilde;o t&atilde;o gigantesca como desigual que se debru&ccedil;a Michelle Strzoda em O Rio de Joaquim de Macedo. O texto introdut&oacute;rio, a despeito do amplo apanhado sobre a atividade jornal&iacute;stica e liter&aacute;ria &agrave; &eacute;poca, acaba n&atilde;o trazendo biografia mais alentada de Macedo, que permitiria entender a atua&ccedil;&atilde;o alargada do escritor. Al&eacute;m do mais, n&atilde;o ficam claros os par&acirc;metros utilizados na sele&ccedil;&atilde;o das cr&ocirc;nicas. N&atilde;o se discute o valor documental da obra, mas a inexist&ecirc;ncia de crit&eacute;rios claros, faz com que o leitor enfrente textos saborosos e outros que, diante da a&ccedil;&atilde;o impiedosa do tempo, tornam-se cifrados.</p><p>Na verdade, o que mais se destaca ap&oacute;s a leitura da colet&acirc;nea &eacute; um escritor capaz de discorrer sobre tudo e todos: a cidade e seus personagens, a cultura local, a pol&iacute;tica e suas falcatruas, os h&aacute;bitos de leitura, a paisagem tropical idealizada, o cotidiano por vezes tedioso, ou a hist&oacute;ria dos parcos monumentos locais. Misto de historiador, etn&oacute;logo e arauto de curiosidades, Macedo parece mais um recitador da cidade.</p><p>H&aacute; momentos que ir&atilde;o surpreender o leitor, ao notar que o autor de A Moreninha era capaz de vestir a carapu&ccedil;a de cr&iacute;tico ardido: &quot;Vivemos em uma &eacute;poca de pasmosa esterilidade: quando os anos tiverem passado, os vindouros h&atilde;o de reunir a hist&oacute;ria toda da gera&ccedil;&atilde;o atual em duas breves: politicou e negociou&quot;.</p><p>Intelectual da capital, n&atilde;o poucas vezes Macedo se dirigiu a ela sem concess&atilde;o: &quot;As na&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m, como os homens, duas vidas muito distintas: a vida p&uacute;blica e a vida privada; a vida do estado e a vida do lar dom&eacute;stico&quot;. Atento aos novos costumes e modas f&aacute;ceis, Macedo denunciava a prolifera&ccedil;&atilde;o de jornais, em detrimento de livros; ou o excesso de leis: &quot;Tanto na corte como nos munic&iacute;pios do interior o povo, crismou com o nome de imposturas as posturas da c&acirc;mara&quot;. Ir&ocirc;nico, ele desfaz das medidas que pretendiam higienizar a cidade, mas sem investir em sua infraestrutura.</p><p>Flaneur das ruas do centro carioca, Macedinho brincava com o atraso dos &ocirc;nibus (que traziam a &quot;tabuleta de oito quando os sinos da igreja marcavam 9 horas da manh&atilde;&quot;); com &quot;as desregradas aposentadorias&quot;; com a falta de lisura dos membros da C&acirc;mara, definida como &quot;uma noiva sem dote&quot;, ou com os atrasos nas obras p&uacute;blicas caracterizados pelo prov&eacute;rbio: &quot;velhos como as obras das S&eacute;&quot;.</p><p>Desfazia tamb&eacute;m dos &quot;sofistas que sustentam que a alforria de um escravo &eacute; um mal que a eles se faz&quot;. A&iacute; estava um Macedo &agrave; sua maneira abolicionista, autor de V&iacute;timas e Algozes, que, escrito em 1869, logo criou grande pol&ecirc;mica.</p><p>A autora da colet&acirc;nea acertadamente reproduz na &iacute;ntegra as Mem&oacute;rias da Rua do Ouvidor. Aqui est&aacute; o mais importante relato sobre essa rua que virou s&iacute;mbolo de eleg&acirc;ncia entre os bem nascidos da corte. Era l&aacute; que se praticava o ritual do ver e ser visto e Macedo flagra, com um misto de encanto e esc&aacute;rnio, essa nova agenda da corte, que se veste &agrave; europeia mesmo enfrentando um calor de 40 graus. Modistas franceses, ourives, floristas, lojas de fazendas, cabeleireiros, perfumarias, ateli&ecirc;s de fotografia, restaurantes, nada escapa ao olhar de Macedo, ele pr&oacute;prio um habitu&eacute; local.</p><p>Mas afora alguns bons exemplos, o grosso das cr&ocirc;nicas parece ter perdido seu frescor original. A colet&acirc;nea ter&aacute; grande valor para investigadores, mas talvez seja demasiado especializada para o p&uacute;blico geral. Conforme brincava Caio Prado J&uacute;nior, quando se pretende justificar uma pesquisa, nem sempre o argumento de que ela nunca veio a p&uacute;blico &eacute; suficiente. Por vezes, &eacute; preciso indagar sobre seus limites. Nesse caso, uma sele&ccedil;&atilde;o mais apurada salvaria a mem&oacute;ria desse autor, que bem merece que sua obra de n&atilde;o fic&ccedil;&atilde;o ganhe novos leitores.</p><p>LILIA MORITZ SCHWARCZ &Eacute; PROFESSORA DE ANTROPOLOGIA DA USP E AUTORA, ENTRE OUTROS, DE O SOL DO BRASIL: NICOLAS-ANTOINE TAUNAY E AS DESVENTURAS DOS ARTISTAS FRANCESES NA CORTE DE D. JO&Atilde;O (COMPANHIA DAS LETRAS)</p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;</p> http://www.casadapalavra.com.br/noticias/index.php?cod_noticias=275 Sat, 26 Mar 2011 00:00:00 -0300 Estrelas dos "Anos Dourados" <div id="div_materia" style="margin-bottom: 30px; font-size: 12px; line-height: 20px;"><p>A fam&iacute;lia reunida em torno de um aparelho de r&aacute;dio, diariamente. A cena, comum outrora e impens&aacute;vel nos dias de hoje, remete aos anos 1940 e 50, per&iacute;odo em que pais, m&atilde;es e filhos paravam para ouvir e cantar junto com estrelas do cancioneiro popular brasileiro.</p><p>Foi nessa &eacute;poca, intitulada &quot;Era de Ouro&quot; do r&aacute;dio, que cantoras e cantores emocionaram milhares de ouvintes e eternizaram suas vozes na m&uacute;sica brasileira. Para registrar esse momento da cultura musical do Brasil, o escritor alagoano Ronaldo Conde Aguiar acaba de lan&ccedil;ar o livro &quot;As Divas do R&aacute;dio Nacional&quot; (editora Casa da Palavra, 272 p&aacute;gs., R$ 58).</p><p>Doutor em sociologia e professor aposentado, Ronaldo Aguiar, j&aacute; residindo no Rio de Janeiro, viveu a fase de ouro da R&aacute;dio Nacional, da qual era ouvinte ass&iacute;duo. Com tamanha paix&atilde;o pelo ve&iacute;culo, o autor tornou-se um profundo pesquisador e conhecedor do tema, o que culminou com o livro &quot;Almanaque da R&aacute;dio Nacional&quot;, publicado em 2007.</p><p>&quot;A nova obra &eacute; um complemento do &quot;Almanaque&quot;. Mas a principal motiva&ccedil;&atilde;o em cri&aacute;-la foi de ordem pessoal. A R&aacute;dio Nacional teve muita influ&ecirc;ncia na minha forma&ccedil;&atilde;o, e a m&uacute;sica teve um papel fundamental&quot;, relembra o autor que, quando garoto, protagonizava com sua fam&iacute;lia a cena prosaica t&atilde;o comum na primeira metade do s&eacute;culo XX.</p><p>O livro presta uma esp&eacute;cie de tributo a Dolores Duran, Maysa, Emilinha Borba, Marlene, Zez&eacute; Gonzaga, Dalva de Oliveira, Ademilde Fonseca, Elisete Cardoso, Angela Maria, Nora Ney, Linda Batista, Isaurinha Garcia, Dircinha Batista e Inezita barroso. Quatorze divas que se tornaram &iacute;cones do r&aacute;dio e da m&uacute;sica brasileira.</p><p>&quot;Elas foram extremamente representativas, algumas delas indispens&aacute;veis. Poderia ter colocado outras, mas tive limita&ccedil;&otilde;es, como a falta de informa&ccedil;&otilde;es&quot;, explica Aguiar.</p><p>No livro, o autor dedica cada cap&iacute;tulo a uma int&eacute;rprete, &agrave; exce&ccedil;&atilde;o das irm&atilde;s Dircinha e Linda Batista, que dividem o mesmo. Hist&oacute;rias de glamour, esc&acirc;ndalos, rivalidade, tentativas de suic&iacute;dio, amores e decad&ecirc;ncia d&atilde;o o tom dessas biografias, algumas delas totalmente desconhecidas.</p><p>Vale mencionar casos divertidos, como o de um homem que diariamente ia ao Little Club, no Rio de Janeiro, ver e ouvir Dolores Duran cantar e ordenava ao ma&icirc;tre da casa: &quot;Manda a negrinha cantar &#145;Menino Grande&#146;&quot;. Enfurecida com as cenas que observava do homem, mas acatando aos pedidos (o sujeito mencionado consumia muito no local), a cantora comentou o caso com o amigo Billy Blanco, que fez a can&ccedil;&atilde;o &quot;A Banca do Distinto&quot;. Todas as noites, ela olhava para o arrogante cidad&atilde;o e cantava: &quot;N&atilde;o fala com pobre, n&atilde;o d&aacute; m&atilde;o a preto, n&atilde;o carrega embrulho. Pra que tanta pose, doutor? Pra que esse orgulho?&quot;.</p><p>A essa se juntam, &quot;outras hist&oacute;rias, muito tristes, como das irm&atilde;s Batista&quot;. Elas eram &oacute;timas cantoras, ostentavam uma vida de luxo e glamour. Get&uacute;lio Vargas declarava publicamente um imenso afeto por elas, que passaram os &uacute;ltimos dias de suas vidas em um manic&ocirc;mio. Morreram completamente na mis&eacute;ria&quot;, diz Aguiar.</p><p>Segundo ele, nenhuma das cantoras retratadas na obra dominou completamente o per&iacute;odo, havendo uma competi&ccedil;&atilde;o permanente, principalmente entre Marlene e Emilinha Borba, rivais hist&oacute;ricas. &quot;O que era muito bom para n&oacute;s, ouvintes e amantes da m&uacute;sica&quot;.</p><p><strong><u>Coroa&ccedil;&atilde;o de Angela Maria</u></strong><br />Em 1954, Angela Maria foi eleita Rainha do R&aacute;dio, obtendo o total de 1.464.906 votos. Para se ter ideia do prest&iacute;gio da cantora, os votos totalizaram quase metade do n&uacute;mero obtido por Get&uacute;lio Vargas nas elei&ccedil;&otilde;es de 1950. A consagra&ccedil;&atilde;o veio um ano depois, quando a int&eacute;rprete pisou no palco do Maracan&atilde;. Flamenguista doente, ela foi convidada para entregar as faixas de tricampe&otilde;es cariocas aos jogadores e foi ovacionada por mais de 100 mil pessoas.</p><div style="font-size: 10px; text-transform: uppercase; font-weight: bold; margin-bottom: 10px;">Era do r&aacute;dio</div><div style="font-size: 18px; color: rgb(153, 0, 0); font-weight: bold; margin-bottom: 20px;">Obra resgata a mem&oacute;ria e as vozes das cantoras</div><div id="div_subretranca-1" style="margin-bottom: 30px; font-size: 12px; line-height: 20px;"><p>Profundo conhecedor da hist&oacute;ria do r&aacute;dio no Brasil e amante das vozes que por ela ecoavam, o autor de &quot;As Divas do R&aacute;dio Nacional&quot;, Ronaldo Conde Aguiar, explica que a fase &aacute;urea do ve&iacute;culo, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s cantoras e aos cantores que lotavam o audit&oacute;rio da R&aacute;dio Nacional, come&ccedil;a na segunda metade dos anos 1940 e perdura ao longo da d&eacute;cada seguinte. &quot;No entanto, nos anos 1960, com as mudan&ccedil;as que ocorriam pelo mundo e a chegada da televis&atilde;o, a r&aacute;dio e, consequentemente, seus agentes come&ccedil;am a perder espa&ccedil;o. O tiro de miseric&oacute;rdia foi o golpe de 1964&quot;, conta o autor.</p><p>Mas para ele, a condi&ccedil;&atilde;o e o status de &iacute;dolos que essas mulheres conseguiram jamais vai acabar. &quot;Elas tinham uma empatia muito grande com os f&atilde;s. Respondiam as cartas e tratavam o p&uacute;blico com muito carinho, coisas que n&atilde;o vemos mais. At&eacute; hoje existem f&atilde;-clubes que se re&uacute;nem para ouvir e conversar sobre essas divas&quot;.</p><p>Um dos aspectos que incomoda o autor de &quot;As Divas do R&aacute;dio Nacional&quot; &eacute; a falta de conhecimento dos brasileiros, principalmente os mais jovens, sobre a vida e obra das int&eacute;rpretes.</p><p>&quot;Quando lecionava cultura brasileira, gostava de fazer aulas tem&aacute;ticas sobre determinado artista. Me lembro de fazer uma sobre Ary Barroso e fiquei impressionado pois os alunos n&atilde;o sabiam quem era. Acho que as pessoas n&atilde;o precisam gostar, mas sim conhecer quem foram&quot;, diz Aguiar.</p><p>Atualmente, apenas quatro das 14 cantoras retratadas na obra est&atilde;o vivas: Ademilde Fonseca, Marlene, Angela Maria e Inezita Barroso - a &uacute;nica ainda em atividade.</p><p><strong>P&eacute;rolas</strong>. Por se tratar de um livro que fala sobre cantoras, a obra traz um registro importante daqueles tempos de ouro do r&aacute;dio. Juntamente com o livro, um CD traz 14 composi&ccedil;&otilde;es na voz de cada uma das int&eacute;rpretes mencionadas.</p><p>&quot;N&atilde;o dava pra fazer esse livro sem colocar alguma coisa que fizesse as pessoas ouvirem sobre o que eu estava escrevendo. E foi um trabalho &aacute;rduo conseguir as m&uacute;sicas. Levei mais tempo discutindo com sociedades arrecadadoras para obter a permiss&atilde;o do que para escrever o livro. Mas compensou&quot;, destaca o escritor.</p><p><u><strong>Faixa a faixa</strong><br /></u>&#147;A Noite do Meu Bem&#148; (Dolores Duran)<br />&#147;Ou&ccedil;a&#148; (Maysa)<br />&#147;Sou Apenas uma Senhora que ainda Canta&#148; (Zez&eacute; Gonzaga)<br />&#147;Pedacinhos do C&eacute;u&#148; (Ademilde Fonseca)<br />&#147;Vida de Bailarina&#148; (Angela Maria)<br />&#147;Se Queres Saber&#148; (Emilinha Borba)<br />&#147;Lata d&acute;&aacute;gua&#148; (Marlene)<br />&#147;Neste Mesmo Lugar&#148; (Dalva de Oliveira)<br />&#147;Cansei de Ilus&otilde;es&#148; (Elisete Cardoso)<br />&#147;Conselho&#148; (Nora Ney)<br />&#147;Chico Viola&#148; (Linda Batista)<br />&#147;Concei&ccedil;&atilde;o&#148; Dircinha Batista<br />&#147;Mensagem&#148; (Isaurinha Garcia)<br />&#147;Cuitelinho&#148; (Inezita Barroso)</p></div></div> http://www.casadapalavra.com.br/noticias/index.php?cod_noticias=273 Mon, 30 Aug 2010 00:00:00 -0300 Leilah Assumpção ganha antologia valiosa <p>Livro re&uacute;ne 11 pe&ccedil;as escritas durante quatro d&eacute;cadas pela dramaturga paulista e permite acompanhar evolu&ccedil;&atilde;o <br />------------------------------------------------------------------------<br />A LEITURA REVELA COMO A AUTORA SE DEIXA CONTAMINAR POR QUEST&Otilde;ES QUE ASSOLAM O PA&Iacute;S <br /><br />------------------------------------------------------------------------<br /><br />CHRISTIANE RIERA<br />CR&Iacute;TICA DA FOLHA <br />Organizada em cronologia, &quot;Onze Pe&ccedil;as de Leilah Assump&ccedil;&atilde;o&quot; &eacute; uma valiosa antologia de pe&ccedil;as da autora brasileira contempor&acirc;nea.<br />Parte de &quot;Vejo um Vulto na Janela, me Acudam que Eu Sou Donzela&quot; (1964) e termina com &quot;Ilustr&iacute;ssimo Filho da M&atilde;e&quot; (2008). <br />Desta maneira, inevit&aacute;vel n&atilde;o acompanharmos o percurso da dramaturga aliado ao contexto hist&oacute;rico em que foram escritas. Na primeira, &agrave; imin&ecirc;ncia do regime ditatorial, um pensionato abriga mulheres de diferentes idades, filia&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e vis&otilde;es de mundo. <br />Trata-se de um panorama da situa&ccedil;&atilde;o feminina em per&iacute;odo de ebuli&ccedil;&atilde;o &agrave; beira de grandes transforma&ccedil;&otilde;es. Na &uacute;ltima, com dramaturgia mais domesticada, o foco em rela&ccedil;&otilde;es pessoais parece ter esvaziado o fervor de seu teatro do in&iacute;cio. O percurso da leitura, ao atravessar d&eacute;cadas, revela como a autora se deixa contaminar pelas quest&otilde;es que assolam o pa&iacute;s. <br />No tr&acirc;nsito fluido entre pol&iacute;tica e feminismo, duas belas pe&ccedil;as sobressaem. Em &quot;Fala Baixo, Sen&atilde;o Eu Grito&quot; (1969), a ing&ecirc;nua Mariazinha &eacute; sufocada por la&ccedil;os e rendas, fruto da ideologia opressora de seus tempos. <br />Em seu quarto, o embate com um inesperado assaltante resulta em texto l&iacute;rico de surpreendente desembara&ccedil;o teatral. Trancados ali, fantasiam a vida l&aacute; fora no auge dos anos de chumbo. <br />Nada atravanca os devaneios dos poss&iacute;veis amantes neste manifesto libert&aacute;rio. &quot;Kuka, o Segredo da Alma de Ouro&quot; &eacute; um &quot;Ubu Rei&quot; brasileiro, tamanha soltura criativa. Na terra fict&iacute;cia de Kamaior&aacute;, a protagonista Malfadada &eacute; cruelmente perseguida por n&atilde;o estar gr&aacute;vida do rei Fernandez. <br />Teatro do absurdo com forte vi&eacute;s sat&iacute;rico, ora ou outra se desmancha em cenas que transbordam clima mais simbolista. Ambas traduzem, em linguagem teatral pura, um sistema opressor hegem&ocirc;nico sob uma &oacute;tica feminina. <br />A partir dos anos 80, &quot;Boca Molhada de Paix&atilde;o Calada&quot; e &quot;Lua Nua&quot; s&atilde;o exemplos da mudan&ccedil;a em sua dramaturgia, agora mais calcada em rela&ccedil;&otilde;es amorosas e tingidas de saudosismo por contracultura e milit&acirc;ncia pol&iacute;tica. A mulher emancipada ascende com novos problemas. <br />Carmelinda Guimar&atilde;es abre a antologia com um texto humano, por&eacute;m sucinto, numa colet&acirc;nea que merecia um estudo cr&iacute;tico mais extenso. Somente ent&atilde;o esta publica&ccedil;&atilde;o se igualaria &agrave; singularidade de Leilah Assump&ccedil;&atilde;o na cena teatral brasileira. <br /><br /><br /><br />------------------------------------------------------------------------<br />ONZE PE&Ccedil;AS DE LEILAH ASSUMP&Ccedil;&Atilde;O <br />AUTORA Leilah Assump&ccedil;&atilde;o <br />ORGANIZA&Ccedil;&Atilde;O Carmelinda Guimar&atilde;es <br />EDITORA Casa da Palavra <br />QUANTO R$ 49 (608 p&aacute;gs.) <br />AVALIA&Ccedil;&Atilde;O bom</p> http://www.casadapalavra.com.br/noticias/index.php?cod_noticias=272 Tue, 03 Aug 2010 00:00:00 -0300 Nietzsche - Filósofo da suspeita <p>Apresenta&ccedil;&atilde;o do pensamento nietzschiano, dirigido tanto a iniciantes como a iniciados. Aqueles encontrar&atilde;o uma introdu&ccedil;&atilde;o documentada e elegante; estes, uma tomada de posi&ccedil;&otilde;es da autora diante dos temas abordados pelo &ldquo;fil&oacute;sofo da suspeita&rdquo;. O fio da meada &eacute; o de encarar Nietzsche da perspectiva de seu questionamento permanente, &ldquo;m&eacute;todo&rdquo; adotado pela autora para tratar das imagens que o consagraram como antifil&oacute;sofo, pensador contradit&oacute;rio, nacional-socilaista antissemita, irracionalista, mis&oacute;gino, demolidor do cristianismo, iconoclasta etc. Como diz a autora, por que n&atilde;o aceitar o convite de colocar sob suspeita as imagens que temos do pr&oacute;prio Nietzsche?</p> http://www.casadapalavra.com.br/noticias/index.php?cod_noticias=274 Sun, 01 Aug 2010 00:00:00 -0300 Lançamento Nietzsche - filósofo da suspeita <p>O livro, que inaugura a Cole&ccedil;&atilde;o Casa do Saber dentro do cat&aacute;logo da editora, re&uacute;ne as reflex&otilde;es da professora de Filosofia Contempor&acirc;nea da USP sobre aquele que &eacute; um dos tra&ccedil;os mais marcantes de Nietzsche: o questionamento permanente.</p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;</p> http://www.casadapalavra.com.br/noticias/index.php?cod_noticias=270 Sat, 03 Jul 2010 00:00:00 -0300 Canções do Rio, A cidade em letra e música <p>Se o Brasil &eacute; um pa&iacute;s musical, o que se pode dizer da capital fluminense? &ldquo;A Rua do Ouvidor resume o Rio de Janeiro&rdquo;, afirmou nosso escritor maior, Machado de Assis. Dizer que o Rio de Janeiro, por sua vez, resume o Brasil seria uma tremenda injusti&ccedil;a. Mas n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel deixar de reconhecer que as mais diversas formas de express&atilde;o musical que tiveram lugar no Rio guardam estreita rela&ccedil;&atilde;o com outras regi&otilde;es do pa&iacute;s &ndash; seja importando temas, sonoridades e personagens, seja, de algum modo, fornecendo inspira&ccedil;&atilde;o. A obra organizada por Marcelo Moutinho mostra como os diversos g&ecirc;neros musicais trataram a Cidade Maravilhosa, da &ldquo;&eacute;poca de ouro&rdquo;do in&iacute;cio do s&eacute;culo passado ao funk dos nossos dias. De simples cen&aacute;rio a tema central, o Rio de Janeiro foi cantado e decantado no morro e no asfalto, da idealiza&ccedil;&atilde;o &agrave; den&uacute;ncia, provando que a m&uacute;sica, mesmo quando &ldquo;inocente&rdquo;, n&atilde;o &eacute; apenas estimulante emocional.</p><p>HHH (Altamente recomend&aacute;vel)</p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;</p> http://www.casadapalavra.com.br/noticias/index.php?cod_noticias=271 Fri, 02 Jul 2010 00:00:00 -0300 Ciência & arte <p>&Eacute; verdadeiro deleite para os olhos o rec&eacute;m-lan&ccedil;ado livro Flora brasileira &ndash; Hist&oacute;ria, arte &amp; ci&ecirc;ncia (Casa da Palavra). Organizado pela jornalista Ana Cec&iacute;lia Impellizieri Martins, re&uacute;ne textos de quatro autores sobre diferentes aspectos da riqueza bot&acirc;nica do Brasil, desde as primeiras pesquisas cient&iacute;ficas realizadas no pa&iacute;s. N&atilde;o bastasse a qualidade das informa&ccedil;&otilde;es, a obra &eacute; recheada com centenas de belas ilustra&ccedil;&otilde;es e fotos de &eacute;pocas e vertentes distintas.<br /><br />Cruzamento de arte, hist&oacute;ria e ci&ecirc;ncia, o livro re&uacute;ne pesquisadores que s&atilde;o refer&ecirc;ncia em se tratando da riqueza de plantas brasileiras. Come&ccedil;a com Lorelai Kury e Magali Romero S&aacute;, ambas historiadoras e professoras da Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo Cruz. Elas se aprofundam na an&aacute;lise do que fizeram os cientistas e viajantes brasileiros e estrangeiros que por aqui passaram e em como isso determinou a produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento no pa&iacute;s nos anos seguintes.<br /><br />Diretor-executivo da ONG Conserva&ccedil;&atilde;o Internacional do Brasil e professor do Departamento de Ecologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, F&aacute;bio Rubio Scarano tra&ccedil;a, na sequ&ecirc;ncia, &uacute;til panorama da flora nacional, passeando pelos principais biomas do pa&iacute;s: Amaz&ocirc;nia, caatinga, cerrado, Pantanal, mata atl&acirc;ntica, pampa e mar.<br /><br />O historiador Jos&eacute; Augusto P&aacute;dua assina interessante texto sobre a import&acirc;ncia da flora na forma&ccedil;&atilde;o da identidade brasileira. Por fim, a historiadora Vera Beatriz Siqueira evidencia a influ&ecirc;ncia do rico cen&aacute;rio natural brasileiro em diferentes movimentos art&iacute;sticos que tiveram lugar no Brasil.<br /><br />Para ver Por suas quase 170 p&aacute;ginas &eacute; poss&iacute;vel encontrar reprodu&ccedil;&otilde;es de obras de artistas e documentos de artistas e pesquisadores de todas as &eacute;pocas: de Debret, Rugendas, Taunay e Von Martius &agrave; pintora carioca Beatriz Milhazes. Tamb&eacute;m foram contemplados Marc Ferrez, Marcel Gautherot, C&iacute;cero Dias, Almeida J&uacute;nior, Oswaldo Goeldi, Burle Marx, Margaret Mee, Frans Krajcberg, Guignard e Iber&ecirc; Camargo, entre outros.<br /><br />A vista do Corcovado e da Lagoa Rodrigo de Freitas observada da Boa Vista da G&aacute;vea, pintura de Louis Bouvelot, &eacute; simplesmente linda, bem como as representa&ccedil;&otilde;es das esp&eacute;cies Abutilon rufinerve e Caryocar brasiliense, inclu&iacute;das em publica&ccedil;&otilde;es de Saint-Hilaire, com grande riqueza de detalhes. H&aacute;, ainda, impressionantes imagens extra&iacute;das de Flora brasiliensis, de Von Martius: a cl&aacute;ssica vis&atilde;o de &iacute;ndios abra&ccedil;ando gigantesca &aacute;rvore amaz&ocirc;nica est&aacute; l&aacute;, bem como a de uma cachoeira na regi&atilde;o de Sabar&aacute;.<br /><br />H&aacute; menos fotografias que ilustra&ccedil;&otilde;es, mas elas marcam presen&ccedil;a not&aacute;vel. Vale mencionar as imagens feitas pelo norte-americano Dana Merril na Estrada de Ferro Madeira-Mamor&eacute;, em Rond&ocirc;nia; o bel&iacute;ssimo retrato de dom Pedro II sentado em meio &agrave;s plantas, feito pelo fot&oacute;grafo portugu&ecirc;s Joaquim Insley Pacheco; e o grafismo hipnotizante da foto de uma folha de carna&uacute;ba feita por Marcel Gautherot.<br /><br /><strong>FLORA BRASILEIRA &ndash; HIST&Oacute;RIA, ARTE &amp; CI&Ecirc;NCIA</strong><br />De Ana Cec&iacute;lia Impellizieri Martins<br />Casa da Palavra, 168 p&aacute;ginas, R$ 120</p> http://www.casadapalavra.com.br/noticias/index.php?cod_noticias=268 Wed, 09 Jun 2010 00:00:00 -0300 Baía dos porcos <p>Um dos cen&aacute;rios mais espetaculares do mundo sofre com o crescente despejo de esgoto e lixo nas suas &aacute;guas &mdash; e os 10 milh&otilde;es de pessoas que vivem ao seu redor s&atilde;o os maiores respons&aacute;veis por essa situa&ccedil;&atilde;o</p><p>&nbsp;</p><p>Os primeiros viajantes europeus no s&eacute;culo XVI n&atilde;o economizaram elogios em seus relatos. Todos se encantaram com a combina&ccedil;&atilde;o de tonalidades cristalinas, praias de areias brancas e montanhas cobertas por matas exuberantes. Para alguns, era uma esp&eacute;cie de materializa&ccedil;&atilde;o da ilha de Utopia, rec&eacute;m-descrita pelo ingl&ecirc;s Thomas More no livro de mesmo nome publicado em 1516 &mdash; um para&iacute;so perdido onde o homem poderia conviver em comunh&atilde;o com a natureza. S&eacute;culos depois, a Ba&iacute;a de Guanabara continua a encantar visitantes de todo o mundo, mas suas &aacute;guas e praias, como mostra a foto que ilustra estas p&aacute;ginas, viraram dep&oacute;sitos para todo tipo de detrito. No ano passado, foram retiradas do complexo hidrogr&aacute;fico 3 000 toneladas de res&iacute;duos, volume equivalente ao de 1 000 caminh&otilde;es da Comlurb (e isso em apenas cinco de seus dezoito rios e afluentes). S&atilde;o peda&ccedil;os de autom&oacute;veis, sof&aacute;s, garrafas, liquidificadores, bonecas e outros exemplos nada &oacute;bvios de lixo de origem dom&eacute;stica. Os dejetos foram recolhidos em ecobarreiras, montadas pelo Instituto Estadual do Ambiente em uma tentativa de reduzir o volume da imund&iacute;cie. &ldquo;&Eacute; necess&aacute;ria uma a&ccedil;&atilde;o urgente para reverter essa situa&ccedil;&atilde;o&rdquo;, diz o engenheiro florestal Axel Grael, que desenvolve um trabalho de conscientiza&ccedil;&atilde;o ambiental. A preocupa&ccedil;&atilde;o tem fundamento. De acordo com o projeto ol&iacute;mpico, ali ser&atilde;o disputadas as provas de iatismo. Como faltam cerca de seis anos para a competi&ccedil;&atilde;o, seria oportuno come&ccedil;ar um programa de despolui&ccedil;&atilde;o agora. Afinal, iniciativas de tal magnitude costumam levar alguns anos. &ldquo;Para que os Jogos n&atilde;o virem motivo de vergonha, temos de limpar essa sujeira logo&rdquo;, completa Grael, dono de um sobrenome com tradi&ccedil;&atilde;o no esporte.<br /><br />Nesse caso, o emprego da palavra &ldquo;temos&rdquo; n&atilde;o &eacute; meramente ret&oacute;rico. Durante muito tempo, as grandes vil&atilde;s eram as empresas instaladas no entorno da ba&iacute;a. Com o aprimoramento da legisla&ccedil;&atilde;o e para evitarem o desgaste na imagem associado aos problemas ambientais, a situa&ccedil;&atilde;o mudou. Muitas companhias passaram a adotar procedimentos de tratamento de res&iacute;duos industriais, e seu despejo nas &aacute;guas diminuiu consideravelmente. Hoje, o panorama de total desleixo &eacute; fruto de uma combina&ccedil;&atilde;o nefasta entre ina&ccedil;&atilde;o das autoridades p&uacute;blicas e, principalmente, falta de higiene dos moradores do Grande Rio. Joga-se de tudo ali.</p><p><table width="180" cellspacing="0" cellpadding="1" border="0" bgcolor="#990000" align="right"> <tbody> <tr> <td> <table width="190" height="86" cellspacing="0" cellpadding="5" border="0"> <tbody> <tr> <td><font size="1" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><strong><font color="#ffffff">Veja tamb&eacute;m</font></strong></font></td> </tr> <tr bgcolor="#ffffff"> <td> <table width="100%" cellspacing="0" cellpadding="1" border="0"> <tbody> <tr> <td><img width="15" hspace="1" height="13" align="absmiddle" alt="" src="http://veja.abril.com.br/vejinhas_2002/imagens/setVermDirB.gif" /><font size="1" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><strong> <a target="_blank" href="http://vejabrasil.abril.com.br/public/assets/revista/rio-de-janeiro/2165/pop_o-retrato-do-descaso.html">O retrato do descaso </a></strong></font></td> </tr> </tbody> </table> </td> </tr> </tbody> </table> </td> </tr> </tbody></table>A convite de VEJA RIO, o arquiteto Andr&eacute; Piva analisou o material retirado do fundo do Iraj&aacute;, um dos afluentes que desembocam na Ba&iacute;a de Guanabara, e criou, em menos de duas horas, um ambiente equipado com televis&atilde;o, mesa, telefone, impressora, computador, ventilador, brinquedos e at&eacute; um pufe (veja o quadro na p&aacute;g. 30). &ldquo;Achei que fosse encontrar apenas sacos e garrafas de pl&aacute;stico&rdquo;, surpreendeu-se Piva. Naquela localidade, onde foi montada uma barreira de conten&ccedil;&atilde;o, havia nada menos que trinta televisores. &ldquo;Precisamos nos preocupar com a origem do lixo e sua destina&ccedil;&atilde;o. Est&aacute; na hora de mudarmos nosso comportamento radicalmente&rdquo;, diz Dora Negreiros Hess, presidente do Instituto Ba&iacute;a de Guanabara, que desenvolve programas de conscientiza&ccedil;&atilde;o ambiental.<br /><br />Diariamente, os 10 milh&otilde;es de habitantes da regi&atilde;o metropolitana produzem cerca de 1,5 milh&atilde;o de litros de esgoto. Desse total, apenas 25% &eacute; tratado. Pelos c&aacute;lculos da Secretaria Estadual de Ambiente, seria necess&aacute;rio pelo menos 1,2 bilh&atilde;o de reais para elevar o &iacute;ndice de tratamento a 60% at&eacute; 2013 &mdash; recursos que, por enquanto, n&atilde;o existem. Pesquisa realizada pela ONG Instituto Trata Brasil, divulgada h&aacute; duas semanas, d&aacute; uma dimens&atilde;o de quanto h&aacute; para ser feito. Em um ranking que classifica a situa&ccedil;&atilde;o de saneamento b&aacute;sico nas 81 cidades brasileiras com popula&ccedil;&atilde;o acima de 300 000 habitantes, foram avaliados nove munic&iacute;pios fluminenses (Nova Igua&ccedil;u, S&atilde;o Gon&ccedil;alo, S&atilde;o Jo&atilde;o de Meriti, Belford Roxo, Duque de Caxias, Petr&oacute;polis, Campos, Rio de Janeiro e Niter&oacute;i). Entre eles, o &uacute;ltimo teve a melhor performance. Nos demais, a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; aterradora, a come&ccedil;ar pela pr&oacute;pria capital, que ficou apenas na 46&ordf; coloca&ccedil;&atilde;o, dez posi&ccedil;&otilde;es abaixo da registrada no ranking do ano passado. Os quatro representantes da Baixada Fluminense, os primeiros citados acima, est&atilde;o classificados entre os dez piores do pa&iacute;s. &ldquo;Essa situa&ccedil;&atilde;o &eacute; uma vergonha&rdquo;, diz Raul Pinho, presidente do Instituto Trata Brasil.</p><p>A experi&ecirc;ncia de outros pa&iacute;ses comprova que despoluir a Ba&iacute;a de Guanabara est&aacute; longe de ser um desafio intranspon&iacute;vel. H&aacute; uma d&eacute;cada, os australianos mostraram ao mundo como &eacute; poss&iacute;vel limpar um ambiente degradado em um espa&ccedil;o de tempo relativamente curto. No in&iacute;cio dos anos 90, eles lan&ccedil;aram um ambicioso programa de avalia&ccedil;&atilde;o e monitoramento das praias da Ba&iacute;a de Sydney como forma de prepar&aacute;-las para a Olimp&iacute;ada de 2000. Na ocasi&atilde;o, detectaram que a maior fonte de imund&iacute;cie eram as &aacute;guas pluviais, que carregavam a sujeira das ruas e a levavam para o mar. A partir da&iacute;, investiram 1,6 bilh&atilde;o de d&oacute;lares em um projeto chamado Government&rsquo;s Waterways Package, iniciado em 1997, que teve como objetivo recolher toda a chuva e armazen&aacute;-la em um gigantesco piscin&atilde;o, o Northside Storage Tunnel. Uma vez estocada, a &aacute;gua era posteriormente tratada antes de ser lan&ccedil;ada no complexo hidrogr&aacute;fico. Com isso, o &iacute;ndice de polui&ccedil;&atilde;o da Praia de North Steyne, que em 1989 tinha uma concentra&ccedil;&atilde;o de 1 887 unidades de coliformes fecais por 100 mililitros, caiu para quatro unidades dez anos depois. Esfor&ccedil;os e resultados semelhantes aconteceram em T&oacute;quio e em rios europeus como o T&acirc;misa, de Londres, e o Sena, de Paris. &ldquo;Apesar de tudo, a ba&iacute;a tem uma alta capacidade de regenera&ccedil;&atilde;o&rdquo;, diz o ocean&oacute;grafo Jos&eacute; La&iacute;lson Brito J&uacute;nior, coordenador do laborat&oacute;rio de mam&iacute;feros aqu&aacute;ticos da Uerj. &ldquo;Se os despejos forem reduzidos, a chance de recupera&ccedil;&atilde;o ser&aacute; bastante razo&aacute;vel&rdquo;, diz.<br /><br />Mas a falta de tempo, como mostra o rel&oacute;gio ol&iacute;mpico no in&iacute;cio desta reportagem, &eacute; um obst&aacute;culo concreto. H&aacute; efeitos, a exemplo do assoreamento, de dif&iacute;cil revers&atilde;o. Desde o s&eacute;culo XVI, a superf&iacute;cie aqu&aacute;tica da ba&iacute;a encolheu 20%, processo que segue em ritmo acelerado. Segundo c&aacute;lculos do ge&oacute;grafo Elmo Amador, s&atilde;o perdidos em m&eacute;dia 5 cent&iacute;metros de profundidade por ano. Esse valor &eacute; vinte vezes maior do que o registrado no in&iacute;cio do s&eacute;culo passado. Um passeio pela regi&atilde;o entre o norte da Ilha do Governador e Duque de Caxias, perto do lix&atilde;o de Gramacho, &eacute; suficiente para ilustrar o problema. L&aacute;, hoje em dia, podem ser percorridos a p&eacute; longos trechos em &aacute;reas onde antes havia &aacute;gua. &ldquo;&Eacute; a parte mais cr&iacute;tica. Quando a mar&eacute; est&aacute; baixa, formam-se verdadeiros loda&ccedil;ais e a circula&ccedil;&atilde;o cessa&rdquo;, diz o engenheiro Victor Coelho, autor do livro Ba&iacute;a de Guanabara &mdash; Uma Hist&oacute;ria de Agress&atilde;o Ambiental. Algumas medidas emergenciais est&atilde;o sendo tomadas. Entre elas, a dragagem do Canal do Cunha, que separa a Ilha do Fund&atilde;o do continente, e o Projeto Igua&ccedil;u, obra do PAC de drenagem e recupera&ccedil;&atilde;o das margens de rios que cortam a Baixada Fluminense. Mas de nada adiantar&atilde;o os investimentos se n&atilde;o houver uma mudan&ccedil;a de comportamento da popula&ccedil;&atilde;o. &ldquo;As pessoas precisam se conscientizar. A dragagem custa 300 milh&otilde;es de reais, mas, se a popula&ccedil;&atilde;o continuar sujando, vai ser preciso dragar de novo&rdquo;, alerta o engenheiro Paulo Canedo, do laborat&oacute;rio de hidrologia da Coppe/UFRJ. Cariocas e fluminenses sonham em aproveitar a Olimp&iacute;ada para construir uma nova cidade e um estado mais moderno. Entre outros poss&iacute;veis avan&ccedil;os, a despolui&ccedil;&atilde;o da Ba&iacute;a de Guanabara seria um &oacute;timo legado.</p> http://www.casadapalavra.com.br/noticias/index.php?cod_noticias=267 Wed, 19 May 2010 00:00:00 -0300 Obra mostra mitos da gravidez <p>A jornalista Ana Paula Brasil e o m&eacute;dico Ricardo Lopes Pontes enfrentam os tabus, crendices e supersti&ccedil;&otilde;es da gravidez no livro Barriga redonda, barriga pontuda (Casa da Palavra), com pref&aacute;cio de F&aacute;tima Bernardes e ilustra&ccedil;&otilde;es de Jana Magalh&atilde;es. A obra debru&ccedil;a sobre os ditos da sabedoria popular tentando dar uma vis&atilde;o cient&iacute;fica dos fatos. &Eacute; o caso da segunda barriga ser maior devido ao &uacute;tero, que se torna menos r&iacute;gido por conta da primeira. Ou ainda que as gr&aacute;vidas n&atilde;o devem tomar banho de banheira quente, para n&atilde;o elevar a temperatura do corpo e a press&atilde;o sangu&iacute;nea. Em ambos os casos, a voz do povo procede. &ldquo;Quando li Barriga redonda, barriga pontuda, percebi que a gravidez de trig&ecirc;meos fez com que eu n&atilde;o ouvisse muitas observa&ccedil;&otilde;es sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre a apar&ecirc;ncia da barriga e o sexo do beb&ecirc;. Mas sobre a gravidez, a amamenta&ccedil;&atilde;o, os cuidados com o rec&eacute;m-nascido, est&aacute; tudo aqui no livro&rdquo;, comenta F&aacute;tima, cujos filhos s&atilde;o pacientes de Ricardo Lopes Pontes.</p> http://www.casadapalavra.com.br/noticias/index.php?cod_noticias=266 Tue, 11 May 2010 00:00:00 -0300 A partir da natureza <p>&Eacute; poss&iacute;vel desvendar a forma&ccedil;&atilde;o da identidade de um povo tendo como ponto de partida sua rela&ccedil;&atilde;o com a natureza? Pois essa &eacute; a tese de Flora Brasileira &mdash; Hist&oacute;ria, Arte &amp; Ci&ecirc;ncia. A import&acirc;ncia de nossas matas &eacute; o tema cental da obra, dividida em quatro cap&iacute;tulos escritos por diferentes autores. O aspecto hist&oacute;rico das primeiras pesquisas cient&iacute;ficas realizadas no pais sobre nossas belezas naturais &eacute; abordado pelas historiadoras Lorelai Kury e Magali Romero S&aacute;. O bi&oacute;logo F&aacute;bio Rubio Scarano &eacute; respons&aacute;vel por mapear a flora brasileira e apontar quest&otilde;es ambientais urgentes nos dias atuais. J&aacute; a import&acirc;ncia da flora brasileira na forma&ccedil;&atilde;o da identidade brasileira fica a cargo do historiador Jos&eacute; Augusto P&aacute;dua. E, para finalizar o livro, a historiadora da arte Vera Beatriz Siqueira revela a influ&ecirc;ncia da flora em diferentes movimentos art&iacute;sticos brasileiros.</p> http://www.casadapalavra.com.br/noticias/index.php?cod_noticias=262 Sat, 01 May 2010 00:00:00 -0300 Livro explica mitos sobre gravidez <p>Lan&ccedil;amento da Casa da Palavra, &ldquo;Barriga redonda, barriga pontuDa - &mdash; Derrubando mitos, crendices e supersti&ccedil;&otilde;es sobre a gravidez&rdquo;, da jornalista Ana Paula Brasil promete elucidar (ou tentar) as crendices que rondam a gravidez.</p><p>Com a consultoria de dr. Ricardo, a autora reuniu os mitos de gravidez mais difundidos para esclarecer o que &eacute; falso ou verdadeiro. Assim, ela acabou descobrindo que boa parte desse repert&oacute;rio da &ldquo;sabedoria popular&rdquo; &eacute; cientificamente comprovada: a segunda barriga geralmente &eacute; mesmo maior, isso devido ao &uacute;tero que se torna menos r&iacute;gido por conta da primeira gravidez; gr&aacute;vidas n&atilde;o devem tomar banho de banheira muito quente, para n&atilde;o elevar a temperatura do corpo e a press&atilde;o sangu&iacute;nea. Como se v&ecirc;, nem tudo &eacute; supersti&ccedil;&atilde;o. Mas por outro lado, alguns mitos caem: a mulher gr&aacute;vida pode fazer as unhas tranquilamente sem correr o risco de prejudicar a gesta&ccedil;&atilde;o; e n&atilde;o h&aacute; problema em dar banho no beb&ecirc; &agrave; noite, nem amamentar gripada.</p><p>Ilustrado por Jana Magalh&atilde;es, o livro ainda traz o pref&aacute;cio da jornalista F&aacute;tima Bernardes, que teve sua gesta&ccedil;&atilde;o de trig&ecirc;meos &mdash; hoje com 12 anos &mdash; acompanhada por milh&otilde;es de brasileiros. &ldquo;Quando li o Barriga redonda, barriga pontuda percebi que a gravidez de trig&ecirc;meos fez com que eu n&atilde;o ouvisse muitas observa&ccedil;&otilde;es sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre a apar&ecirc;ncia da barriga e o sexo do beb&ecirc;. Mas sobre a gravidez, a amamenta&ccedil;&atilde;o, os cuidados com o rec&eacute;m-nascido, est&aacute; tudo aqui no livro&rdquo;, comenta F&aacute;tima, cujos filhos s&atilde;o pacientes de dr. Ricardo Lopes Pontes.</p><p>&nbsp;</p> http://www.casadapalavra.com.br/noticias/index.php?cod_noticias=265 Fri, 30 Apr 2010 00:00:00 -0300 Passando a limpo os mitos sobre a gravidez <p>Mulheres gr&aacute;vidas ouvem coisas estranhas. Enquanto a barriga cresce, e mesmo apos o nascimento, os palpites e recomenda&ccedil;&otilde;es v&ecirc;m de toda parte. E o que pode pensar a m&atilde;e quando algu&eacute;m lhe diz, com a cara mais s&eacute;ria do mundo, que o desconforto estomacal que ela sente significa que a crian&ccedil;a vai nascer cabeluda?<br />Enquanto curtia a gravidez, a jornalista Ana Paula Brasil passou a anotar tudo que ouvia, de supersti&ccedil;&otilde;es a supostas verdades salvadoras, levou a hist&oacute;ria do pediatra Ricardo Lopes Pontes e ambos escreveram um livro indispens&aacute;vel &agrave;s mam&atilde;es: &ldquo;Barriga redonda, barriga pontuda&rdquo; (Casa da Palavra, 104 p&aacute;ginas). Com pref&aacute;cio de F&aacute;tima Bernardes, m&atilde;e &ldquo;graduada&rdquo; de trig&ecirc;meos, o livro ser&aacute; lan&ccedil;ado hoje, na Livraria da Travessa do Shopping Leblon.<br />&ldquo;Um dia, durante a consulta, comecei a contar ao Ricardo as coisas que ouvia, algumas vezes para tirar d&uacute;vidas, e ele come&ccedil;ou a lembrar de muitas hist&oacute;rias&rdquo;, conta Ana Paula, companheira de reda&ccedil;&atilde;o de F&aacute;tima, cujos filhos, 12 anos apos a gravidez p&uacute;blica da apresentadora do &ldquo;Jornal Nacional&rdquo;, ainda est&atilde;o sob os cuidados do pediatra Ricardo Lopes.<br />&ldquo;Ouvi coisas como a necessidade de dar presentes brancos aos beb&ecirc;s, para os dentes nascerem saud&aacute;veis. E outras, mais s&eacute;rias, como a ideia de que beber &aacute;gua durante a amamenta&ccedil;&atilde;o faz mal &agrave; crian&ccedil;a. &Eacute; o contr&aacute;rio da verdade&rdquo;, diz a autora. E Ricardo completa: &ldquo;O livro &eacute; divertido, alegre, uma leitura para relaxar. Mas tamb&eacute;m um apio para as m&atilde;es terem a no&ccedil;&atilde;o do que &eacute; verdadeiro&rdquo;.<br />Dividido em t&oacute;picos, o livro relaciona as &ldquo;teorias&rdquo; e discorre sobre elas, explicando por que s&atilde;o falsas ou verdadeiras.<br /></p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;</p> http://www.casadapalavra.com.br/noticias/index.php?cod_noticias=263 Wed, 28 Apr 2010 00:00:00 -0300 O incrível mundo do azeite <p>Quem gosta de gastronomia e turismo deve separar logo um lugar na estante e outro confort&aacute;vel na poltrona para degustar Um fio de azeite &ndash; No cen&aacute;rio da &Uacute;mbria e da Toscana, novo livro em que a escritora e especialista em condimentos Rosa Nepomuceno conta sua mais recente viagem pelas duas regi&otilde;es italianas atr&aacute;s do ciclo de produ&ccedil;&atilde;o do &oacute;leo de azeitona. Lan&ccedil;ada no fim do ano passado por uma parceria das editoras Casa da Palavra e Senac Rio, a obra &eacute; uma mistura de um di&aacute;rio de viagem com descri&ccedil;&otilde;es de todas as etapas do processo de produ&ccedil;&atilde;o do azeite, com linguagem f&aacute;cil e agrad&aacute;vel. Para quem acha que tais etapas s&atilde;o simples, Rosa explica na quarta capa do livro: &ldquo;Elaborar um azeite &eacute; mais que uma arte; &eacute; um of&iacute;cio b&iacute;blico, um ritual religioso repetido por uma cadeia de gera&ccedil;&otilde;es. E deve ser cumprido com f&eacute; e dedica&ccedil;&atilde;o, no tempo certo, para que plantio, colheita e moagem das azeitonas resultem nesse &oacute;leo maravilhoso&rdquo;.<br />E foi tamb&eacute;m com dedica&ccedil;&atilde;o que Rosa se dedicou ao tour, realizado em 2008, ao lado do amigo e chef Marcelo Scofano. Ao longo de 15 dias, a dupla percorreu cidadezinhas da regi&atilde;o central da It&aacute;lia, indo a quatro produtoras de azeite &mdash; de uma min&uacute;scula, comandada por monges, a outras multinacionais com m&aacute;quinas ultramodernas. Aproveitou, &eacute; claro, para conhecer feiras, restaurantes e se hospedar em &oacute;timos hot&eacute;is.<br />A rela&ccedil;&atilde;o entre Rosa, a boa mesa e a It&aacute;lia vem de longa data. Nascida em Botucatu, interior de S&atilde;o Paulo, aprendeu em casa o quanto vale uma boa refei&ccedil;&atilde;o, e com a vizinhan&ccedil;a o quanto vale uma &agrave; italiana. &ldquo;Minha fam&iacute;lia n&atilde;o &eacute; italiana, mas sempre convivi em ambientes ligados a boa gastronomia. Meu pai cozinhava, meu av&ocirc; preparava comidas tropeiras&rdquo;, lembra. &ldquo;E com aquela regi&atilde;o tem uma presen&ccedil;a italiana muito forte, acabei tendo uma influ&ecirc;ncia muito grande dessa cultura&rdquo;.<br />H&aacute; cerca de 12 anos, apos se envolver com medicina chinesa, come&ccedil;ou a estudar a import&acirc;ncia e os diferentes usos de ervas. A pesquisa a levaria a come&ccedil;ar a criar temperos para uso pr&oacute;prio e logo chegariam pedidos para que os preparados especiais para carnes e aves tamb&eacute;m fossem postos &agrave; venda. Da&iacute; para passar a estudar todo tipo de condimento foi um pulo. &ldquo;Como diz Lu&iacute;s da C&acirc;mara Cascudo, condimento &eacute; tudo o que perfuma os alimentos. Ervas, flores, ra&iacute;zes, pauzinhos... E &oacute;leos. N&atilde;o tinha ningu&eacute;m especializado em gastronomia de condimentos na &eacute;poca, isso me abriu muitas portas&rdquo;, ela garante.<br />Em 2002, a editora Jos&eacute; Olympio a convidou para escrever um livro sobre especiarias, que saiu com o t&iacute;tulo de Viagem ao fabuloso mundo das especiarias e hoje j&aacute; est&aacute; na sexta edi&ccedil;&atilde;o. Convites para palestras e cursos come&ccedil;aram a chegar com freq&uuml;&ecirc;ncia, ela ganhou uma coluna sobre condimentos em uma revista de gastronomia, escreveu outros dois livros ligados a especiarias e se tornou consultora de condimentos e azeites numa rede de supermercados carioca.<br />Ela achou gra&ccedil;a quando come&ccedil;ou a perceber, nos lugares mais inesperados, a curiosidade das pessoas em rela&ccedil;&atilde;o ao azeite. &ldquo;Como no mercado eu experimentava muitas marcas, as pessoas come&ccedil;aram a me pedir dicas. Isso acontecia com a gerente do banco, por exemplo. &Agrave;s vezes at&eacute; minha psicanalista passava 10 minutos de uma sess&atilde;o s&oacute; discutindo azeites!&rdquo;, espanta-se.</p><p>Qualidade e n&atilde;o quantidade</p><p>Da&iacute; veio o interesse em se aprofundar no assunto. A escolha pela It&aacute;lia se deveu &agrave; antiga paix&atilde;o e tamb&eacute;m por motivos pr&aacute;ticos. Embora o pa&iacute;s fique atr&aacute;s da Espanha no ranking dos maiores produtores do &oacute;leo da azeitona, os produtores se espalham por todo o seu territ&oacute;rio, ao contr&aacute;rio da na&ccedil;&atilde;o ib&eacute;rica, onde a maior parte fica concentrada na Andaluzia. Alem disso, Rosa n&atilde;o acha que quantidade compense qualidade. &ldquo;A Espanha &eacute; o maior produtor, mas isso n&atilde;o quer dizer que o pa&iacute;s tenha azeites melhores que a It&aacute;lia, que tem uma incr&iacute;vel diversidade. N&atilde;o fui atr&aacute;s de quantidade, mas sim do azeite e de seu cen&aacute;rio&rdquo;.<br />As regi&otilde;es foram escolhidas justamente pelas diferen&ccedil;as entre elas. &ldquo;A &Uacute;mbria &eacute; o cora&ccedil;&atilde;o da It&aacute;lia. Fica longe do litoral, no meio de um vale, tem um clima sombrio. Ao mesmo tempo, tem uma imensa variedade de iguarias como aspargos, cogumelos e embutidos&rdquo;, lista. J&aacute; a Toscana &eacute; o oposto disso. &ldquo;Al&eacute;m de ser a capital gastron&ocirc;mica da It&aacute;lia, cheia de grelhados e tomates, a regi&atilde;o &eacute; muito solar, cheia de feiras e de vida. Lembro-me que um dia estava andando em uma cidadezinha no litoral, com muitas casinhas pequenas e, de repente, me perguntei: &lsquo;Onde estou? Em Ilh&eacute;us?&rsquo;&rdquo;, diverte-se.<br />A viagem aconteceu no in&iacute;cio de setembro, &eacute;poca do outono, imediatamente antes de come&ccedil;ar a colheita das olivas. Rosa e o companheiro de viagem, Marcelo, se conheceram no Tai Chi Chuan, quando ele ainda era comiss&aacute;rio de bordo. Hoje ele dirige a primeira escola de gastronomia da Zona Norte carioca, a Estilo Gourmet, no Graja&uacute;, e deve muito disso &agrave; Rosa, que o incentivou a seguir o curso de chefs.</p><p>Da produ&ccedil;&atilde;o artesanal &agrave; moderna</p><p>A viagem teve duas bases. Primeiro Rosa e Marcelo ficaram hospedados no hotel rural Locanda Delle Noci, numa cidadezinha chamada Marsciano, perto de Perugia. A bordo de um autom&oacute;vel Lancia prateado, conheceram tr&ecirc;s produtores de azeite na &Uacute;mbria. Come&ccedil;aram pelo processo mais antigo, numa pequena vila medieval chamada Monte Vibiano. A produtora, chamada Santo Apolin&aacute;rio, produz para atender as freguesias de Mercatello e Marsciano. A produ&ccedil;&atilde;o acontece num castelo comandado por m&atilde;e e duas filhas &mdash; fam&iacute;lia Bambini &mdash; e &eacute; tudo muito artesanal. &ldquo;O moinho tem mais de 600 anos e fica localizado num burgo. Parece um castelo mal-assombrado&rdquo;, lembra Rosa.<br />De l&aacute;, foram para o feudo vizinho, onde est&aacute; a oliv&iacute;cola Castello Monte Vibiano Vechio, tratava-se de uma produ&ccedil;&atilde;o mais moderna, tocada por jovens empreendedores que assumiram o negocio dos pais e adotaram t&eacute;cnicas com alta tecnologia. &ldquo;Eles tinham uma mentalidade mais internacional, eram poliglotas. Um deles, inclusive, arranhava um pouco de portugu&ecirc;s, que tinha aprendido com uma namorada poliglota&rdquo;. O perfil da empresa &eacute; semelhante ao de outras vin&iacute;colas europ&eacute;ias, que v&ecirc;m renovando a produ&ccedil;&atilde;o de azeites com uma produ&ccedil;&atilde;o limitada.<br />Faltavam ainda duas visitas, uma na &Uacute;mbria e uma na Toscana, as duas gigantes da exporta&ccedil;&atilde;o de azeite. Na &Uacute;mbria foram &agrave; Costa D&rsquo;Oro, que tem produtos que podem at&eacute; ser encontrados no Brasil. Na Toscana, foram at&eacute; Salov, que produz o azeite Filippo Berio, o mais consumido dos Estados Unidos. O volume de produ&ccedil;&atilde;o nos dois lugares &eacute; alt&iacute;ssimo e em ambos impressiona o tamanho de tanques, variedade dos r&oacute;tulos e extens&atilde;o das f&aacute;bricas.<br />Na Toscana, onde ficou hospedada em Lucca (Como explicar Lucca? Lucca &eacute; linda, linda, linda&rdquo;, exalta Rosa), tamb&eacute;m aproveitaram para visitar muitas feiras, Floren&ccedil;a (que est&aacute; &ldquo;lotada de turistas, insuport&aacute;vel&rdquo;, segundo a autora) e comer muito bem. O estabelecimento lembrado com mais carinho &eacute; a Buca di Sant&rsquo;Antonio, em funcionamento desde 1782 em Lucca, com pratos tradicionais e que j&aacute; recebeu nomes como o escritor Ezra Pound, o cineasta Luchino Visconti e a princesa Margareth, da Inglaterra.<br />Pouco depois, Rosa voltaria ao Brasil. A bagagem lotada de ervas e azeites, montada com a ajuda da experi&ecirc;ncia de comiss&aacute;rio de v&ocirc;o de Marcelo, foi um consolo. Descrevendo no livro como foi ao abrir a bagagem em casa, Rosa parece sonhar. &ldquo;Soltaram-se os aromas de tudo o que eu havia experimentado e apreciado nesses dias de aventura dos sentidos e do conhecimento (...). Heran&ccedil;as singelas de dias especiais&rdquo;.<br /></p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;</p> http://www.casadapalavra.com.br/noticias/index.php?cod_noticias=264 Sun, 25 Apr 2010 00:00:00 -0300 Comer bem: Um fio de Azeite, de Rosa Nepomuceno <div style="clear: both; font-family: &quot;Trebuchet MS&quot;,sans-serif; text-align: left;" class="separator">A mo&ccedil;a da foto &eacute; a jornalista Rosa Nepomuceno, expert em ervas e especiarias e, mod&eacute;stia &agrave; parte, minha amiga da vida inteira, que acaba de lan&ccedil;ar o livro <em>Um fio de azeite</em> (Casa da Palavra/Senac) - e n&atilde;o &eacute; por outra raz&atilde;o que aparece acariciando folhas de oliveira na regi&atilde;o da Toscana, It&aacute;lia.</div><div style="clear: both; font-family: &quot;Trebuchet MS&quot;,sans-serif; text-align: left;" class="separator">&nbsp;</div><div style="clear: both; font-family: &quot;Trebuchet MS&quot;,sans-serif; text-align: left;" class="separator">Rosinha fez uma viagem para fazer o livro, olha s&oacute; que maravilha. Saiu com o amigo e chef Marcelo Scofano fu&ccedil;ando, anotando, fotografando, comendo e depois organizou tudo num trabalho que se l&ecirc; babando.&nbsp;</div><div style="clear: both; font-family: &quot;Trebuchet MS&quot;,sans-serif; text-align: left;" class="separator">&nbsp;</div><div style="clear: both; font-family: &quot;Trebuchet MS&quot;,sans-serif; text-align: left;" class="separator">S&oacute; para voc&ecirc;s terem uma ideia: &quot;O mundo do azeite tem vocabul&aacute;rio pr&oacute;prio, bastante rico. Diz-se que um &oacute;leo &eacute; frutado suave, m&eacute;dio ou intenso, adocicado, amendoado, amargo, picante, fresco, maduro, r&uacute;stico, elegante, delicado, leve, harmonioso,equilibrado, desequilibrado, robusto, espesso, fino. Associam-se aromas e sabores n&atilde;o apenas ao das azeitonas, mas tamb&eacute;m &agrave;s percep&ccedil;&otilde;es 'de fundo', que os italianos chamam de <em>retrogusto</em> - a ervas, folhas secas ou mato rec&eacute;m-cortado (diz-se 'herb&aacute;ceo'), a flores ('floral'), vegetais (tomate, alcachofra), frutas (ma&ccedil;&atilde; verde ou outra fruta madura, at&eacute; mesmo banana ou frutos secos, como am&ecirc;ndoas e avel&atilde;s).&quot;</div><div style="clear: both; font-family: &quot;Trebuchet MS&quot;,sans-serif; text-align: left;" class="separator">&nbsp;</div><div style="clear: both; font-family: &quot;Trebuchet MS&quot;,sans-serif; text-align: left;" class="separator">Faz lembrar a min&uacute;cia sensorial da degusta&ccedil;&atilde;o de vinhos e tem at&eacute; copinho pr&oacute;prio para degustar. Mas, ao contr&aacute;rio dos vinhos, azeite bom &eacute; azeite novo. E a&iacute; se esclarece um ponto sempre nebuloso para n&oacute;s, leigos: a acidez do azeite aumenta com a passagem do tempo. O ideal &eacute; consumi-lo num prazo de dois anos. Assim, aquela garrafinha linda e car&iacute;ssima com azeite extravirgem de acidez 0,1% que voc&ecirc; est&aacute; guardando h&aacute; tempos no arm&aacute;rio j&aacute; pode estar com muito mais acidez do que um azeite vagaba ali da esquina.</div><div style="clear: both; font-family: &quot;Trebuchet MS&quot;,sans-serif; text-align: left;" class="separator">&nbsp;</div><div style="clear: both; font-family: &quot;Trebuchet MS&quot;,sans-serif; text-align: left;" class="separator">Outro ponto que Rosa esclarece muito bem: azeite pode perfeitamente ser aquecido at&eacute; a temperatura de 180oC sem perder suas qualidades. Acima disso faz fuma&ccedil;a, e qualquer gordura que fa&ccedil;a fuma&ccedil;a j&aacute; dan&ccedil;ou, &eacute; jogar fora e come&ccedil;ar de novo. Ela diz que os extravirgens s&atilde;o bem adapt&aacute;veis &agrave;s altas temperaturas, &quot;por sua resist&ecirc;ncia, estabilidade qu&iacute;mica e alto conte&uacute;do de antioxidantes, mas para as frituras pode-se utilizar o <em>sansa</em>&quot;. <em>Sansa</em>, explica, &eacute; a palavra italiana para definir a massa formada por caro&ccedil;os e peles das azeitonas e res&iacute;duos do &oacute;leo (de 3 a 6%) que ficam nas m&oacute;s (de pedra) ou m&aacute;quinas de prensagem; ap&oacute;s um duplo refino o &oacute;leo &eacute; misturado com azeite virgem e apresenta, nesse momento, acidez de 0,5%.</div><div style="clear: both; font-family: &quot;Trebuchet MS&quot;,sans-serif; text-align: left;" class="separator">&nbsp;</div><div style="clear: both; font-family: &quot;Trebuchet MS&quot;,sans-serif; text-align: left;" class="separator">Recomenda&ccedil;&otilde;es importantes, entre muitas outras: na hora da compra, escolha o azeite mais jovem e d&ecirc; prefer&ecirc;ncia aos que s&atilde;o engarrafados na origem, em vidro escuro.</div><div style="clear: both; font-family: &quot;Trebuchet MS&quot;,sans-serif; text-align: left;" class="separator">&nbsp;</div><div style="clear: both; font-family: &quot;Trebuchet MS&quot;,sans-serif; text-align: left;" class="separator">Um livro para ler degustando e presentear como se presenteia um bom azeite. De quebra, uma ep&iacute;grafe que n&atilde;o posso deixar de copiar aqui: &quot;O &ecirc;xito n&atilde;o depende da sorte, depende da escolha feita. O &ecirc;xito &eacute; um caminho, n&atilde;o um destino.&quot;</div> http://www.casadapalavra.com.br/noticias/index.php?cod_noticias=261 Sat, 17 Apr 2010 00:00:00 -0300 Comer bem: Um fio de Azeite, de Rosa Nepomuceno <p>A mo&ccedil;a da foto &eacute; a jornalista Rosa Nepomuceno, expert em ervas e especiarias e, mod&eacute;stia &agrave; parte, minha amiga da vida inteira, que acaba de lan&ccedil;ar o livro Um fio de azeite (Casa da Palavra/Senac) - e n&atilde;o &eacute; por outra raz&atilde;o que aparece acariciando folhas de oliveira na regi&atilde;o da Toscana, It&aacute;lia.</p><p>Rosinha fez uma viagem para fazer o livro, olha s&oacute; que maravilha. Saiu com o amigo e chef Marcelo Scofano fu&ccedil;ando, anotando, fotografando, comendo e depois organizou tudo num trabalho que se l&ecirc; babando.</p><p>S&oacute; para voc&ecirc;s terem uma ideia: &quot;O mundo do azeite tem vocabul&aacute;rio pr&oacute;prio, bastante rico. Diz-se que um &oacute;leo &eacute; frutado suave, m&eacute;dio ou intenso, adocicado, amendoado, amargo, picante, fresco, maduro, r&uacute;stico, elegante, delicado, leve, harmonioso,equilibrado, desequilibrado, robusto, espesso, fino. Associam-se aromas e sabores n&atilde;o apenas ao das azeitonas, mas tamb&eacute;m &agrave;s percep&ccedil;&otilde;es 'de fundo', que os italianos chamam de retrogusto - a ervas, folhas secas ou mato rec&eacute;m-cortado (diz-se 'herb&aacute;ceo'), a flores ('floral'), vegetais (tomate, alcachofra), frutas (ma&ccedil;&atilde; verde ou outra fruta madura, at&eacute; mesmo banana ou frutos secos, como am&ecirc;ndoas e avel&atilde;s).&quot;</p><p>Faz lembrar a min&uacute;cia sensorial da degusta&ccedil;&atilde;o de vinhos e tem at&eacute; copinho pr&oacute;prio para degustar. Mas, ao contr&aacute;rio dos vinhos, azeite bom &eacute; azeite novo. E a&iacute; se esclarece um ponto sempre nebuloso para n&oacute;s, leigos: a acidez do azeite aumenta com a passagem do tempo. O ideal &eacute; consumi-lo num prazo de dois anos. Assim, aquela garrafinha linda e car&iacute;ssima com azeite extravirgem de acidez 0,1% que voc&ecirc; est&aacute; guardando h&aacute; tempos no arm&aacute;rio j&aacute; pode estar com muito mais acidez do que um azeite vagaba ali da esquina.</p><p>Outro ponto que Rosa esclarece muito bem: azeite pode perfeitamente ser aquecido at&eacute; a temperatura de 180oC sem perder suas qualidades. Acima disso faz fuma&ccedil;a, e qualquer gordura que fa&ccedil;a fuma&ccedil;a j&aacute; dan&ccedil;ou, &eacute; jogar fora e come&ccedil;ar de novo. Ela diz que os extravirgens s&atilde;o bem adapt&aacute;veis &agrave;s altas temperaturas, &quot;por sua resist&ecirc;ncia, estabilidade qu&iacute;mica e alto conte&uacute;do de antioxidantes, mas para as frituras pode-se utilizar o sansa&quot;. Sansa, explica, &eacute; a palavra italiana para definir a massa formada por caro&ccedil;os e peles das azeitonas e res&iacute;duos do &oacute;leo (de 3 a 6%) que ficam nas m&oacute;s (de pedra) ou m&aacute;quinas de prensagem; ap&oacute;s um duplo refino o &oacute;leo &eacute; misturado com azeite virgem e apresenta, nesse momento, acidez de 0,5%.</p><p>Recomenda&ccedil;&otilde;es importantes, entre muitas outras: na hora da compra, escolha o azeite mais jovem e d&ecirc; prefer&ecirc;ncia aos que s&atilde;o engarrafados na origem, em vidro escuro.</p><p>Um livro para ler degustando e presentear como se presenteia um bom azeite. De quebra, uma ep&iacute;grafe que n&atilde;o posso deixar de copiar aqui: &quot;O &ecirc;xito n&atilde;o depende da sorte, depende da escolha feita. O &ecirc;xito &eacute; um caminho, n&atilde;o um destino.&quot;</p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;</p> http://www.casadapalavra.com.br/noticias/index.php?cod_noticias=260 Sat, 17 Apr 2010 00:00:00 -0300