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  • Coletânea guia leitor por um Rio que continua lindo

    [+] Coletânea guia leitor por um Rio que continua lindo

    O Estado de S. Paulo
    Karla Dunder
    05.03.2006

    O Estado de S. Paulo
    Karla Dunder
    05.03.2006

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    Textos reunidos mostram que há sonhos de verdade na cidade maravilhosa
    Como desvendar os mistérios de uma cidade, se não entrar e percorrer todos os seus cantos? Cada meandro? Nada melhor que ser um flaneur, observar atentamente cada esquina, cada boteco com os suas figuras peculiares, personagens e personalidades, as paisagens e até mesmo as feiúras dos becos e das favelas. Com diz Beatriz Resende, "a melhor maneira de conhecermos uma cidade é descobrir a cidade real que existe dentro da cidade imaginária". Nada mais gostoso do que ser guiado pelas ruas do Rio por escritores, cariocas ou não, que oferecem um jeito próprio de mostrar a cidade maravilhosa na coletânea Rio Literário - Um Guia Apaixonado da Cidade do Rio de Janeiro (Casa da Palavra, 176 págs.), organizado por Beatriz Resende.
    As fotos que compõem o livro foram feitas por Bruno Veiga com a sua velha e boa Polaroid. As imagens dão um ar poético, fazem um mergulho no tempo sem, entretanto, perder de vista a contemporaneidade.
    Além de um guia da cidade, os organizadores optaram por fazer um roteiro literário. Começa com um texto inspirado do poeta Vinicius de Moraes sobre o momento em que o Rio deixou de ser a capital da República. Através de outros autores, o leitor é convidado a acompanhar as mudanças sofridas no espaço urbano, a invasão do asfalto, a ocupação intensa dos morros enfim, a história carioca. São caminhos percorridos entre a Cidade de Deus e a Barra da Tijuca nos artigos escolhidos e reunidos em ordem cronológica. Frases que também registram as mudanças da produção literária de 1960 a 2005. Nessa linha evolutiva, é interessante observar a voz das mulheres, cada vez mais presente na literatura; o gênero policial que ganha força e o impacto da realidade que se faz presente nos textos mais recentes. O livro começa e termina perseguindo a mesma idéia: a busca pelo espírito carioca que seduz leitores de diferentes idades e épocas.
    "Um carioca é um carioca. Ele não pode ser nem um pernambucano, nem um mineiro, nem um paulista, nem um baiano, nem um amazonense, nem um gaúcho. Enquanto, inversamente, qualquer uma dessas cidadanias, sem diminuição de capacidade, pode transformar-se também em carioca; pois a verdade é que ser carioca é antes de mais nada um estado de espírito", descreve Vinicius de Moraes em Estado Guanabara, que abre a coletânea. Esse espírito pode estar escondido em Copacabana, a princesinha do mar. O bairro surge em diferentes momentos no livro. Tanto como um reduto de travestis ou por seu cosmopolitismo. A diversidade de Copa é vista por Sônia Coutinho por intermédio de uma jovem de 28 anos, que veio do interior em busca de liberdade. No enredo, a moça lida com as contradições de viver de maneira solitária em uma metrópole e a tradição de tomar café na Confeitaria Colombo, uma das mais antigas da cidade. Já Luiz Alfredo Garcia-Roza descreve a vida de um morador do bairro atento à arquitetura e às ruas, em um texto envolvente, com um toque policial. Da mesma forma, Silviano Santiago usa o cenário de Copacabana para abordar um relacionamento. Muito mais do que prédios e ruas, todos os autores destacam a relação das pessoas com o espaço.
    As mazelas foram registradas com sensibilidade, como no poema Favelário Nacional, de Carlos Drummond de Andrade, publicado em 1984. "Quem sou eu para te cantar, favela,/que cantas em mim e para ninguém a noite inteira de sexta/e a noite inteira de sábado/e nos desconheces, como igualmente não te conhecemos?" Ou a crítica situação de uma adolescente que enfrenta a dor de um aborto clandestino, por Cecilia Giannetti. A vida dos meninos da Cidade de Deus, descrita por Paulo Lins denuncia a violência e o domínio do tráfico na periferia. Em Carioca da Gema, João Antonio arremata: "Carioca, carioca da gema seria aquele que sabe rir de si mesmo. Também por isso, aparenta ser o mais desinibido e alegre dos brasileiros. Que, sabendo rir de si e de um tudo, é homem capaz de se sentar ao meio-fio e chorar diante de uma tragédia."

  • Passeio por um Rio esmaecido e afetivo

    [+] Passeio por um Rio esmaecido e afetivo

    Jornal do Commercio
    Daniel Arrais
    30.01.2006

    Jornal do Commercio
    Daniel Arrais
    30.01.2006

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    Rio literário — um guia apaixonado da cidade do Rio de Janeiro traz textos que se propõem a mostrar uma cidade ainda engajada e romântica
    Conhecer uma cidade é criar hábitos, fazer os próprios caminhos, perder-se sem rumo. É, antes de mais nada, deixar-se levar pela subjetividade contida em um espaço que não é o seu. Rio literário ? um guia apaixonado da cidade do Rio de Janeiro, lançamento da editora Casa da Palavra, tem, como o próprio nome sugere, a pretensão de fazer com que o leitor construa sua própria visão da cidade carioca a partir de relatos literários de autores consagrados, como Clarice Lispector e Rubem Fonseca, e iniciantes, como Cecília Giannetti e João Paulo Cuenca.
    Em vez de um guia tradicional, onde ruas e avenidas são identificadas por mapas cheios de indicações do que se fazer, Rio Literário apresenta 33 textos entre contos, poesias e fragmentos de romances, que constroem uma visão apaixonada da cidade. Vinícius de Moraes, símbolo do Rio, abre a coletânea: "Um carioca é um carioca. Ela não pode ser nem um pernambucano, nem um mineiro, nem um paulista, nem um baiano, nem um amazonense, nem um gaúcho. Enquanto que, inversamente, qualquer uma dessas cidadanias, sem diminuição de capacidade, pode transformar-se também em carioca, pois a verdade é que ser carioca é antes de mais nada um estado de espírito".
    E esse espírito de "ser carioca" dá o tom ao livro de diversas maneiras, seja pelas palavras de autores cariocas (e eles são a maioria: Chico Buarque, Arthur Dapieve, Luiz Alfredo Garcia-Roza, só para citar alguns) ou mesmo paulistas (João Antônio), pernambucanos (Sebastião Uchoa Leite), baianos (Antônio Torres) e mineiros (Silviano Santiago, Carlos Drummond de Andrade). Para eles, ser carioca é morar em São Cristóvão e ter a rotina familiar alterada por ladrões românticos que roubam flores do jardim (como diz Clarice Lispector em Mistérios em São Cristóvão), participar de passeatas contra a ditadura e se surpreender com o engajamento da própria mãe (Tropical sol da liberdade, de Ana Maria Machado), lembrar da infância vivida em Vila Isabel ( Vila Isabel, de Aldir Blanc), fazer uma sociologia das favelas (Favelário nacional, de Carlos Drummond de Andrade) ou ainda caminhar tranqüilamente por Copacabana (Doce e cinzenta Copacabana, de Sônia Coutinho).
    A organização do livro é da professora e crítica literária Beatriz Resende (autora de Lima Barreto e o Rio de Janeiro em fragmentos), que se pautou pelo objetivo de entender o que é o espírito carioca e o que faz com que a literatura sobre o Rio siga sempre seduzindo leitores. Para isso, reuniu textos escritos entre 1960 e 2005. No prefácio, ela deixa claro que a seleção não fugiu a um cânone pessoal. "Mesmo com o risco de cometer exclusões desastrosas, não pude evitar que as escolhas recaíssem, dentre aqueles autores que falam do Rio e os espaços por eles representados, nos que mais fortemente interpelam meu próprio imaginário carioca."
    Rio Literário conta, ainda, com fotografias de Bruno Veiga, feitas com uma máquina Polaroid SX-70, fabricada em 1979. O tom opaco e as cores turvas dão às imagens, que foram especialmente produzidas para o livro, uma certa nostalgia tão cara ao Rio de Janeiro fincado no imaginário popular. É aquele Rio de antigamente, palco tanto para movimentações políticas e culturais quanto para acontecimentos prosaicos.
    O livro cumpre o papel a que se propõe: faz o leitor se apaixonar, à primeira vista (ou novamente), pelo Rio de Janeiro. A leitura é acompanhada pela vontade de percorrer o calçadão preto e branco de Copacabana, tomar uma cerveja em um bar da Avenida Atlântica, comer os tradicionais biscoitos Globo, fazer uma trilha em São Conrado, contemplar o Cristo Redentor no Corcovado, tomar um café no Nova Capela, andar de bondinho em Santa Teresa. Ou seja, mesmo quando é violento ou traidor, o Rio de Janeiro continua sendo uma cidade sedutora e envolvente. E perceber isso através de boa literatura é ainda melhor.

  • Rio Literário no 10+ da Folha

    [+] Rio Literário no 10+ da Folha

    Folha de S. Paulo
    18.12.2005

    Folha de S. Paulo
    18.12.2005

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    "Ser carioca é antes de mais nada um estado de espírito", define Vinícius de Moraes no primeiro texto deste guia da cidade do Rio de Janeiro, que inclui ainda textos de Aldir Blanc, Carlos Drummond de Andrade, Chico Buarque e outros nomes importantes das letras nacionais. Organizado pela crítica literária Beatriz Resende, e com fotografias de Bruno Veiga, o guia se propõe a ajudar o leitor a construir seu próprio conhecimento sobre a cidade a partir da escrita de autores consagrados. Ed. Casa da Palavra (tel. 0 21 2222-3167). 176 págs., R$ 52.

  • Geografia literária do Rio

    [+] Geografia literária do Rio

    O Globo
    Mauro Ventura
    17.12.2005

    O Globo
    Mauro Ventura
    17.12.2005

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    2005 foi o ano das antologias. (...). Natural que o ano se encerre com o lançamento de uma nova antologia, "Rio literário — Um guia apaixonado da cidade do Rio de Janeiro" (Casa da Palavra, R$ 52), que reúne 33 textos produzidos por 29 escritores entre 1960 e 2005, entre eles Rubem Fonseca, Ferreira Gullar e Antônio Torres. O livro, que será lançado terça-feira, às 19h30m, no Rio Scenarium, é ilustrado por 71 fotos de Bruno Veiga.
    Em se tratando de Rio, o caminho óbvio seria recorrer à crônica, expressão literária mais identificada com a cidade. Mas Beatriz Resende, organizadora do livro, percebeu que o Rio das crônicas já é por demais conhecido. Além disso, é um gênero que identifica e detalha demais os espaços, quando a idéia era traçar não só a geografia física como também a cartografia sentimental e afetiva da cidade.
    Beatriz abriu mão dos atalhos literários e reuniu poemas, contos e trechos de romances que, juntos, esboçam uma espécie de ?biografia? do Rio ? uma das muitas possíveis. A única crônica do livro é a que abre a antologia. Num trecho de ?Estado da Guanabara?, Vinicius de Moraes brinca com a fama de bon vivant que acompanha o morador da cidade: ?Que outra criatura no mundo acorda para a labuta diária como um carioca? Até que a mãe, a irmã, a empregada ou o amigo o tirem de seu plúmbeo letargo, três edifícios são erguidos em São Paulo.?
    Ao mesmo tempo hospitaleira e hostil, tolerante e áspera, envolvente e traidora, graciosa e vulgar, a cidade do Rio, diz Beatriz, ?apresenta-se inevitavelmente como espaço percebido numa relação amorosa?. Nesta espécie de guia de viagem literário, o leitor encontra referências explícitas a bairros e alusões mais sutis à geografia carioca. No primeiro caso, estão, por exemplo, o Largo do Machado e o Catete, que ganham ruas e detalhes em trecho de ?Um crime delicado?, de Sérgio Sant?Anna. Mas há instantes em que se dispensam nomes, como faz Antonio Cicero, que fala do museu e do aeroporto em ?O parque?, numa menção ao MAM, ao Santos Dumont e ao Aterro do Flamengo.
    Os 25 anos que separam o primeiro texto ? de Vinicius ? do último ? ?Sexta-feira de cinzas?, de Marcelo Moutinho ? estão visíveis no livro com o desaparecimento do Estado da Guanabara, a transformação da Confeitaria Colombo da Rua Barão de Ipanema em agência do Banco do Brasil, a mudança de Rua Montenegro para Vinicius de Moraes e o fim do Cinema Miramar. Um Rio que também vai se perdendo está em ?Carioca da gema?, de João Antônio, dos anos 70, que traz uma visão hoje idealizada dos morros: ?Gosto de lembrar aos sabidos, perdedores de tempo e que jogam conversa fora, que o lugar mais alegre do Rio é a favela. É onde mais se canta no Rio.?
    Beatriz optou também por uma escolha arriscada: incluir na seleção um punhado de autores novos.
    ? Quis pôr um olhar sobre a cidade que não fosse nostálgico. O livro traz uma fruição inédita, um olhar mais fresco que é difícil de achar em escritores mais consagrados ? explica Beatriz, professora da Uni-Rio, pesquisadora da UFRJ e organizadora do livro ?Cronistas do Rio?. ? E os trechos selecionados fazem com que ?Rio literário? funcione como aperitivo para o leitor conhecer seus autores.