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  • A primeira vez na TV

    [+] A primeira vez na TV

    O Estado de S. Paulo
    Antonio Gonçalves Filho
    08.05.2006

    O Estado de S. Paulo
    Antonio Gonçalves Filho
    08.05.2006

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    Virgindade vista por gente experiente
    Série de cinco programas, que a GNT começa a exibir hoje, reúne depoimentos de famílias inteiras sobre o assunto

    Na Grécia antiga, garotas que perdiamavirgindadeeramvendidas como escravas por arruinar a honra familiar. Na Roma imperial, um pai podia matar a filha e o homem que a seduziu se ela perdesse a virgindade antes do casamento. Até hoje, em alguns países árabes e africanos, mulheres são mutiladas ou apedrejadas por causa de um preconceito que, segundo antropólogos, vem desde a era neolítica, quando os homens começaram a domesticar animais e reprimir suas mulheres. Mas as coisas estão mudando, como mostra a série de cinco documentaries Quando Éramos Virgens, que a GNT/Globosat exibe de hoje a sexta-feira, às 21h30.
    Realizada pela cineasta Rosane Svartman (Como Ser Solteiro), 37 anos, virgem até os 18, e pela roteirista e escritora Juliana Lins, 34 anos, virgem até os 16, a série expôs suas idealizadoras a tremendas dificuldades. Uma delas: manter uma garota virgem até a gravação de seu depoimento. Um dia antes do compromisso, ela telefonou para as entrevistadoras e confessou, constrangida, que não poderia mais participar do programa. Não resistiu ao assédio: foi para a cama com o namorado.
    A série de cinco programas, com meia hora de duração cada, intercala registros documentais com dramatização e reality show. Homens e mulheres dão seus depoimentos sobre a primeira vez e excertos dessas lembranças são reconstituídos em ficção. Como foram muitos os entrevistados, os cortes na edição dos programas levaram automaticamente à idéia de aproveitar o material num livro, que está sendo lançado com o mesmo título da série, Quando Éramos Virgens (Casa da Palavra, 176 págs., R$ 32,90). O livro apresenta personagens que não estão nos programas. Traz ainda uma entrevista com a historiadora Mary del Priore, que traça um panorama histórico da virgindade no Brasil desde o século 18.
    A cineasta Rosane Svartman explica que esse enfoque histórico ficou for a da série televisiva porque a idéia não era criar uma teoria sobre a virgindade, mas saber como foi a primeira relação sexual dos entrevistados, sejam eles membros de uma mesma família, de uma religião ou que assumiram uma diferente orientação sexual. No último caso estão quatro casais do Segundo programa da série, Fora do Armário, homossexuais que tiveram, segundo ela, alguma dificuldade de expor sua vida privada em público.
    O programa inaugural, que vai ao ar hoje, Encontro Marcado, reúne três casais que não se viam há anos após o primeiro contato amoroso. É curioso que, depois de 10 ou 20 anos, eles tenham vagas lembranças do que aconteceu e visões diferentes dessa experiência, comenta Rosane. Mais curioso ainda é o encontro familiar do terceiro programa, Gerações, que reúne avós, mães, pais e netos numa conversa franca sobre como perderam ou pretendem perder a virgindade, garantindo boas risadas entre eles.
    O mais ousado é o quarto programa, Sexo na Vitrine, que vai atrás de atores de filme pornográficos para descobrir como foi a iniciação sexual desses atletas da cama. As realizadoras acompanharam também os bastidores do primeiro ato sexual público de um casal jovem - ele, que sempre sonhou ser astro pornô, e ela, uma garota conduzida pela curiosidade à indústria pornográfica. Por causa desse episódio, a dupla Rosane e Juliana quase perde a colaboração de uma virgem evangélica que participa do programa final, A Primeira Vez. Daniele, que queria casar virgem, concordou, afinal,quecineastaeroteirista a acompanhassem desde o casamento até sua noite de núpcias.E ainda deu seu depoimento sobre o dia seguinte.
    Se a virgindade, para os antigos, era uma virtude e estava associada a Artemis (Diana), deusa da lua e da caça que protegia crianças, hoje, segundo muitos depoimentos, ela incomoda. Muitas mulheres ouvidas na série revelam ter decidido, por conta própria, perder a virgindade com medo da discriminação. É o caso de Fabi, que fez sexo pela primeira vez em 1987 e queria resolver o problema logo para não ser segregada pelas amigas experientes.
    O tema virgindade voltou à ordem do dia com a surpreendente caça aos ginecologistas para uma himenoplastia e a publicação do livro Virgin: Un Untouched History, vendido pela editora Bloomsbury como a primeira história da virgindade, dos gregos até nossos dias.
    Nele, a historiadora Hanne Blank fala dos diferentes papéis que a virgindade teve na história, desfaz mitos ao mostrar que muitas mulheres nascem sem hímen e aborda temas polêmicos como os comentários dos doutores da igreja sobre o assunto.
    A realizadora da série diz que evitou justamente essa abordagem acadêmica para atingir um público amplo. Muitos garotos partem para a primeira experiência sexual sem nenhuma orientação e sem camisinha no bolso, o que explica a profusão de mães solteiras e menores num país como o Brasil. Nossa curiosidade era apenas saber se, ao longo dos anos, essa experiência tem alguma coisa em comum com a de seus antepassados, diz Rosane.

    Pensando o sexo
    MICHEL FOUCAULT, filósofo (1926-1984): Muitas formas decomportamento foram condenadas no passado. Hoje vivemos numa sociedade de perigos, que divide os homens entre perigosos e vítimas do perigo. A sexualidade corre o risco de se tornar ameaça em todas as relações sociais por força da lei. Corremos o risco de ter no futuro um novo regime de supervisão da sexualidade.
    SIMONE DE BEAUVOIR, escritora (1908-1986): A virgem, ora temida, ora desejada pelos homens, parece ser a mais alta representação do mistério feminino. (sobre o mito da virgindade e o paradoxo dessa condição, central na construção da identidade feminina na Europa da Idade Média)
    JACQUES DERRIDA, filósofo (1930-2004): O hímem é um exemplo paradigmático de sintoma histérico. Ele tem sonhos de penetração, de um ato que fica entre o amor e o assassinato.
    JUDITH BUTLER, filósofa americana, 50 anos: Não há melhor exemplo do corpo ultrapassando a própria fronteira física do que a virgindade, que existe no limite entre o corpo e a cultura. Por definição, virginidade é abstração maior do que a soma das partes do corpo.
    GILLES DELEUZE, filósofo francês (1925-1995): A garota certamente não é definida por sua virgindade; ela é definida por uma relação de movimento e descanso, velocidade e lentidão, por uma combinação de átomos, uma emissão de partículas. Ela é uma linha abstrata. Não pertence a grupos, sexos, ordens ou reinos. Estão entre as ordens, sexos e atos. Produzem sexos moleculares.

  • Veja Recomenda

    [+] Veja Recomenda

    Revista Veja
    03.05.2006

    Revista Veja
    03.05.2006

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    A despeito do que o título pode sugerir, esse livro não faz a defesa - nem a crítica - das drogas. É uma coletânea de textos do fim do século XIX e início do XX sobre os então chamados vícios elegantes: cocaína, morfina e ópio. Organizada pela professora de literatura Beatriz Resende, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, traz crônicas, poemas e excertos de romances de figures como Olavo Bilac, João do Rio, Lima Barreto e Manuel Bandeira - e de autores populares à época mas hoje esquecidos, como Benjamin Costallat. Alguns alertam contra os perigos dos narcóticos, enquanto outros exaltam as suas delícias. E um curioso painel de um período em que a cocaína era vendida em farmácias - e recomendada até para crianças.

  • O poder do marketing: Michael Payne explica como os Jogos Olímpicos se tornaram, em 20 anos, uma marca bilionária e expõe a força da televisão

    [+] O poder do marketing: Michael Payne explica como os Jogos Olímpicos se tornaram, em 20 anos, uma marca bilionária e expõe a força da televisão

    Carta Capital
    Fabio Kadow
    03.05.2006

    Carta Capital
    Fabio Kadow
    03.05.2006

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    Exclusivo: Carta Capital entrevista Michael Paye, ex-diretor do Comitê Olímpico Internacional

    Depois do boicote político liderado pelos norte-americanos aos Jogos Olímpicos de Moscou, em 1980, e da réplica, quatro anos depois, em Los Angeles, comandada pela então União Soviética, o chamado movimento olímpico definhou a tal ponto que até na falência seus organizadores cogitaram. Foi nesse cenário caótico que o britânico Michael Payne assumiu a direção de marketing do Comitê Olímpico Internacional. Nos 20 anos seguintes, Payne enfrentou o desafio de profissionalizar os contratos publicitários dos Jogos Olímpicos, tornando-os um negócio bilionário, sem perder de vista os valores éticos da competição. Um desafio nem sempre vencido, diga-se. As duas décadas estão relatadas no livro A Virada Olímpica (Casa da Palavra, 320 págs., 48 reais), recentemente lançado no Brasil. Em entrevista a CartaCapital, Payne fala sobre essas mudanças, futebol e Fórmula 1, onde trabalha atualmente.

    CartaCapital: O senhor destaca a importância do dinheiro da tevê para a retomada financeira dos Jogos Olímpicos. Essa dependência é saudável?
    Michael Payne: Os direitos televisivos foram realmente o motor principal. Proporcionaram tanto a renda como também uma exposição mundial, algo muito importante. O perigo é quando a receita da televisão é sua única fonte, ainda mais se ela vem de um único país - como foi o caso do COI no início dos anos 80. Mais de 90% da renda vinha do mercado norte-americano.

    CC: O que foi feito na época?
    MP: Por causa dessa situação perigosa, nós, aos poucos, diversificamos e criamos novas receitas em outros mercados de televisão e também com os patrocinadores oficiais. Nenhuma companhia do mundo pode deixar toda a sua renda vir de uma única fonte. Essa é a formula para o desastre, pois o comprador toma efetivamente o controle de seus negócios.

    CC: Além da questão financeira, que outros fatores são decisivos na escolha das emissoras?
    MP: Para as Olimpíadas, e a maioria dos outros grandes eventos esportivos, o fator-chave é assegurar o alcance da transmissão, ou seja, que todo o público possa assistir. E sem pagar por isso.

    CC: No Brasil, a TV Globo praticamente monopoliza as transmissões esportivas. Há casos em que comprou os direitos e não exibiu, apenas para a concorrência não entrar nas negociações. Isso é ético?
    MP: O organizador deveria assegurar, em seu contrato, que o evento esportivo fosse realmente mostrado e não engavetado.

    CC: Há eventos em que as empresas pagam para entrar na programação e as emissoras levam ao ar como se fosse uma cobertura jornalística. Jornalismo e publicidade se misturam?
    MP: Essa é uma tendência que tem crescido no mundo todo, especialmente nos EUA. Enquanto estiver claro para o espectador a distinção entre jornalismo puro ou patrocinado, isso não é um problema.

    CC: Esse crescimento não é ruim?
    MP: Bem, alguns podem até argumentar que isso é menos intrusivo do que uma pausa para o comercial.

    CC: Quanto o marketing influencia na escolha da cidade-sede? Como se explica, por exemplo, Atlanta ter ganho de Atenas em 1996?
    MP: Atlanta venceu em 1996 porque tinha a melhor proposta técnica, não por causa da Coca-Cola. Atenas perdeu porque seu planejamento era ruim.

    CC: Um programa exibido pela BBC, Buying the Games (Comprando os Jogos), denuncia um esquema de compra de votos na escolha da sede de 2012. Essas denúncias não arranham a credibilidade do COI?
    MP: Eu não tive qualquer relação com o Comitê de Candidatura. O COI tomou as medidas necessárias para manter os mais altos níveis éticos e expulsou o membro envolvido. Não houve esquema de compra de votos. O que Londres fez foi um excelente lobby, apresentando um plano técnico consistente e uma visão clara do futuro. Os franceses, que eram favoritos com Paris, fizeram uma campanha fraca, dirigida por politicos sem visao do esporte. Quando voltaram para casa, tiveram de achar uma desculpa e, por isso, tentaram culpar todos, menos a si próprios.

    CC: Quais chances de o Brasil sediar uma Olimpíada?
    MP: Não há dúvidas que dentro do COI há um desejo de levar os Jogos a novas partes do mundo. O leque de opções para 2016 deverá ser bem aberto, mas apresenta chances interessantes para o Rio. A chave é provar que operacional e tecnicamente você pode lidar com o desafio de um evento esportivo como as Olimpíadas. O Pan-Americano é uma oportunidade perfeita para isso.

    CC: O senhor acredita que os Jogos podem trazer algum benefício para um país com tanta desigualdade social?
    MP: Basta ver que os Jogos fizeram pela Coréia. Lembre-se da situação daquele país em 1981, quando Seul foi escolhida, e como eles usaram os Jogos para catalisar o desenvolvimento por todo o país.

    CC: Os jogadores de futebol brasileiros são vendidos por milhões para o exterior todo ano. O que os clubes e a confederação podem fazer para reforçar o mercado nacional?
    MP: Com o dinheiro rolando solto no futebol europeu, isso naõ será fácil. Expandir as bases financeiras através do marketing seria o caminho para os clubes de brasileiros.

    CC: Alguns GPs na Europa estão desaparecendo, o Mercado está esfriando nessa região? A Ásia vai centralizar os próximos eventos?
    MP: O mercado na Europa está tão grande quanto antes, mas, se a F1 quer se tornar uma categoria verdadeiramente global, ela deve ser realizada no mundo todo. O que acontece é que a Ásia está começando a ficar muito interessada depois das novas provas na China e Malásia. Índia, Cingapura e Coréia já competem para se tornar sedes de uma prova de F1.

  • Impasse: O Oriente Médio aos olhos de um exilado palestino

    [+] Impasse: O Oriente Médio aos olhos de um exilado palestino

    Jornal do Brasil
    Marcelo Ambrosio
    29.04.2006

    Jornal do Brasil
    Marcelo Ambrosio
    29.04.2006

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    A Ramala dos sonhos e o choque com a realidade da ocupação
    Deir Ghassana é um vilarejo perto de Ramala, cidade da Cisjordânia onde fica a sede da Autoridade Palestina, em tese o governo nos territories ocupados. Mourid Barghouti é um poeta que viveu por 30 anos no exílio no Cairo até receber permissão para rever sua terra natal em 1996. Eu vi Ramallah é o relato dessa volta, uma obra não recomendável para portadores de opiniões extramadas.
    Hábil na construção de figures simples e objetivas, Barghouti escapa dos chavões. Desenvolve um ambiente interior e particular onde palavras desarmam preconceitos e o leitor é tratado com a deferência de um visitante ilustre, algo típico entre os árabes. As passagens conseguem gerar definições dotadas de tanta carga emocional que se cristalizam como verdades indeléveis. Já li e ouvi muito sobre o conflito no Oriente Médio, mas poucas vezes encontrei tanto significado naquilo que é mais comum como nesse texto de Mourid Barghouti.
    Com um belo prefácio escrito especialmente por Edward Said, o livro traz uma apresentação do autor apenas para a edição brasileira, sinal da preocupação com a percepção de seus pontos de vista. Para os intolerantes, um aviso essencial: não há no texto provocações que sustentem críticas desmoralizantes, apenas observações existenciais sobre as quais não se pede aceitação. Elas existem independentemente do que possamos concluir.
    Barghouti entremeia sua jornada com devaneios repletos de instabilidade, desesperança, surpresa, inconformismo e resignação, por mais que tais sensações pareçam paradoxais. Graças a ele percebemos a visão palestina do cotidiano, desprovida do debate geopolítico, mas transbordando de emoção humana, da sensação de perda permanente - representada, por exemplo, na imagem ausente do irmão mais velho do poeta, morto sem ter podido realizar o sonho do retorno.
    A grande qualidade do texto é a objetividade. E o recurso de definir, sem ser panfletário, o sentido etéreo para nós da ocupação israelense naquilo em que ela mais afeta o cotidiano. Graças a isso se percebe a importância das oliveiras e do azeite na vida das aldeias - e compreendemos por que essas árvores e a milenar cultura a elas associadas são as primeiras vítimas dos colonos radicais e das ações militares. Quando o texto foi escrito, é bom lembrar, ainda não havia sido construído o muro de segurança nos territories: em muitos casos, as oliveiras foram separadas das aldeias a quem alimentavam pela barreira física, rude e fria, espiritual.
    Outro exemplo interessante é o estrago do futuro da família pela prisão ou desaparecimento do filho primogênito, o responsável por manter a união da casa. Como define bem Barghouti, política é a família na mesa do café, quem está presente, quem está ausente e porque, quem sente falta de quem quando se distribui o café nas xícaras, se tem o dinheiro para pagar seu desjejum (?) é a presença súbita do que você já esquecera, são as memórias que você teme olhar, mas que olham para você apesar disso. Como em tudo, a definição não nega a existência do outro lado, mas a delimita pelos seus defeitos.
    A melhor passagem é triste, mas adequada a uma discussão sobre o futuro no qual os cânones do passado deixam de ter a importância original para gerá-lo. Tudo é diferente porque, como classifica o autor, acabou, a questão está encerrada. A longa ocupação criou gerações israelenses que nasceram em Israel e não conheceram outra patria além dela, ao mesmo tempo em que criou gerações de palestinos fora da Palestina que não sabem da patria nada mais além de notícias e histórias. Doloroso, mas absolutamente pragmático.
    Mourid Barghouti não discute culpa ou responsabilidade. Descreve sensações comparativas entre a memória afetiva do passado e a emoção conflituosa de um retorno permitido como privilégio, concessão. Mesmo com indelével tristeza, ainda é capaz de provar que no espaço simbólico de cada um a ocupação só triunfa quando o espírito cede - não é uma questão de fé, mas humanismo. Longe de apontar qualquer solução, funciona como resgate da identidade emocional de um povo habituado ao sofrimento. A simples constatação já é um sopro de civilidade, um lampejo de paz entre rugidos de guerra.

  • Permissão para viajar

    [+] Permissão para viajar

    Folha de S. Paulo
    Joca Reiners Terron
    23.04.2006

    Folha de S. Paulo
    Joca Reiners Terron
    23.04.2006

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    Cocaína resgata a curiosidade e o interesse de escritores brasileiros, como João Ribeiro e Pagu, por drogas à época consideradas legais
    Leiam...! Noites de prazer. A ironia e o bom humor galante pelos melhores auctores"perversos. Profusamente illustrado em cores e doublets. À venda em todas as livrarias.
    Assim era anunciada nos primórdios do século 20 a Colecção Ninon de livros picantes, representando vivos quadros de passagens íntimas. Também esse era o tom de escândalo aplicado à viciosa literatura art déco de nossa belle époque tropical, reunida por Beatriz Resende em Cocaína - Literatura e Outros Companheiros de Ilusão. Além da importância do resgate de autores quase sempre esquecidos promovido pela antologia (apesar da popularidade que obtiveram em seu tempo), mais digno ainda de interesse é o objeto da escolha, rara oportunidade de revisão entre nós da importância do uso de drogas na engenharia do imaginário coletivo da sociedade daquele período específico.
    Banidos por décadas de editoras comerciais, autores como Benjamin Costallat, João do Rio (de vastíssima e irregular produção, aqui em alguns de seus melhores momentos extraídos de A Alma Encantadora das Ruas), José do Patrocínio Filho, João de Minas e Théo-Filho desfrutaram o auge de seu reconhecimento no instante imediatamente anterior ao modernismo, sendo essa a sua desdita e provável carimbada no passaporte para as mais recônditas prateleiras dos sebos.
    A dicção empolada e repleta de francofilias não sobreviveu às colheradas antropofágicas, e o que a moda ditava como supra-sumo da hora (em cópias complacentes do modelão que grassava na Europa) aos poucos se metamorfoseou em velharia. Não à toa a crônica de costumes presente no romance Enervadas, de madame Chrysanthème (pseudônimo da jornalista e feminista Cecília Bandeira de Melo Rebelo de Vasconcelos), protótipo das melindrosas eternizadas por J. Carlos, culminou em injusto esquecimento. Não fosse a vívida personificação da personagem promovida pela jovem Pagu (também presente no livro com um fragmento de Parque Industrial, originalmente assinado com o codinome Mara Lobo), e estaríamos desprovidos da memória dessa insinuante figura feminina, precursora de ilibados liberalismos posteriores.
    No meu modo de ver, portanto, a não-inclusão de uma carta de Mário de Andrade relatando suas experiências com cocaína no Carnaval de 1923 a Pedro Nava (lamentada por Beatriz Resende no prefácio) apenas fortalece o recorte estético da seleção, atendo-se àquele momento que antecede a repressão à venda em farmácias de substâncias como a cocaína, iniciada em 1921 com a promulgação do decreto-lei 4.294.
    Mas, igualmente, se concentrando na ficção preponderante à época, ao mesmo tempo investida na propaganda e na prevenção da descoberta da euforia química por uma geração posteriormente perdida. Não há nenhum texto no livro que contenha a palavra traficante, tipo ainda por ser inventado naqueles tempos boêmios e indolores de outrora.

    Voyeurismo
    O bairro da cocaína! Botafogo, Copacabana, avenida Atlântica, Santa Teresa, Leblon, também tomam cocaína. Até Madureira já está contaminada... Mas a zona da irradiação do vício, a zona do comércio miserável do terrível tóxico, é a Lapa e a Glória. Entre dez meretrizes, nove são cocainômanas, alardeava Costallat, num estilo sensacionalista de parágrafos tão urgentes como a dependência.
    Excetuando-se a crônica Haxixe, de Olavo Bilac -texto inaugural da coletânea e provavelmente também da abordagem brasileira do assunto (é de 1905), em seu tom de fábula moral preventiva a serviço das más experiências advindas do uso do cânhamo-, todos os contos e poemas (há até mesmo uma canção de Sinhô) trazem inicialmente o traço do interesse voyeurístico pelo entorpecimento do outro (como os chineses opiômanos do formidável Visões dÓpio, de João do Rio, e de Os Fumantes da Morte, de Costallat), nem que o outro, no caso, seja uma prostituta, como no misógino e cruel A Tangente, de José do Patrocínio Filho.
    Não seria desproposital a comparação de tal histeria novidadeira aos shows de horrores como os de Phineas T. Barnum e seus freaks, e o passo seguinte seria mesmo o de adoção dessa excentricidade proporcionada pelo uso da cocaína e de outras drogas, permitindo assim ao usuário adquirir um certo charme da dor, uma esquisitice frívola e ingênua, típica da ignorância. São célebres os equívocos cometidos por Freud na aplicação terapêutica da cocaína em seu amigo Ernest von Fleischl, e de outra forma não poderia ser: o princípio ativo da cocaína foi isolado por Albert Nieman somente em 1860, e os efeitos colaterais de seu uso freqüente ainda não eram conhecidos então.
    Esse aspecto romântico da droga é ironizado com eficácia em O Segredo dos Sanatórios, de Benjamin Costallat, onde um recém-desintoxicado adquire contornos interessantes às moças, valorizando assim seu aspecto doentio. Recuperada e reinventada na obra de Dalton Trevisan e Valêncio Xavier, a origem belle époque da obra desses importantes autores contemporâneos também é entrevista nos contos de Cocaína, e isso não é pouco.

  • Linhas de embriaguez

    [+] Linhas de embriaguez

    O Globo
    Miguel Conde
    22.04.2006

    O Globo
    Miguel Conde
    22.04.2006

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    O Rio da República Velha, que pretendia imitar a Paris moderna em suas virtudes (o disciplinamento do espaço urbano, o alargamento de ruas e avenidas), também reproduzia seus vícios. No início do século XX, os "Paraísos artificiais" de Baudelaire, eram o ponto de partida para as discussões dos letrados sobre os entorpecentes que os cariocas encontravam em fumeries (o ópio), na farmácia (a cocaína) ou em bares (o álcool). O uso do ópio e da cocaína era considerado, assim como o do álcool, imoral, mas não ilegal. Apenas durante a década de 1930 o consumo dessas substâncias seria definitivamente proibido. Já naquela época, surgia o debate entre os que pretendiam criminalizar a questão e os que defendiam uma abordagem médica, de assistência aos dependentes. Nesta discussão, os escritores têm participação importante. O uso de entorpecentes era retratado em contos, poemas, reportagens e romances. Alguns dos textos desse período, em que seriam definidos os fundamentos da política de drogas até hoje vigente no Brasil, foram reunidos pela crítica Beatriz Resende no recém-lançado "Cocaína, literatura e outros companheiros de ilusão" (Casa da Palavra). O volume registra as abordagens que escritores como Benjamin Costallat, Olavo Bilac, Lima Barreto e Manuel Bandeira deram ao tema.

  • Esta coca é da boa

    [+] Esta coca é da boa

    Jornal do Brasil
    Álvaro da Costa e Silva
    22.04.2006

    Jornal do Brasil
    Álvaro da Costa e Silva
    22.04.2006

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    É outra cocaína. Não este veneno que hoje se compra, a vistas tantas, em qualquer esquina - não mais apenas nas favelas e morros - da cidade do Rio. Como explica a organizadora Beatriz Resende, a intenção da coletânea de textos Cocaína é apresentar uma literatura, na maioria dos casos, excluída. "São obras que falam do gosto, importado diretamente de Paris, pelos excessos", explica Beatriz. Participam do livro editado pela Casa da Palavra autores que sofreram e de certa maneira ainda sofrem com sua recusa levada a cabo pelo movimento modernista: Olavo Bilac, João do Rio, Lima Barreto, Benjamin Costallat, Coelho Neto, José do Patrocínio Filho, Álvaro Moreyra, Théo-Filho e Chrysanthéme. Este último era o pseudônimo da jornalista e escritora Cecília Bandeira de Melo Rebelo de Vasconcelos. Os trechos do seu romance Enervadas, cujo relançamento é urgente são a delícia da coleção.

  • Uma sonora gargalhada

    [+] Uma sonora gargalhada

    Jornal do Brasil
    Álvaro da Costa e Silva
    22.04.2006

    Jornal do Brasil
    Álvaro da Costa e Silva
    22.04.2006

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    Livro de Paulo Perdigão recupera para novas gerações o programa PRK-30

    Meus estimados admiradores, boa noite. A voz que vocês estão tendo o prazer de ouvir neste momento é a voz penicilínica, veludosa e afiambrada do maior espícler da presente atualidade: Otelo Trigueiro. Tanques! Tanques! Tanque iú vira e mexe. São estas as primeiras palavras do programa PRK-30, que foi no dia 19 de outubro de 1944, às 21h, pela rádio Mayrink Veiga.
    Nonsense, inocência, imprevisibilidade. Assim se pode definir o estilo do programa, o mais bem-sucedido da era do rádio no Brasil, Tais conceitos, Paulo Perdigão foi buscá-los em depoimentos de Lauro Borges (1901-1967), que escrevia e - ao lado do também cantor Castro Barbosa (1909-1975) - apresentava a atração que permaneceu 20 anos no ar, de 1944 a outro lado da vida.Compreendi que os atos mais sérios, os momentos de maior compenetração, quando encarados pelo avesso, são um manancial inesgotável de humor.
    Época houve em que meio Rio acompanhava pelas ondas da Rádio Nacional a graça dos locutores Otelo Trigueiro e Megatério Nababo dAlicerce, ou da fadista Maria Joaquina Dobradiça da Porta Baixa, personagens que ficaram na lembrança dos que viveram os anos 40 e 50 e influenciaram mais de uma geração de comediantes brasileiros. É por isso que alguns costumam dizer que a PRK-30 era o Casseta e Planeta de ontem, quando o certo é dizer o contrário.
    O propósito da pesquisa de Perdigão é justamente revelar para as novas gerações a modernidade, a importância e a arte de vanguarda deste que Renato Murce classificou como o melhor programa de humor que o rádio já transmitiu. A segunda edição do livro é a prova que ele alcançou seu objetivo.
    Lauro Borges, ou Laurentino Borges Sáens, era o grande nome do programa. Além de fazer diversos personagens - mais de 25 -, escrevia todo o script. Descendente de portugueses, vaidoso, com o bigodinho que era marca indispensável na época, Lauro Borges chegou a ser chamado de o Walt Disney do rádio, num rompante do Jornal das Moças. O rádio tem três funções: ensinar, educar e divertir, ele costumava dizer.
    PRK-30:no ar! traz ainda um ensaio de Perdigão sobre o humor no rádio, textos do programa separados por temas, e um apêndice com scripts originais, discografias e filmografias de Lauro Borges e Castro Barbosa. Mas o grande extra da edição são os dois CDs que foram feitos a partir de matrizes de acetato originais preservadas no acervo particular da família de Lauro. Ao todo, são 52 gravações que cobrem o período de fevereiro de 1947 a janeiro de 1959, realizadas ao vivo e em auditórios, com equipamentos da época e seus precários recursos, incluindo reações espontâneas da platéia, como explica o autor. É o tipo de trabalho arqueológico que, se submetido a novas gerações como foi, prova que o humor da PRK-30 não envelheceu. Pelo contrário. São 113 minutos e doze segundos (tempo total dos dois CDs) de uma só e sonora gargalhada.

  • Cocaína, uma discussão corajosa

    [+] Cocaína, uma discussão corajosa

    O Estado de S. Paulo
    Antonio Gonçalves Filho
    20.04.2006

    O Estado de S. Paulo
    Antonio Gonçalves Filho
    20.04.2006

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    Livro organizado pela professora Beatriz Resende reúne textos raros dos anos em que a droga era vendida em farmácias.
    Chico Buarque não está sozinho em sua defesa da descriminalização da maconha. O antropólogo e cientista político Luiz Eduardo Soares, que assina o prefácio do livro Cocaína (Casa da Palavra, 152 págs., R$ 34,90), organizado pela professora Beatriz Resende, diz que a sociedade talvez venha a concluir que "a criminalização é sempre o pior caminho para reduzir os danos do abuso e controlar o consumo de substâncias que proporcionam prazer, mas cobram um preço elevado à saúde e à liberdade". Soares participa, na segunda, às 20h, de um debate com a organizadora do livro, que será lançado na Livraria da Travessa (Rua Visconde de Pirajá, 572, Ipanema, Rio).
    Cocaína é um livro curioso. E corajoso. Reúne autores que experimentaram ou tiveram amigos e conhecidos envolvidos com a droga, de Olavo Bilac a Patrícia Galvão (Pagu), passando por João do Rio, Orestes Barbosa, Lima Barreto e Manuel Bandeira. A organizadora da coletânea, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro que pesquisa o modernismo brasileiro, reuniu no livro textos raríssimos, peças literárias a que poucos tinham acesso.
    O primeiro deles foi escrito em 1894 por Olavo Bilac. Chama-se Haxixe e já começa citando Os Paraísos Artificiais (1860) de Baudelaire, reunião de poemas sobre comedores de ópio que descreve sensações de personagens excitados com o efeito das drogas. O parnasiano Bilac, naturalmente, não era liberal como o poeta francês. Faz o personagem de seu conto concluir que os poderes do ópio estão longe dos encantos prometidos por Baudelaire.
    Contudo, o alerta de Bilac não desestimulou novos usuários. A professora Beatriz Resende observa que, na Primeira República, "o entusiasmo pela modernização vai fazer com que a idéia de decadência de costumes freqüentemente ligada ao ópio e ao haxixe seja substituída pela ambição da euforia encontrada no éter e na cocaína". Vale lembrar que, vendida nas farmácias para minimizar dores até meados dos anos 1930, a cocaína era consumida nos bares, nas pensões e anunciada sem restrições até ter seu consumo proibido por lei, em 1938, reforçando o decreto-lei de 1921 que coibia a venda de substâncias alucinógenas.
    A polêmica em torno da descriminalização começou em 1928, dois anos após a criação, no Rio, de uma delegacia especializada no comércio ilícito de entorpecentes. Uma carta enviada ao governo por farmacêuticos e laboratórios solicitou maior envolvimento oficial no tratamento de usuários e a abolição das penas de prisão. Mas a repressão recrudesceu e só reforçou o uso das drogas. Vivia-se, então, o clima da modernidade e a transgressão era norma para intelectuais.
    A elite cultural queria mostrar-se antenada com o espírito cosmopolita francês, segundo a organizadora do livro. Sobre esse assunto Beatriz Resende selecionou três contos de Benjamin Costallat, escritor popular nos anos 1920, para mostrar que, quanto maior a repressão, tanto maior era a difusão do uso da cocaína e da morfina não só entre artistas e escritores como na música popular.
    A Cocaína, samba (ainda chamado de canção-tango) composto por Sinhô em 1923, é o exemplo de como os músicos populares já tinham consciência dos males provocados pelo consumo da droga. Sua ligação com o submundo do crime e da prostituição seria depois retratada por outro compositor, Orestes Barbosa, na crônica A Favela, escrita justamente no ano da Semana de Arte Moderna, 1922. Em A Favela, o autor de Chão de Estrelas fala de duas cidades numa só: o Rio da alta roda de Botafogo, que toma ópio no beco dos Ferreiros, e da favela, dominada pela nata da malandragem, que já começava a vender droga malhada para os cariocas.
    No mesmo ano da Semana, Coelho Neto escreve (em Vício Novo) a favor da repressão às drogas, argumentando que o álcool, apesar de nocivo, não é tão perigoso como a cocaína, o ópio ou a morfina. Um ano depois da Semana, um de seus idealizadores, Mário de Andrade, vai ao Rio e experimenta a cocaína, revelando ao médico e escritor mineiro Pedro Nava suas impressões sobre a droga, consumida durante o carnaval, época em que se cheirava abertamente o éter, que circulava livremente nos salões. Manuel Bandeira até escreveu um poema sobre ele, em 1925, Não Sei Dançar, incluído na antologia. Na terça-feira gorda, uns tomavam éter, outros cheiravam cocaína, diz Bandeira. Jura o poeta que só tomava alegria, embora não diga se em frasco ou em pó.
    A partir da data em que Bandeira escreveu seu poema, os textos literários, segundo Beatriz Resende, "revelam preocupação sobretudo com os efeitos do ópio e da morfina, ao mesmo tempo em que a perversidade que envolve o comércio da cocaína vendida clandestinamente começa a ficar clara". Sobre isso fala a crônica de Benjamin Costallat, No Bairro da Cocaína (1924), em que ele conta a história da parisiense Gaby, dona de uma pensão na praia da Glória onde os toxicômanos se reuniam e "aspiravam pitadas de pó em companhia de mulheres". Gaby, segundo o autor, seria incapaz de socorrer alguém com fome, mas venderia a última peça de roupa, a última jóia, para alimentar seu vício - e o dos outros. Gaby era a sacerdotisa de uma nova religião, a cocaína, conclui Costallat.
    É o mesmo Costallat que constata, numa outra crônica, o advento de uma outra espécie, os egressos de sanatórios, que jamais assumem ter passado por um deles para se curar da cocaína. "A sociedade não se vexa com seus vícios, vexa-se com a divulgação do seu tratamento", escreve, encerrando a peça literária com a história de uma linda garota pervertida pelo companheiro cocainômano e internada num manicômio. Infelizmente, para sempre. Desnecessário lembrar que esse é também o destino de muitos alcoólatras. A escolha arbitrária entre as drogas que são proibidas e as que são toleradas, segundo o antropólogo Luiz Eduardo Soares, "explica porque convivemos com as tragédias provocadas pelo alcoolismo e o tabagismo sem que ninguém ouse postular a criminalização do consumo".

  • Quer cocaína? Vá à farmácia

    [+] Quer cocaína? Vá à farmácia

    Revista de História da BN
    20.04.2006

    Revista de História da BN
    20.04.2006

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    Livro reúne textos da época em que a droga era comercializada livremente

    Na década de 1930, quem quisesse cheirar cocaína não precisaria subir os morros para comprar, era só ir à farmácia mais próxima. Isso mesmo: a droga era consumida em bares, pensões e bailes de Carnaval sem nenhuma repressão.
    Cheirar, à época, era uma forma de estar ligado aos hábitos cosmopolitas da França. A história só começaria a mudar em 1938, quando a cocaína teve o uso proibido por um decreto-lei.
    Beatriz Resende, professora da UFRJ especializada no modernismo, acaba de organizar uma coletânea intitulada Cocaína (Casa da Palavra, 152 pp., R$ 34,90), em que reúne textos de autores que tiveram alguma relação com a droga no começo do século XX. O livro tem prefácio do antropólogo Luiz Eduardo Soares e escritos de intelectuais como Olavo Bilac, João do Rio, Lima Barreto e Manuel Bandeira.