• RSS

Notícias

  • Passando a limpo os mitos sobre a gravidez

    [+] Passando a limpo os mitos sobre a gravidez

    O Dia
    28.04.2010


    O Dia
    28.04.2010

    enviar para um amigo

    Mulheres grávidas ouvem coisas estranhas. Enquanto a barriga cresce, e mesmo apos o nascimento, os palpites e recomendações vêm de toda parte. E o que pode pensar a mãe quando alguém lhe diz, com a cara mais séria do mundo, que o desconforto estomacal que ela sente significa que a criança vai nascer cabeluda?
    Enquanto curtia a gravidez, a jornalista Ana Paula Brasil passou a anotar tudo que ouvia, de superstições a supostas verdades salvadoras, levou a história do pediatra Ricardo Lopes Pontes e ambos escreveram um livro indispensável às mamães: “Barriga redonda, barriga pontuda” (Casa da Palavra, 104 páginas). Com prefácio de Fátima Bernardes, mãe “graduada” de trigêmeos, o livro será lançado hoje, na Livraria da Travessa do Shopping Leblon.
    “Um dia, durante a consulta, comecei a contar ao Ricardo as coisas que ouvia, algumas vezes para tirar dúvidas, e ele começou a lembrar de muitas histórias”, conta Ana Paula, companheira de redação de Fátima, cujos filhos, 12 anos apos a gravidez pública da apresentadora do “Jornal Nacional”, ainda estão sob os cuidados do pediatra Ricardo Lopes.
    “Ouvi coisas como a necessidade de dar presentes brancos aos bebês, para os dentes nascerem saudáveis. E outras, mais sérias, como a ideia de que beber água durante a amamentação faz mal à criança. É o contrário da verdade”, diz a autora. E Ricardo completa: “O livro é divertido, alegre, uma leitura para relaxar. Mas também um apio para as mães terem a noção do que é verdadeiro”.
    Dividido em tópicos, o livro relaciona as “teorias” e discorre sobre elas, explicando por que são falsas ou verdadeiras.

     

     

  • O incrível mundo do azeite

    [+] O incrível mundo do azeite

    Jornal do Brasil - Revista de Domingo
    André Duchiade
    25.04.2010


    Jornal do Brasil - Revista de Domingo
    André Duchiade
    25.04.2010

    enviar para um amigo

    Quem gosta de gastronomia e turismo deve separar logo um lugar na estante e outro confortável na poltrona para degustar Um fio de azeite – No cenário da Úmbria e da Toscana, novo livro em que a escritora e especialista em condimentos Rosa Nepomuceno conta sua mais recente viagem pelas duas regiões italianas atrás do ciclo de produção do óleo de azeitona. Lançada no fim do ano passado por uma parceria das editoras Casa da Palavra e Senac Rio, a obra é uma mistura de um diário de viagem com descrições de todas as etapas do processo de produção do azeite, com linguagem fácil e agradável. Para quem acha que tais etapas são simples, Rosa explica na quarta capa do livro: “Elaborar um azeite é mais que uma arte; é um ofício bíblico, um ritual religioso repetido por uma cadeia de gerações. E deve ser cumprido com fé e dedicação, no tempo certo, para que plantio, colheita e moagem das azeitonas resultem nesse óleo maravilhoso”.
    E foi também com dedicação que Rosa se dedicou ao tour, realizado em 2008, ao lado do amigo e chef Marcelo Scofano. Ao longo de 15 dias, a dupla percorreu cidadezinhas da região central da Itália, indo a quatro produtoras de azeite — de uma minúscula, comandada por monges, a outras multinacionais com máquinas ultramodernas. Aproveitou, é claro, para conhecer feiras, restaurantes e se hospedar em ótimos hotéis.
    A relação entre Rosa, a boa mesa e a Itália vem de longa data. Nascida em Botucatu, interior de São Paulo, aprendeu em casa o quanto vale uma boa refeição, e com a vizinhança o quanto vale uma à italiana. “Minha família não é italiana, mas sempre convivi em ambientes ligados a boa gastronomia. Meu pai cozinhava, meu avô preparava comidas tropeiras”, lembra. “E com aquela região tem uma presença italiana muito forte, acabei tendo uma influência muito grande dessa cultura”.
    Há cerca de 12 anos, apos se envolver com medicina chinesa, começou a estudar a importância e os diferentes usos de ervas. A pesquisa a levaria a começar a criar temperos para uso próprio e logo chegariam pedidos para que os preparados especiais para carnes e aves também fossem postos à venda. Daí para passar a estudar todo tipo de condimento foi um pulo. “Como diz Luís da Câmara Cascudo, condimento é tudo o que perfuma os alimentos. Ervas, flores, raízes, pauzinhos... E óleos. Não tinha ninguém especializado em gastronomia de condimentos na época, isso me abriu muitas portas”, ela garante.
    Em 2002, a editora José Olympio a convidou para escrever um livro sobre especiarias, que saiu com o título de Viagem ao fabuloso mundo das especiarias e hoje já está na sexta edição. Convites para palestras e cursos começaram a chegar com freqüência, ela ganhou uma coluna sobre condimentos em uma revista de gastronomia, escreveu outros dois livros ligados a especiarias e se tornou consultora de condimentos e azeites numa rede de supermercados carioca.
    Ela achou graça quando começou a perceber, nos lugares mais inesperados, a curiosidade das pessoas em relação ao azeite. “Como no mercado eu experimentava muitas marcas, as pessoas começaram a me pedir dicas. Isso acontecia com a gerente do banco, por exemplo. Às vezes até minha psicanalista passava 10 minutos de uma sessão só discutindo azeites!”, espanta-se.

    Qualidade e não quantidade

    Daí veio o interesse em se aprofundar no assunto. A escolha pela Itália se deveu à antiga paixão e também por motivos práticos. Embora o país fique atrás da Espanha no ranking dos maiores produtores do óleo da azeitona, os produtores se espalham por todo o seu território, ao contrário da nação ibérica, onde a maior parte fica concentrada na Andaluzia. Alem disso, Rosa não acha que quantidade compense qualidade. “A Espanha é o maior produtor, mas isso não quer dizer que o país tenha azeites melhores que a Itália, que tem uma incrível diversidade. Não fui atrás de quantidade, mas sim do azeite e de seu cenário”.
    As regiões foram escolhidas justamente pelas diferenças entre elas. “A Úmbria é o coração da Itália. Fica longe do litoral, no meio de um vale, tem um clima sombrio. Ao mesmo tempo, tem uma imensa variedade de iguarias como aspargos, cogumelos e embutidos”, lista. Já a Toscana é o oposto disso. “Além de ser a capital gastronômica da Itália, cheia de grelhados e tomates, a região é muito solar, cheia de feiras e de vida. Lembro-me que um dia estava andando em uma cidadezinha no litoral, com muitas casinhas pequenas e, de repente, me perguntei: ‘Onde estou? Em Ilhéus?’”, diverte-se.
    A viagem aconteceu no início de setembro, época do outono, imediatamente antes de começar a colheita das olivas. Rosa e o companheiro de viagem, Marcelo, se conheceram no Tai Chi Chuan, quando ele ainda era comissário de bordo. Hoje ele dirige a primeira escola de gastronomia da Zona Norte carioca, a Estilo Gourmet, no Grajaú, e deve muito disso à Rosa, que o incentivou a seguir o curso de chefs.

    Da produção artesanal à moderna

    A viagem teve duas bases. Primeiro Rosa e Marcelo ficaram hospedados no hotel rural Locanda Delle Noci, numa cidadezinha chamada Marsciano, perto de Perugia. A bordo de um automóvel Lancia prateado, conheceram três produtores de azeite na Úmbria. Começaram pelo processo mais antigo, numa pequena vila medieval chamada Monte Vibiano. A produtora, chamada Santo Apolinário, produz para atender as freguesias de Mercatello e Marsciano. A produção acontece num castelo comandado por mãe e duas filhas — família Bambini — e é tudo muito artesanal. “O moinho tem mais de 600 anos e fica localizado num burgo. Parece um castelo mal-assombrado”, lembra Rosa.
    De lá, foram para o feudo vizinho, onde está a olivícola Castello Monte Vibiano Vechio, tratava-se de uma produção mais moderna, tocada por jovens empreendedores que assumiram o negocio dos pais e adotaram técnicas com alta tecnologia. “Eles tinham uma mentalidade mais internacional, eram poliglotas. Um deles, inclusive, arranhava um pouco de português, que tinha aprendido com uma namorada poliglota”. O perfil da empresa é semelhante ao de outras vinícolas européias, que vêm renovando a produção de azeites com uma produção limitada.
    Faltavam ainda duas visitas, uma na Úmbria e uma na Toscana, as duas gigantes da exportação de azeite. Na Úmbria foram à Costa D’Oro, que tem produtos que podem até ser encontrados no Brasil. Na Toscana, foram até Salov, que produz o azeite Filippo Berio, o mais consumido dos Estados Unidos. O volume de produção nos dois lugares é altíssimo e em ambos impressiona o tamanho de tanques, variedade dos rótulos e extensão das fábricas.
    Na Toscana, onde ficou hospedada em Lucca (Como explicar Lucca? Lucca é linda, linda, linda”, exalta Rosa), também aproveitaram para visitar muitas feiras, Florença (que está “lotada de turistas, insuportável”, segundo a autora) e comer muito bem. O estabelecimento lembrado com mais carinho é a Buca di Sant’Antonio, em funcionamento desde 1782 em Lucca, com pratos tradicionais e que já recebeu nomes como o escritor Ezra Pound, o cineasta Luchino Visconti e a princesa Margareth, da Inglaterra.
    Pouco depois, Rosa voltaria ao Brasil. A bagagem lotada de ervas e azeites, montada com a ajuda da experiência de comissário de vôo de Marcelo, foi um consolo. Descrevendo no livro como foi ao abrir a bagagem em casa, Rosa parece sonhar. “Soltaram-se os aromas de tudo o que eu havia experimentado e apreciado nesses dias de aventura dos sentidos e do conhecimento (...). Heranças singelas de dias especiais”.

     

     

  • [+] Comer bem: Um fio de Azeite, de Rosa Nepomuceno

    Blog Deixa sair
    Sônia Hirsch
    17.04.2010

    Blog Deixa sair
    Sônia Hirsch
    17.04.2010

    enviar para um amigo

    A moça da foto é a jornalista Rosa Nepomuceno, expert em ervas e especiarias e, modéstia à parte, minha amiga da vida inteira, que acaba de lançar o livro Um fio de azeite (Casa da Palavra/Senac) - e não é por outra razão que aparece acariciando folhas de oliveira na região da Toscana, Itália.

    Rosinha fez uma viagem para fazer o livro, olha só que maravilha. Saiu com o amigo e chef Marcelo Scofano fuçando, anotando, fotografando, comendo e depois organizou tudo num trabalho que se lê babando.

    Só para vocês terem uma ideia: "O mundo do azeite tem vocabulário próprio, bastante rico. Diz-se que um óleo é frutado suave, médio ou intenso, adocicado, amendoado, amargo, picante, fresco, maduro, rústico, elegante, delicado, leve, harmonioso,equilibrado, desequilibrado, robusto, espesso, fino. Associam-se aromas e sabores não apenas ao das azeitonas, mas também às percepções 'de fundo', que os italianos chamam de retrogusto - a ervas, folhas secas ou mato recém-cortado (diz-se 'herbáceo'), a flores ('floral'), vegetais (tomate, alcachofra), frutas (maçã verde ou outra fruta madura, até mesmo banana ou frutos secos, como amêndoas e avelãs)."

    Faz lembrar a minúcia sensorial da degustação de vinhos e tem até copinho próprio para degustar. Mas, ao contrário dos vinhos, azeite bom é azeite novo. E aí se esclarece um ponto sempre nebuloso para nós, leigos: a acidez do azeite aumenta com a passagem do tempo. O ideal é consumi-lo num prazo de dois anos. Assim, aquela garrafinha linda e caríssima com azeite extravirgem de acidez 0,1% que você está guardando há tempos no armário já pode estar com muito mais acidez do que um azeite vagaba ali da esquina.

    Outro ponto que Rosa esclarece muito bem: azeite pode perfeitamente ser aquecido até a temperatura de 180oC sem perder suas qualidades. Acima disso faz fumaça, e qualquer gordura que faça fumaça já dançou, é jogar fora e começar de novo. Ela diz que os extravirgens são bem adaptáveis às altas temperaturas, "por sua resistência, estabilidade química e alto conteúdo de antioxidantes, mas para as frituras pode-se utilizar o sansa". Sansa, explica, é a palavra italiana para definir a massa formada por caroços e peles das azeitonas e resíduos do óleo (de 3 a 6%) que ficam nas mós (de pedra) ou máquinas de prensagem; após um duplo refino o óleo é misturado com azeite virgem e apresenta, nesse momento, acidez de 0,5%.

    Recomendações importantes, entre muitas outras: na hora da compra, escolha o azeite mais jovem e dê preferência aos que são engarrafados na origem, em vidro escuro.

    Um livro para ler degustando e presentear como se presenteia um bom azeite. De quebra, uma epígrafe que não posso deixar de copiar aqui: "O êxito não depende da sorte, depende da escolha feita. O êxito é um caminho, não um destino."

     

     

  • Comer bem: Um fio de Azeite, de Rosa Nepomuceno

    [+] Comer bem: Um fio de Azeite, de Rosa Nepomuceno

    Blog Deixa sair
    Sônia Hirsch
    17.04.2010

    Blog Deixa sair
    Sônia Hirsch
    17.04.2010

    enviar para um amigo

    A moça da foto é a jornalista Rosa Nepomuceno, expert em ervas e especiarias e, modéstia à parte, minha amiga da vida inteira, que acaba de lançar o livro Um fio de azeite (Casa da Palavra/Senac) - e não é por outra razão que aparece acariciando folhas de oliveira na região da Toscana, Itália.
     
    Rosinha fez uma viagem para fazer o livro, olha só que maravilha. Saiu com o amigo e chef Marcelo Scofano fuçando, anotando, fotografando, comendo e depois organizou tudo num trabalho que se lê babando. 
     
    Só para vocês terem uma ideia: "O mundo do azeite tem vocabulário próprio, bastante rico. Diz-se que um óleo é frutado suave, médio ou intenso, adocicado, amendoado, amargo, picante, fresco, maduro, rústico, elegante, delicado, leve, harmonioso,equilibrado, desequilibrado, robusto, espesso, fino. Associam-se aromas e sabores não apenas ao das azeitonas, mas também às percepções 'de fundo', que os italianos chamam de retrogusto - a ervas, folhas secas ou mato recém-cortado (diz-se 'herbáceo'), a flores ('floral'), vegetais (tomate, alcachofra), frutas (maçã verde ou outra fruta madura, até mesmo banana ou frutos secos, como amêndoas e avelãs)."
     
    Faz lembrar a minúcia sensorial da degustação de vinhos e tem até copinho próprio para degustar. Mas, ao contrário dos vinhos, azeite bom é azeite novo. E aí se esclarece um ponto sempre nebuloso para nós, leigos: a acidez do azeite aumenta com a passagem do tempo. O ideal é consumi-lo num prazo de dois anos. Assim, aquela garrafinha linda e caríssima com azeite extravirgem de acidez 0,1% que você está guardando há tempos no armário já pode estar com muito mais acidez do que um azeite vagaba ali da esquina.
     
    Outro ponto que Rosa esclarece muito bem: azeite pode perfeitamente ser aquecido até a temperatura de 180oC sem perder suas qualidades. Acima disso faz fumaça, e qualquer gordura que faça fumaça já dançou, é jogar fora e começar de novo. Ela diz que os extravirgens são bem adaptáveis às altas temperaturas, "por sua resistência, estabilidade química e alto conteúdo de antioxidantes, mas para as frituras pode-se utilizar o sansa". Sansa, explica, é a palavra italiana para definir a massa formada por caroços e peles das azeitonas e resíduos do óleo (de 3 a 6%) que ficam nas mós (de pedra) ou máquinas de prensagem; após um duplo refino o óleo é misturado com azeite virgem e apresenta, nesse momento, acidez de 0,5%.
     
    Recomendações importantes, entre muitas outras: na hora da compra, escolha o azeite mais jovem e dê preferência aos que são engarrafados na origem, em vidro escuro.
     
    Um livro para ler degustando e presentear como se presenteia um bom azeite. De quebra, uma epígrafe que não posso deixar de copiar aqui: "O êxito não depende da sorte, depende da escolha feita. O êxito é um caminho, não um destino."

  • A bela cantada

    [+] A bela cantada

    Carta Capital
    Carlos Leonam e Ana Maria Badaró
    01.03.2010


    Carta Capital
    Carlos Leonam e Ana Maria Badaró
    01.03.2010

    enviar para um amigo

    "O Rio é uma das cidades mais cantadas do planeta. Talvez, perca somente para Paris. O misticismo da capital francesa também fez sucumbir compositores brasileiros, mas não sem clara ironia: – "Paris, Paris je t’aime/, mas eu gosto mais do Leme". A rima impagável é do carioca Alberto Ribeiro e do mineiro Alcir Pires Vermelho.

    Essa é uma das curiosidades de Canções do Rio (Casa da Palavra, 134 págs., R$ 37), livro coordenado pelo jornalista e escritor Marcelo Moutinho. A obra oferece cinco verdadeiras aulas de geo-política musical carioca. A leitura é tão prazerosa como ligar uma vitrola e, com um vinil caindo sobre o outro, deixar tocar o que há de melhor. Em hi-fi.

    A história da moderna música brasileira começa no início do século XX. Até então, fazia-se música no Rio, mas não sobre o Rio, seus bairros, morros, favelas, praias e sua gente. Como inspiradora, a cidade encontra registros nos primórdios dos anos 1900, seguida da chamada "era de ouro", das marchinhas, samba, bossa nova, pop, funk e rap.

    Herivelto Martins, Benedito Lacerda, João de Barro, Paulo da Portela, Tom Jobim, Moacyr Luz, Paulo Cesar Pinheiro, Chico Buarque, Tim Maia, Claudinho e Buchecha e Marcelo D2 são, em diferentes tempos e gêneros, alguns dos trovadores das belezas e mazelas da cidade. Ordenados cronologicamente, os ensaios são de João Máximo, Sérgio Cabral, Nei Lopes, Ruy Castro, Hugo Suckman e Silvio Essinger.

    Ao fim da leitura de cada módulo é difícil desligar a vitrola na nossa cabeça. E passamos o dia, senão vários dias, sob o domínio de canções que viraram instituições nacionais e internacionais. E descobre-se que André Filho tomou emprestado do poeta maranhense Coelho Neto a expressão "cidade maravilhosa" para compor aquela que de tanto ser a cara do Rio foi eleita seu hino oficial.

    Mas, dentre tantas, que música tem a cara do Rio? Por mais referências à cidade nas obras que entraram para a história da MPB cada um pode fazer a sua listinha interminável. Como os perfumes e os sabores, a música reconstrói lugares, devolve momentos e ressuscita pessoas, principalmente se morreram – de uma forma ou de outra. Tem gente que adora dizer "fulano morreu para mim." Pois sim. Está vivinho só que não dá a menor bola para quem anuncia o defunto.

    Esses solavancos n’alma causados pela música ocorrem quase sempre à revelia. A pessoa não tem querer. Já entrou num táxi e escutou no rádio uma música que deposita o passado no presente, ali na sua frente? E sobre o asfalto quente da cidade em pleno meio-dia de um verão à 2010 começa uma dança perturbadora. Putz! Desliga isso, motorista. Ou aumenta isso, meu caro, e silêncio, por favor.

    Um beijo bom de sol
    O tema é a música e a cidade. Pois nenhum grupo cantou tanto o Rio como Os Cariocas chamando pelo nome a musa ou lhe rendendo honras com notas de sol e de mar. Criado em 1946, o grupo, sempre aberto às tendências musicais, foi um dos principais intérpretes da bossa nova e nos anos 60 era certeza de sucesso, gravando Tom, Baden, Carlos Lyra, Menescal e os irmãos Valle, entre outros tops da MPB.

    Os Cariocas, liderados pelo talento de Severino Filho, remanescente da formação original, voltam com um novo álbum neste fevereiro mais que solar. Nossa Alma Canta, clara alusão a Samba do Avião, de Tom Jobim, traz 15 faixas clássicas, jamais gravadas pelo hoje quarteto completado por Hernane Castro, Neil Teixeira e Elói Vicente. Destaque para E nada Mais, do saudoso Durval Ferreira e Lula Freire, e Estrada do Sol, de Tom e Dolores Duran. Neste CD, Os Cariocas ainda sacramentaram as visitas de João Donato, Milton Nascimento, Eumir Deodato e Roberto Menescal. "

     

     

  • Maravilhosa e inspiradora de composições

    [+] Maravilhosa e inspiradora de composições

    Veja Rio
    Livia de Almeida
    02.02.2010

    Veja Rio
    Livia de Almeida
    02.02.2010

    enviar para um amigo

    No livro Canções do Rio, os jornalistas Sérgio Cabral, Ruy Castro, João Máximo, Silvio Essinger e Hugo Sukman, mais o compositor Nei Lopes, fazem um apanhado da produção carioca. Quatro deles destacam a musica emblemática do tema que abordam na obra.

    Nei Lopes (samba) — No fundo do Rio, de Nei Lopes e Guinga
    “Ela foi feita com um misto de paixão e bronca. Moro há dez anos em Seopédica e de lá vejo o Rio com olhos mais realistas. É uma cidade bonitinha e má, que joga suas mazelas para a periferia.”

    Hugo Sukman (MPB dos anos 60 aos 90) — Tiro de misericórdia, de João Bosco e Aldir Blanc
    “É uma canção pioneira. Ainda em 1977, quando ninguém falava disso, Aldir conta de forma brutal a história de um personagem carioca que seria tristemente banalizado nos anos seguintes: o menino soldado do tráfico.”

    Sérgio Cabral (marchinhas) — Touradas de Madri, de João de Barro e Alberto Ribeiro
    “Tomei conhecimento dessa musica no Maracanã, durante a goleada do Brasil sobre a Espanha na Copa de 1950. Ela chegou aos meus ouvidos primeiramente como um murmúrio e, em poucos minutos, era cantada por uma multidão de 200.000.”

    Silvio Essinger (rap, rock e funk) — Eu sou o Rio, do Black Future
    “Uns malucos que batiam ponto na boate Crepúsculo de Cubatão resolveram faze um samba-exaltação. Deu no samba-punk Eu sou o Rio, um passo adiante na Copacabana Blade Runner do Fausto Fawcett.”

  • Nos campos do azeite

    [+] Nos campos do azeite

    Revista Gosto
    Luiz Carlos Zanoni
    01.02.2010

    Revista Gosto
    Luiz Carlos Zanoni
    01.02.2010

    enviar para um amigo

    Os 350 quilômetros ente Roma e a cidade de Viareggio, às margens do Mediterrâneo, cruzam dois paraísos dos amantes da boa mesa, a Úmbria e a Toscana. Rosa Nepomuceno saboreou sem pressa esse roteiro, com o olhar especialmente atento às plantações que proporcionam um dos ingredientes mais valorizados pela culinária contemporânea. Um fio de azeite (Editoras Casa da Palavra e Senac Rio, 2009) é uma incursão por olivais e velhos moinhos em que as centenárias pedras de granito usadas para macerar as azeitonas são quase objetos de devoção. O leitor visita produtores artesanais, provando os azeites que fazem e conhecendo os porquês dos diferentes aromas e paladares. E outras lições são dadas em passagens por feiras, mercados, trattorias e cozinhas de casas de família. Rosa Nepomuceno, que além de especialista em condimentos é também jornalista, detalha as diferentes classes de azeites e ensina como avaliá-las. O chef Marcelo Scofano completa a obra com receitas de pratos tradicionais da Toscana e Úmbria, todos regiamente regados com os bons azeites regionais.

  • Cantos que só eu sei

    [+] Cantos que só eu sei

    TAM nas nuvens
    01.02.2010

    TAM nas nuvens
    01.02.2010

    enviar para um amigo

    Original do Brás, por Guilherme Studart
    “Tenho um dos hobbies mais deliciosos do mundo. A mais de uma década, percorro os bares e botequins do Rio para degustar petiscos. Curto botequins badalados como o Bracarense, do Leblon, mas uma das maiores revelações dos últimos anos para mim é o Original do Brás (Rua Guaporé, 680, 21/3866-1313), quase escondido no bairro de Brás de Pina, na Zona Norte carioca. Já elegi a empada de camarão de lá como a melhor da cidade. Gosto de ir nos sábados à tarde, sem hora para sair. Os donos, o José Carlos e a Zilma, recebem como ninguém, transformando o bar num lugar de onde não dá vontade de ir embora”

    O economista carioca Guilherme Studart assina, há cerca de cinco anos, o Guia Rio Botequim. A edição lançada em dezembro passado conta com uma seleção de 200 botequins avaliados com cotações e comentários.

  • Um retrato cantado e fiel do Rio

    [+] Um retrato cantado e fiel do Rio

    O Estado de S. Paulo
    Lucas Nobile
    30.01.2010

    O Estado de S. Paulo
    Lucas Nobile
    30.01.2010

    enviar para um amigo

    Imagine você que um sujeito tem a ideia de contar a história de uma cidade por meio de letras de músicas e, para isso, decide convocar craques para fazê-lo. Foi o que Marcelo Moutinho fez ao convidar verdadeiros "camisas 10" a escreverem sobre o Rio de Janeiro. Para organizar Canções do Rio - A Cidade em Letra e Música (Ed. Casa da Palavra, 136 págs., R$ 37), o jornalista pediu que João Máximo, Sérgio Cabral, Nei Lopes, Ruy Castro, Hugo Sukman e Silvio Essinger lhe enviassem textos inéditos sobre gêneros que cantaram a ex-capital federal.

    Confiando que as músicas que há tempos falaram em seus versos sobre o Rio de Janeiro têm o poder de traçar um retrato histórico fiel da cidade, Moutinho sempre demonstrou preocupação de que seu livro transmitisse isso ao leitor de uma forma muito mais leve do que acadêmica. Objetivo integralmente alcançado. Com um time desse de escritores, a leitura flui de nem ver o tempo passar. "Essa é a diferença da ciência, que cabe ao historiador, para a arte, representada pela música. É o mesmo poder da literatura de construir e refletir a imagem de um local. Até o nome Cidade Maravilhosa surgiu de uma música. Os textos de João do Rio e Lima Barreto eram verdadeiras crônicas da cidade. Não é à toa que Noel Rosa e João do Rio serão homenageados neste ano pela Vila Isabel e pelo Império Serrano", diz Moutinho.

    Ao longo do ano passado, cada autor cuidou do estilo musical com o qual tem maior envolvimento. Sendo assim, o livro tem sua abertura transformada em um verdadeiro mergulho histórico, encampado pelo conhecimento do jornalista João Máximo sobre os primórdios da música popular no País seguindo até a Era de Ouro. Assim como se faz em todo o livro, o capítulo inicial serve para apresentar verdades históricas e desbancar uma infinidade de mitos. Em seu texto, o jornalista lembra que, antes de ser cantado, o Rio de Janeiro era homenageado por músicas tocadas sem versos. "A maioria não tinha verso, como o choro Na Glória. Com a letra, o retrato da cidade acabou ficando mais objetivo", conta Marcelo Moutinho. João Máximo cita uma infinidade de canções de compositores declaratórias ao Rio, como Noel Rosa que, ao contrário do que se pensa, cantou muito mais a Penha do que a sua Vila Isabel. Também sobram exemplos saborosos de Geraldo Pereira, Moreira da Silva e Herivelto Martins, abusando do cenário da Praça Onze, e Wilson Batista e Benedito Lacerda, entoando a Lapa.

    O mesmo voo panorâmico sobre canções que falaram do Rio se dá com outros gêneros e seus respectivos especialistas. Contando com belíssimo trabalho de produção, com fotos históricas e montagens de capas de discos ilustradas com os nomes dos autores como se eles fossem os artistas, Sérgio Cabral analisa as marchinhas cariocas desde os tempos de Chiquinha Gonzaga com sua Ó Abre Alas, do cordão Rosas de Ouro.

    Da mesma maneira, o samba é destrinchado pelo compositor e pesquisador Nei Lopes. A bossa nova é interpretada por Ruy Castro, desvendando pela enésima vez mitos acerca do gênero, como a tremenda balela de que ela teria sido criada por jovens no apartamento de Nara Leão. Um texto com tom de ironia, com trechos como: "Talvez por isso as pessoas vivam querendo saber: "Mas afinal, quando começou a bossa nova?" Ninguém pergunta isso sobre o maxixe, o xaxado ou o chachachá. Da bossa nova, no entanto, exige-se o dia e a hora exatos do seu nascimento, com certidão passada em cartório." A canção moderna é estudada por Hugo Sukman, com direito a uma ponte entre os sentidos da palavra "arrastão": da composição antológica de Vinicius de Moraes e Edu Lobo aos saques nas praias. E, por fim, rock, rap e funk ganham texto de Silvio Essinger, com letras de Fausto Fawcett, Marcelo D2 e MV Bill.

    "Não há dúvidas de que o Rio foi a cidade mais cantada do País. Fazer um livro deste sobre São Paulo seria tão rico quanto, mas seria diferente", diz Moutinho.

  • Música, cerveja gelada e Carnaval: três livros com o melhor do Rio de Janeiro

    [+] Música, cerveja gelada e Carnaval: três livros com o melhor do Rio de Janeiro

    Portal Uai
    Luisa Brasil
    28.01.2010

    Portal Uai
    Luisa Brasil
    28.01.2010

    enviar para um amigo

    No Carnaval, não há cidade que fique mais em evidência no Brasil - e no mundo - do que o Rio de Janeiro. Não por acaso, a cidade é o palco de três livros lançados recentemente, cada um abordando temas que muito agradam os cariocas: o Carnaval, a música e os botequins.

    Em Sambas de enredo - história e arte, lançado neste mês pela editora Civilização Brasileira, os autores Alberto Mussa e Luiz Antonio Simas destrincham o gênero que começou a se popularizar na década de 30 e se tornou um dos símbolos máximos do carnaval brasileiro por volta da década de 60.

     

    Por meio de histórias e curiosidades, Mussa e Simas fazem uma viagem pelo gênero que já prestou homenagens a diversas personalidades brasileiras (entre elas, Santos Dumont foi o mais homenageado até hoje, ressalta Mussa) e às belezas e tradições do país. Infelizmente, após a conclusão da jornada, Mussa não vê um futuro muito otimista para o gênero, que caiu num empobrecimento temático e lírico nas últimas duas décadas:


    "O samba de enredo passa uma certa crise que tem a ver com vários fatores. Os enredos têm ficado muito parecidos em função da perda de qualidade. Este sempre foi um gênero épico e ele nao tem tido mais esse cárater, deixando de representar seu assunto fundamental. O desfile de escola de samba sempre foi coisa séria, nao é lugar para a pessoa pular, sacudir, como as letras de samba ficam estimulando hoje. Outro motivo é a perda de importância do samba enredo dentro dos quesitos para julgar a escola campeã", explica Mussa.



    O escritor relembra que os temas épicos começaram quando, durante a 2ª Guerra, as escolas de samba eram obrigadas a falar sobre o Brasil. O clima de exaltação permaneceu mesmo com o fim da Guerra, e a partir daí, sambistas correram aos livros didáticos para encontrar fontes de inspiração pra seus sambas.

    ''Quando a Guerra acabou, as escolas de samba haviam crescido, e como nessa época não existiam os carnavalescos, o pessoal das escolas de samba ia aos livros escolares para buscar os temas, então era Castro Alves, Santos Dumont, Tiradentes. Eram esses vultos da história oficial do Brasil.''

    No final da década de 50, surgiram enredos mais emocionais que se relacionavam menos com a história oficial e se aproximavam dos movimentos populares. Temas que exaltavam o negro e o folclore brasileiro, manifestações populares de todo o Berasil ganharam espaço. É a época onde o samba épico atinge seu auge. É a partir da década de 90 que Mussa identifica o esgotamento e o empobrecimento do gênero que desembocaram no cenário pouco animador de hoje em dia:

    "Os carnavalescos começaram a a buscar enredos abstratos, sobre microcosmos, energia, sol, mar. Só que isso não está rendendo bons frutos, porque o samba enredo foi estruturado para a temática épica'', afirma Mussa, que faz um apelo por uma mudança na forma como o samba enredo é produzido e julgado hoje em dia, sob risco de o gênero cair em ostracismo.


    Em um tom mais animador, outro autor que lança um olhar sobre a música é Marcelo Moutinho, organizador do livro Canções do Rio - a cidade em letra e música, publicado também neste mês pela editora Casa da Palavra. O livro faz um retrospecto de como o Rio de Janeiro foi fonte de inspiração para compositores brasileiros de diferentes gêneros e épocas, do final do século XIX até os dias atuais.

    Para montar esse mosaico, Marcelo Moutinho contou com especialistas na área, que escreveram artigos sobre cada gênero. João Máximo escreveu sobre as primeiras manifestações musicais envolvendo o Rio, ainda no fim do século XIX, até a Era de Ouro do Rádio. Sérgio Cabral cuidou das marchinhas, Nei Lopes do Samba, Ruy Castro da Bossa Nova,  Hugo Sukman da Canção Moderna e Silvio Essinger do rock, rap e funk. Pelos cinco cinco capítulos, é possível ir além do Rio ''cidade maravilhosa'', eternizado nas marchinhas de Carnaval e do Rio ''garota de Ipanema'' cantado pelos mestres da Bossa Nova e repetido à exaustão até hoje:

    ''O cronista Marques Rebello tinha uma frase que dizia que o Rio de Janeiro é uma cidade com muitas cidades dentro, porque cada bairro tem uma personalidade muito própria e eu acredito que isso fica muito claro na música'', afirma Marcelo Moutinho.


    Foi dentro destes vários ''Rios de Janeiro'' que os compositores brasileiros acharam inspiração para criar um vasto repertório que perpassa diferentes gêneros e olhares.


    Mais do que as praias, belas moçoilas e paisagens deslumbrantes, o Rio dos compositores brasileiros é uma cidade permeada por conflitos e paradoxos que unem esses olhares que podem parecer tão distantes. Pois se hoje dizem que o funk é a voz da periferia carioca, o mesmo já poderia se dizer das marchinhas, no início do século XX:


    "Na própria marchinha, que é pré-Bossa Nova, você tinha muito essa crônica crítica da cidade. Algumas falando 'de dia falta água, de noite falta luz', mas tratando o problema de forma jocosa. No encontro da MPB com o samba, que acontece no Zicartola, quando Zé Keti se aproxima da Nara, já havia um discurso muito crítico, mas que não era totalmente protagonizado por pessoas advindas dessas regiões mais pobres. Isso acontece com a popularização do funk'', afirma Moutinho.

     

    Independentemente do tom de exaltação, sátirico ou de prosa dado pelos compositores, a história do Rio cantado acaba sendo pretexto para o leitor passear pelos principais gêneros musicais popularizados no Brasil contemporâneo. 

     

    reproducao internet / ww.americanas.com
     



    Rio Botequim 2010

    Samba-enredo, Bossa Nova, Marchinhas... para acompanhar uma boa música, nada melhor do que uma boa cerveja, e bem gelada. Para completar a visita ao Rio de Janeiro (e à livraria), recomenda-se ainda o Rio Botequim 2010, guia de bares, botecos e botequins que chega em sua oitava edição como uma boa referência para os amantes da cerveja gelada e da descontração dos botequins cariocas.

     

    Este ano, a principal novidade do Guia é que os melhores bares ganharam cotações, medidas de uma a três estrelas. Chegar no topo é difícil. Dos cerca de 200 bares avaliados, somente nove receberam a nota máxima de três estrelas. Apesar de englobar bares de todos os bairros da cidade, os mas bem avaliados se concentram na região Sul da cidade.


    Para avaliar cada bar, os critérios usados são a comida, a higiene, a bebida, o atendimento e o ambiente, bem ao estilo do nosso mineiríssimo Comida di Buteco.

    Os bares são separados por bairros e classificados em nove categorias: pé-sujo, pé-limpo, tradicional, adega, informal, popular, bar e armazém e mercearia. Apesar de vir em edição bilingue, em português e inglês, o Guia não é indicado somente para turistas. 

     

    Serviço

     

    Rio Botequim 2010

    Guilherme Studart

    Editora Casa da Palavra

    R$ 43,00 (preço sugerido)

     

    Sambas de enredo - história e arte

    Alberto Mussa e Luiz Antonio Simas

    Editora Civilização Brasileira

     

    Canções do Rio - a cidade em letra e música

    Eduardo Moutinho (org.)

    Editora Casa da Palavra

    R$37,00