Notícias
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[+] Lançamento Nietzsche - filósofo da suspeita
O Globo – Prosa & Verso
03.07.2010
O Globo – Prosa & Verso
03.07.2010O livro, que inaugura a Coleção Casa do Saber dentro do catálogo da editora, reúne as reflexões da professora de Filosofia Contemporânea da USP sobre aquele que é um dos traços mais marcantes de Nietzsche: o questionamento permanente.
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[+] Canções do Rio, A cidade em letra e música
Revista de História da Biblioteca Nacional
Rodrigo Elias
02.07.2010Revista de História da Biblioteca Nacional
Rodrigo Elias
02.07.2010Se o Brasil é um país musical, o que se pode dizer da capital fluminense? “A Rua do Ouvidor resume o Rio de Janeiro”, afirmou nosso escritor maior, Machado de Assis. Dizer que o Rio de Janeiro, por sua vez, resume o Brasil seria uma tremenda injustiça. Mas não é possível deixar de reconhecer que as mais diversas formas de expressão musical que tiveram lugar no Rio guardam estreita relação com outras regiões do país – seja importando temas, sonoridades e personagens, seja, de algum modo, fornecendo inspiração. A obra organizada por Marcelo Moutinho mostra como os diversos gêneros musicais trataram a Cidade Maravilhosa, da “época de ouro”do início do século passado ao funk dos nossos dias. De simples cenário a tema central, o Rio de Janeiro foi cantado e decantado no morro e no asfalto, da idealização à denúncia, provando que a música, mesmo quando “inocente”, não é apenas estimulante emocional.
HHH (Altamente recomendável)
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[+] Ciência & arte
Estado de Minas
Eduardo Tristão Girão
09.06.2010Estado de Minas
Eduardo Tristão Girão
09.06.2010É verdadeiro deleite para os olhos o recém-lançado livro Flora brasileira – História, arte & ciência (Casa da Palavra). Organizado pela jornalista Ana Cecília Impellizieri Martins, reúne textos de quatro autores sobre diferentes aspectos da riqueza botânica do Brasil, desde as primeiras pesquisas científicas realizadas no país. Não bastasse a qualidade das informações, a obra é recheada com centenas de belas ilustrações e fotos de épocas e vertentes distintas.
Cruzamento de arte, história e ciência, o livro reúne pesquisadores que são referência em se tratando da riqueza de plantas brasileiras. Começa com Lorelai Kury e Magali Romero Sá, ambas historiadoras e professoras da Fundação Oswaldo Cruz. Elas se aprofundam na análise do que fizeram os cientistas e viajantes brasileiros e estrangeiros que por aqui passaram e em como isso determinou a produção de conhecimento no país nos anos seguintes.
Diretor-executivo da ONG Conservação Internacional do Brasil e professor do Departamento de Ecologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Fábio Rubio Scarano traça, na sequência, útil panorama da flora nacional, passeando pelos principais biomas do país: Amazônia, caatinga, cerrado, Pantanal, mata atlântica, pampa e mar.
O historiador José Augusto Pádua assina interessante texto sobre a importância da flora na formação da identidade brasileira. Por fim, a historiadora Vera Beatriz Siqueira evidencia a influência do rico cenário natural brasileiro em diferentes movimentos artísticos que tiveram lugar no Brasil.
Para ver Por suas quase 170 páginas é possível encontrar reproduções de obras de artistas e documentos de artistas e pesquisadores de todas as épocas: de Debret, Rugendas, Taunay e Von Martius à pintora carioca Beatriz Milhazes. Também foram contemplados Marc Ferrez, Marcel Gautherot, Cícero Dias, Almeida Júnior, Oswaldo Goeldi, Burle Marx, Margaret Mee, Frans Krajcberg, Guignard e Iberê Camargo, entre outros.
A vista do Corcovado e da Lagoa Rodrigo de Freitas observada da Boa Vista da Gávea, pintura de Louis Bouvelot, é simplesmente linda, bem como as representações das espécies Abutilon rufinerve e Caryocar brasiliense, incluídas em publicações de Saint-Hilaire, com grande riqueza de detalhes. Há, ainda, impressionantes imagens extraídas de Flora brasiliensis, de Von Martius: a clássica visão de índios abraçando gigantesca árvore amazônica está lá, bem como a de uma cachoeira na região de Sabará.
Há menos fotografias que ilustrações, mas elas marcam presença notável. Vale mencionar as imagens feitas pelo norte-americano Dana Merril na Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, em Rondônia; o belíssimo retrato de dom Pedro II sentado em meio às plantas, feito pelo fotógrafo português Joaquim Insley Pacheco; e o grafismo hipnotizante da foto de uma folha de carnaúba feita por Marcel Gautherot.
FLORA BRASILEIRA – HISTÓRIA, ARTE & CIÊNCIA
De Ana Cecília Impellizieri Martins
Casa da Palavra, 168 páginas, R$ 120 -
[+] Baía dos porcos
Veja Rio
Rafael Sento Sé
19.05.2010Veja Rio
Rafael Sento Sé
19.05.2010Um dos cenários mais espetaculares do mundo sofre com o crescente despejo de esgoto e lixo nas suas águas — e os 10 milhões de pessoas que vivem ao seu redor são os maiores responsáveis por essa situação
Os primeiros viajantes europeus no século XVI não economizaram elogios em seus relatos. Todos se encantaram com a combinação de tonalidades cristalinas, praias de areias brancas e montanhas cobertas por matas exuberantes. Para alguns, era uma espécie de materialização da ilha de Utopia, recém-descrita pelo inglês Thomas More no livro de mesmo nome publicado em 1516 — um paraíso perdido onde o homem poderia conviver em comunhão com a natureza. Séculos depois, a Baía de Guanabara continua a encantar visitantes de todo o mundo, mas suas águas e praias, como mostra a foto que ilustra estas páginas, viraram depósitos para todo tipo de detrito. No ano passado, foram retiradas do complexo hidrográfico 3 000 toneladas de resíduos, volume equivalente ao de 1 000 caminhões da Comlurb (e isso em apenas cinco de seus dezoito rios e afluentes). São pedaços de automóveis, sofás, garrafas, liquidificadores, bonecas e outros exemplos nada óbvios de lixo de origem doméstica. Os dejetos foram recolhidos em ecobarreiras, montadas pelo Instituto Estadual do Ambiente em uma tentativa de reduzir o volume da imundície. “É necessária uma ação urgente para reverter essa situação”, diz o engenheiro florestal Axel Grael, que desenvolve um trabalho de conscientização ambiental. A preocupação tem fundamento. De acordo com o projeto olímpico, ali serão disputadas as provas de iatismo. Como faltam cerca de seis anos para a competição, seria oportuno começar um programa de despoluição agora. Afinal, iniciativas de tal magnitude costumam levar alguns anos. “Para que os Jogos não virem motivo de vergonha, temos de limpar essa sujeira logo”, completa Grael, dono de um sobrenome com tradição no esporte.
Nesse caso, o emprego da palavra “temos” não é meramente retórico. Durante muito tempo, as grandes vilãs eram as empresas instaladas no entorno da baía. Com o aprimoramento da legislação e para evitarem o desgaste na imagem associado aos problemas ambientais, a situação mudou. Muitas companhias passaram a adotar procedimentos de tratamento de resíduos industriais, e seu despejo nas águas diminuiu consideravelmente. Hoje, o panorama de total desleixo é fruto de uma combinação nefasta entre inação das autoridades públicas e, principalmente, falta de higiene dos moradores do Grande Rio. Joga-se de tudo ali.
A convite de VEJA RIO, o arquiteto André Piva analisou o material retirado do fundo do Irajá, um dos afluentes que desembocam na Baía de Guanabara, e criou, em menos de duas horas, um ambiente equipado com televisão, mesa, telefone, impressora, computador, ventilador, brinquedos e até um pufe (veja o quadro na pág. 30). “Achei que fosse encontrar apenas sacos e garrafas de plástico”, surpreendeu-se Piva. Naquela localidade, onde foi montada uma barreira de contenção, havia nada menos que trinta televisores. “Precisamos nos preocupar com a origem do lixo e sua destinação. Está na hora de mudarmos nosso comportamento radicalmente”, diz Dora Negreiros Hess, presidente do Instituto Baía de Guanabara, que desenvolve programas de conscientização ambiental.Veja também
O retrato do descaso
Diariamente, os 10 milhões de habitantes da região metropolitana produzem cerca de 1,5 milhão de litros de esgoto. Desse total, apenas 25% é tratado. Pelos cálculos da Secretaria Estadual de Ambiente, seria necessário pelo menos 1,2 bilhão de reais para elevar o índice de tratamento a 60% até 2013 — recursos que, por enquanto, não existem. Pesquisa realizada pela ONG Instituto Trata Brasil, divulgada há duas semanas, dá uma dimensão de quanto há para ser feito. Em um ranking que classifica a situação de saneamento básico nas 81 cidades brasileiras com população acima de 300 000 habitantes, foram avaliados nove municípios fluminenses (Nova Iguaçu, São Gonçalo, São João de Meriti, Belford Roxo, Duque de Caxias, Petrópolis, Campos, Rio de Janeiro e Niterói). Entre eles, o último teve a melhor performance. Nos demais, a situação é aterradora, a começar pela própria capital, que ficou apenas na 46ª colocação, dez posições abaixo da registrada no ranking do ano passado. Os quatro representantes da Baixada Fluminense, os primeiros citados acima, estão classificados entre os dez piores do país. “Essa situação é uma vergonha”, diz Raul Pinho, presidente do Instituto Trata Brasil.A experiência de outros países comprova que despoluir a Baía de Guanabara está longe de ser um desafio intransponível. Há uma década, os australianos mostraram ao mundo como é possível limpar um ambiente degradado em um espaço de tempo relativamente curto. No início dos anos 90, eles lançaram um ambicioso programa de avaliação e monitoramento das praias da Baía de Sydney como forma de prepará-las para a Olimpíada de 2000. Na ocasião, detectaram que a maior fonte de imundície eram as águas pluviais, que carregavam a sujeira das ruas e a levavam para o mar. A partir daí, investiram 1,6 bilhão de dólares em um projeto chamado Government’s Waterways Package, iniciado em 1997, que teve como objetivo recolher toda a chuva e armazená-la em um gigantesco piscinão, o Northside Storage Tunnel. Uma vez estocada, a água era posteriormente tratada antes de ser lançada no complexo hidrográfico. Com isso, o índice de poluição da Praia de North Steyne, que em 1989 tinha uma concentração de 1 887 unidades de coliformes fecais por 100 mililitros, caiu para quatro unidades dez anos depois. Esforços e resultados semelhantes aconteceram em Tóquio e em rios europeus como o Tâmisa, de Londres, e o Sena, de Paris. “Apesar de tudo, a baía tem uma alta capacidade de regeneração”, diz o oceanógrafo José Laílson Brito Júnior, coordenador do laboratório de mamíferos aquáticos da Uerj. “Se os despejos forem reduzidos, a chance de recuperação será bastante razoável”, diz.
Mas a falta de tempo, como mostra o relógio olímpico no início desta reportagem, é um obstáculo concreto. Há efeitos, a exemplo do assoreamento, de difícil reversão. Desde o século XVI, a superfície aquática da baía encolheu 20%, processo que segue em ritmo acelerado. Segundo cálculos do geógrafo Elmo Amador, são perdidos em média 5 centímetros de profundidade por ano. Esse valor é vinte vezes maior do que o registrado no início do século passado. Um passeio pela região entre o norte da Ilha do Governador e Duque de Caxias, perto do lixão de Gramacho, é suficiente para ilustrar o problema. Lá, hoje em dia, podem ser percorridos a pé longos trechos em áreas onde antes havia água. “É a parte mais crítica. Quando a maré está baixa, formam-se verdadeiros lodaçais e a circulação cessa”, diz o engenheiro Victor Coelho, autor do livro Baía de Guanabara — Uma História de Agressão Ambiental. Algumas medidas emergenciais estão sendo tomadas. Entre elas, a dragagem do Canal do Cunha, que separa a Ilha do Fundão do continente, e o Projeto Iguaçu, obra do PAC de drenagem e recuperação das margens de rios que cortam a Baixada Fluminense. Mas de nada adiantarão os investimentos se não houver uma mudança de comportamento da população. “As pessoas precisam se conscientizar. A dragagem custa 300 milhões de reais, mas, se a população continuar sujando, vai ser preciso dragar de novo”, alerta o engenheiro Paulo Canedo, do laboratório de hidrologia da Coppe/UFRJ. Cariocas e fluminenses sonham em aproveitar a Olimpíada para construir uma nova cidade e um estado mais moderno. Entre outros possíveis avanços, a despoluição da Baía de Guanabara seria um ótimo legado. -
[+] Obra mostra mitos da gravidez
Correio Braziliense
11.05.2010Correio Braziliense
11.05.2010A jornalista Ana Paula Brasil e o médico Ricardo Lopes Pontes enfrentam os tabus, crendices e superstições da gravidez no livro Barriga redonda, barriga pontuda (Casa da Palavra), com prefácio de Fátima Bernardes e ilustrações de Jana Magalhães. A obra debruça sobre os ditos da sabedoria popular tentando dar uma visão científica dos fatos. É o caso da segunda barriga ser maior devido ao útero, que se torna menos rígido por conta da primeira. Ou ainda que as grávidas não devem tomar banho de banheira quente, para não elevar a temperatura do corpo e a pressão sanguínea. Em ambos os casos, a voz do povo procede. “Quando li Barriga redonda, barriga pontuda, percebi que a gravidez de trigêmeos fez com que eu não ouvisse muitas observações sobre a relação entre a aparência da barriga e o sexo do bebê. Mas sobre a gravidez, a amamentação, os cuidados com o recém-nascido, está tudo aqui no livro”, comenta Fátima, cujos filhos são pacientes de Ricardo Lopes Pontes.
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[+] A partir da natureza
Revista Vida Simples - Coluna Tudo Simples
Márcia Bindo e Leandro Sarmatz
01.05.2010
Revista Vida Simples - Coluna Tudo Simples
Márcia Bindo e Leandro Sarmatz
01.05.2010É possível desvendar a formação da identidade de um povo tendo como ponto de partida sua relação com a natureza? Pois essa é a tese de Flora Brasileira — História, Arte & Ciência. A importância de nossas matas é o tema cental da obra, dividida em quatro capítulos escritos por diferentes autores. O aspecto histórico das primeiras pesquisas científicas realizadas no pais sobre nossas belezas naturais é abordado pelas historiadoras Lorelai Kury e Magali Romero Sá. O biólogo Fábio Rubio Scarano é responsável por mapear a flora brasileira e apontar questões ambientais urgentes nos dias atuais. Já a importância da flora brasileira na formação da identidade brasileira fica a cargo do historiador José Augusto Pádua. E, para finalizar o livro, a historiadora da arte Vera Beatriz Siqueira revela a influência da flora em diferentes movimentos artísticos brasileiros.
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[+] Livro explica mitos sobre gravidez
Blog Amigas da Pracinha
30.04.2010
Blog Amigas da Pracinha
30.04.2010Lançamento da Casa da Palavra, “Barriga redonda, barriga pontuDa - — Derrubando mitos, crendices e superstições sobre a gravidez”, da jornalista Ana Paula Brasil promete elucidar (ou tentar) as crendices que rondam a gravidez.
Com a consultoria de dr. Ricardo, a autora reuniu os mitos de gravidez mais difundidos para esclarecer o que é falso ou verdadeiro. Assim, ela acabou descobrindo que boa parte desse repertório da “sabedoria popular” é cientificamente comprovada: a segunda barriga geralmente é mesmo maior, isso devido ao útero que se torna menos rígido por conta da primeira gravidez; grávidas não devem tomar banho de banheira muito quente, para não elevar a temperatura do corpo e a pressão sanguínea. Como se vê, nem tudo é superstição. Mas por outro lado, alguns mitos caem: a mulher grávida pode fazer as unhas tranquilamente sem correr o risco de prejudicar a gestação; e não há problema em dar banho no bebê à noite, nem amamentar gripada.
Ilustrado por Jana Magalhães, o livro ainda traz o prefácio da jornalista Fátima Bernardes, que teve sua gestação de trigêmeos — hoje com 12 anos — acompanhada por milhões de brasileiros. “Quando li o Barriga redonda, barriga pontuda percebi que a gravidez de trigêmeos fez com que eu não ouvisse muitas observações sobre a relação entre a aparência da barriga e o sexo do bebê. Mas sobre a gravidez, a amamentação, os cuidados com o recém-nascido, está tudo aqui no livro”, comenta Fátima, cujos filhos são pacientes de dr. Ricardo Lopes Pontes.
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[+] Passando a limpo os mitos sobre a gravidez
O Dia
28.04.2010
O Dia
28.04.2010Mulheres grávidas ouvem coisas estranhas. Enquanto a barriga cresce, e mesmo apos o nascimento, os palpites e recomendações vêm de toda parte. E o que pode pensar a mãe quando alguém lhe diz, com a cara mais séria do mundo, que o desconforto estomacal que ela sente significa que a criança vai nascer cabeluda?
Enquanto curtia a gravidez, a jornalista Ana Paula Brasil passou a anotar tudo que ouvia, de superstições a supostas verdades salvadoras, levou a história do pediatra Ricardo Lopes Pontes e ambos escreveram um livro indispensável às mamães: “Barriga redonda, barriga pontuda” (Casa da Palavra, 104 páginas). Com prefácio de Fátima Bernardes, mãe “graduada” de trigêmeos, o livro será lançado hoje, na Livraria da Travessa do Shopping Leblon.
“Um dia, durante a consulta, comecei a contar ao Ricardo as coisas que ouvia, algumas vezes para tirar dúvidas, e ele começou a lembrar de muitas histórias”, conta Ana Paula, companheira de redação de Fátima, cujos filhos, 12 anos apos a gravidez pública da apresentadora do “Jornal Nacional”, ainda estão sob os cuidados do pediatra Ricardo Lopes.
“Ouvi coisas como a necessidade de dar presentes brancos aos bebês, para os dentes nascerem saudáveis. E outras, mais sérias, como a ideia de que beber água durante a amamentação faz mal à criança. É o contrário da verdade”, diz a autora. E Ricardo completa: “O livro é divertido, alegre, uma leitura para relaxar. Mas também um apio para as mães terem a noção do que é verdadeiro”.
Dividido em tópicos, o livro relaciona as “teorias” e discorre sobre elas, explicando por que são falsas ou verdadeiras.
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[+] O incrível mundo do azeite
Jornal do Brasil - Revista de Domingo
André Duchiade
25.04.2010
Jornal do Brasil - Revista de Domingo
André Duchiade
25.04.2010Quem gosta de gastronomia e turismo deve separar logo um lugar na estante e outro confortável na poltrona para degustar Um fio de azeite – No cenário da Úmbria e da Toscana, novo livro em que a escritora e especialista em condimentos Rosa Nepomuceno conta sua mais recente viagem pelas duas regiões italianas atrás do ciclo de produção do óleo de azeitona. Lançada no fim do ano passado por uma parceria das editoras Casa da Palavra e Senac Rio, a obra é uma mistura de um diário de viagem com descrições de todas as etapas do processo de produção do azeite, com linguagem fácil e agradável. Para quem acha que tais etapas são simples, Rosa explica na quarta capa do livro: “Elaborar um azeite é mais que uma arte; é um ofício bíblico, um ritual religioso repetido por uma cadeia de gerações. E deve ser cumprido com fé e dedicação, no tempo certo, para que plantio, colheita e moagem das azeitonas resultem nesse óleo maravilhoso”.
E foi também com dedicação que Rosa se dedicou ao tour, realizado em 2008, ao lado do amigo e chef Marcelo Scofano. Ao longo de 15 dias, a dupla percorreu cidadezinhas da região central da Itália, indo a quatro produtoras de azeite — de uma minúscula, comandada por monges, a outras multinacionais com máquinas ultramodernas. Aproveitou, é claro, para conhecer feiras, restaurantes e se hospedar em ótimos hotéis.
A relação entre Rosa, a boa mesa e a Itália vem de longa data. Nascida em Botucatu, interior de São Paulo, aprendeu em casa o quanto vale uma boa refeição, e com a vizinhança o quanto vale uma à italiana. “Minha família não é italiana, mas sempre convivi em ambientes ligados a boa gastronomia. Meu pai cozinhava, meu avô preparava comidas tropeiras”, lembra. “E com aquela região tem uma presença italiana muito forte, acabei tendo uma influência muito grande dessa cultura”.
Há cerca de 12 anos, apos se envolver com medicina chinesa, começou a estudar a importância e os diferentes usos de ervas. A pesquisa a levaria a começar a criar temperos para uso próprio e logo chegariam pedidos para que os preparados especiais para carnes e aves também fossem postos à venda. Daí para passar a estudar todo tipo de condimento foi um pulo. “Como diz Luís da Câmara Cascudo, condimento é tudo o que perfuma os alimentos. Ervas, flores, raízes, pauzinhos... E óleos. Não tinha ninguém especializado em gastronomia de condimentos na época, isso me abriu muitas portas”, ela garante.
Em 2002, a editora José Olympio a convidou para escrever um livro sobre especiarias, que saiu com o título de Viagem ao fabuloso mundo das especiarias e hoje já está na sexta edição. Convites para palestras e cursos começaram a chegar com freqüência, ela ganhou uma coluna sobre condimentos em uma revista de gastronomia, escreveu outros dois livros ligados a especiarias e se tornou consultora de condimentos e azeites numa rede de supermercados carioca.
Ela achou graça quando começou a perceber, nos lugares mais inesperados, a curiosidade das pessoas em relação ao azeite. “Como no mercado eu experimentava muitas marcas, as pessoas começaram a me pedir dicas. Isso acontecia com a gerente do banco, por exemplo. Às vezes até minha psicanalista passava 10 minutos de uma sessão só discutindo azeites!”, espanta-se.Qualidade e não quantidade
Daí veio o interesse em se aprofundar no assunto. A escolha pela Itália se deveu à antiga paixão e também por motivos práticos. Embora o país fique atrás da Espanha no ranking dos maiores produtores do óleo da azeitona, os produtores se espalham por todo o seu território, ao contrário da nação ibérica, onde a maior parte fica concentrada na Andaluzia. Alem disso, Rosa não acha que quantidade compense qualidade. “A Espanha é o maior produtor, mas isso não quer dizer que o país tenha azeites melhores que a Itália, que tem uma incrível diversidade. Não fui atrás de quantidade, mas sim do azeite e de seu cenário”.
As regiões foram escolhidas justamente pelas diferenças entre elas. “A Úmbria é o coração da Itália. Fica longe do litoral, no meio de um vale, tem um clima sombrio. Ao mesmo tempo, tem uma imensa variedade de iguarias como aspargos, cogumelos e embutidos”, lista. Já a Toscana é o oposto disso. “Além de ser a capital gastronômica da Itália, cheia de grelhados e tomates, a região é muito solar, cheia de feiras e de vida. Lembro-me que um dia estava andando em uma cidadezinha no litoral, com muitas casinhas pequenas e, de repente, me perguntei: ‘Onde estou? Em Ilhéus?’”, diverte-se.
A viagem aconteceu no início de setembro, época do outono, imediatamente antes de começar a colheita das olivas. Rosa e o companheiro de viagem, Marcelo, se conheceram no Tai Chi Chuan, quando ele ainda era comissário de bordo. Hoje ele dirige a primeira escola de gastronomia da Zona Norte carioca, a Estilo Gourmet, no Grajaú, e deve muito disso à Rosa, que o incentivou a seguir o curso de chefs.Da produção artesanal à moderna
A viagem teve duas bases. Primeiro Rosa e Marcelo ficaram hospedados no hotel rural Locanda Delle Noci, numa cidadezinha chamada Marsciano, perto de Perugia. A bordo de um automóvel Lancia prateado, conheceram três produtores de azeite na Úmbria. Começaram pelo processo mais antigo, numa pequena vila medieval chamada Monte Vibiano. A produtora, chamada Santo Apolinário, produz para atender as freguesias de Mercatello e Marsciano. A produção acontece num castelo comandado por mãe e duas filhas — família Bambini — e é tudo muito artesanal. “O moinho tem mais de 600 anos e fica localizado num burgo. Parece um castelo mal-assombrado”, lembra Rosa.
De lá, foram para o feudo vizinho, onde está a olivícola Castello Monte Vibiano Vechio, tratava-se de uma produção mais moderna, tocada por jovens empreendedores que assumiram o negocio dos pais e adotaram técnicas com alta tecnologia. “Eles tinham uma mentalidade mais internacional, eram poliglotas. Um deles, inclusive, arranhava um pouco de português, que tinha aprendido com uma namorada poliglota”. O perfil da empresa é semelhante ao de outras vinícolas européias, que vêm renovando a produção de azeites com uma produção limitada.
Faltavam ainda duas visitas, uma na Úmbria e uma na Toscana, as duas gigantes da exportação de azeite. Na Úmbria foram à Costa D’Oro, que tem produtos que podem até ser encontrados no Brasil. Na Toscana, foram até Salov, que produz o azeite Filippo Berio, o mais consumido dos Estados Unidos. O volume de produção nos dois lugares é altíssimo e em ambos impressiona o tamanho de tanques, variedade dos rótulos e extensão das fábricas.
Na Toscana, onde ficou hospedada em Lucca (Como explicar Lucca? Lucca é linda, linda, linda”, exalta Rosa), também aproveitaram para visitar muitas feiras, Florença (que está “lotada de turistas, insuportável”, segundo a autora) e comer muito bem. O estabelecimento lembrado com mais carinho é a Buca di Sant’Antonio, em funcionamento desde 1782 em Lucca, com pratos tradicionais e que já recebeu nomes como o escritor Ezra Pound, o cineasta Luchino Visconti e a princesa Margareth, da Inglaterra.
Pouco depois, Rosa voltaria ao Brasil. A bagagem lotada de ervas e azeites, montada com a ajuda da experiência de comissário de vôo de Marcelo, foi um consolo. Descrevendo no livro como foi ao abrir a bagagem em casa, Rosa parece sonhar. “Soltaram-se os aromas de tudo o que eu havia experimentado e apreciado nesses dias de aventura dos sentidos e do conhecimento (...). Heranças singelas de dias especiais”.
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[+] Comer bem: Um fio de Azeite, de Rosa Nepomuceno
Blog Deixa sair
Sônia Hirsch
17.04.2010Blog Deixa sair
Sônia Hirsch
17.04.2010A moça da foto é a jornalista Rosa Nepomuceno, expert em ervas e especiarias e, modéstia à parte, minha amiga da vida inteira, que acaba de lançar o livro Um fio de azeite (Casa da Palavra/Senac) - e não é por outra razão que aparece acariciando folhas de oliveira na região da Toscana, Itália.
Rosinha fez uma viagem para fazer o livro, olha só que maravilha. Saiu com o amigo e chef Marcelo Scofano fuçando, anotando, fotografando, comendo e depois organizou tudo num trabalho que se lê babando.
Só para vocês terem uma ideia: "O mundo do azeite tem vocabulário próprio, bastante rico. Diz-se que um óleo é frutado suave, médio ou intenso, adocicado, amendoado, amargo, picante, fresco, maduro, rústico, elegante, delicado, leve, harmonioso,equilibrado, desequilibrado, robusto, espesso, fino. Associam-se aromas e sabores não apenas ao das azeitonas, mas também às percepções 'de fundo', que os italianos chamam de retrogusto - a ervas, folhas secas ou mato recém-cortado (diz-se 'herbáceo'), a flores ('floral'), vegetais (tomate, alcachofra), frutas (maçã verde ou outra fruta madura, até mesmo banana ou frutos secos, como amêndoas e avelãs)."
Faz lembrar a minúcia sensorial da degustação de vinhos e tem até copinho próprio para degustar. Mas, ao contrário dos vinhos, azeite bom é azeite novo. E aí se esclarece um ponto sempre nebuloso para nós, leigos: a acidez do azeite aumenta com a passagem do tempo. O ideal é consumi-lo num prazo de dois anos. Assim, aquela garrafinha linda e caríssima com azeite extravirgem de acidez 0,1% que você está guardando há tempos no armário já pode estar com muito mais acidez do que um azeite vagaba ali da esquina.
Outro ponto que Rosa esclarece muito bem: azeite pode perfeitamente ser aquecido até a temperatura de 180oC sem perder suas qualidades. Acima disso faz fumaça, e qualquer gordura que faça fumaça já dançou, é jogar fora e começar de novo. Ela diz que os extravirgens são bem adaptáveis às altas temperaturas, "por sua resistência, estabilidade química e alto conteúdo de antioxidantes, mas para as frituras pode-se utilizar o sansa". Sansa, explica, é a palavra italiana para definir a massa formada por caroços e peles das azeitonas e resíduos do óleo (de 3 a 6%) que ficam nas mós (de pedra) ou máquinas de prensagem; após um duplo refino o óleo é misturado com azeite virgem e apresenta, nesse momento, acidez de 0,5%.
Recomendações importantes, entre muitas outras: na hora da compra, escolha o azeite mais jovem e dê preferência aos que são engarrafados na origem, em vidro escuro.
Um livro para ler degustando e presentear como se presenteia um bom azeite. De quebra, uma epígrafe que não posso deixar de copiar aqui: "O êxito não depende da sorte, depende da escolha feita. O êxito é um caminho, não um destino."







