Paixão universal
Diário do Nordeste
A editora Casa da Palavra lança duas antologias que celebram uma das mais intensas e renováveis paixões humanas: a leitura. Autores e intelectuais de diversas épocas e origens externalizam nos volumes sua devoção aos livros. Uma entrega plena, absoluta, irreversível.
Como explicar e entender a paixão humana pela leitura, a compulsão ante a vitrine abarrotada de uma livraria ou antiquário? Por que muitos se entregam ao vai-e-vem infinito das palavras impressas numa folha, e outros tantos à exaustiva tarefa da criação literária? Escrita e leitura compartilham uma sina dialética: a tarefa do autor é quase vã se não for prestigiada pela devoção do leitor; este não avança em seu prazer sem a genialidade do primeiro.
Dois títulos lançados pela editora Casa da Palavra ilustram as minúcias deste binômio, que muitas vezes se tangencia (todo autor é um leitor convicto e todo leitor oculta um escritor em potencial), e ratificam a devoção humana pelas bibliotecas.
[Dentro] de um Livro, o primeiro deles, reúne contos de 17 autores, famosos e menos renomados, inspirados numa mesma temática: o prazer da escrita e a fruição da leitura.Integram a coletânea textos de Lygia Fagundes Telles, Fernando Bonassi, Pedro Süssekind, Antonia Pellegrino, Xico Sá, Heloísa Seixas e Luís Fernando Veríssimo, entre outros. Povoam os contos personagens bibliófilos, autores em crise e em transbordamento, inimigos das letras e leitores compulsivos, enfim, uma notável fauna enredada no cheiro peculiar das páginas impressas.
O título do segundo lançamento é exemplar de seu conteúdo: A Paixão pelos Livros compila depoimentos, crônicas, poesias e contos de intelectuais que encontraram na leitura uma forma de ressignificar os muitos sentidos da vida. Em tom passional, homens de épocas e origens diversas, igualmente célebres, revelam seu fascínio pelas bibliotecas.José Mindlin, Carlos Drummond de Andrade, Francesco Pretarca, Gustave Flaubert, D´Alembert, Montaigne, Caetano Veloso, Benjamin Franklin e Chalámov são alguns dos confitentes ilustres da obra. Homens que, a exemplos do argentino Jorge Luís Borges, vislumbravam em sua coleção de livros a imagem do paraíso."O prazer que o livro pode trazer tem múltiplos aspectos. O primeiro, fundamental, que é óbvio, mas muita gente não se dá conta disso, é o da leitura, através da qual se estabelece um contato com o mundo exterior que abre, para o leitor, horizontes ilimitados. O livro informa, distrai, enriquece o espírito, põe a imaginação em movimento, provoca tanto reflexão como emoção, é, enfim, um grande companheiro. Companheiro ideal, aliás, pois está sempre à disposição, não cria problemas, não se ofende quando é esquecido, e se deixa retomar sem histórias, a qualquer hora do dia ou da noite que o leitor deseja? (p. 15 e 16)"
