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Bridget Jones que lê

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O Globo
Mariana Timóteo da Costa

Dupla americana cria personagem trintona que encontra na leitura a válvula de escape para os dilemas da mulher moderna

Se Carrie Bradshaw e suas amigas de “Sex and the City” compram pares e mais pares de sapatos de US$ 400 para melhor suportar as mazelas da vida, Eudora Welty lê um livro atrás do outro. Eudora, ou Dora, é a personagem principal de “Ler, viver e amar em Los Angeles” (Casa da Palavra), livro de estréia da dupla americana Jennifer Kaufman e Karen Mack, respectivamente, ex-roteirista e ex-produtora da CBS. Foi trabalhando nos enlatados do canal de TV que as duas se conheceram e resolveram escrever sobre uma espécie de “Bridget Jones que lê”.

— Nós duas somos leitoras ávidas. Os livros nos ajudam a passar pelas dificuldades da vida. Tem gente que, para preencher vazios, se vicia em comprar roupas, viaja para lugares caros ou gasta fortunas com terapia. Nosso hábito é mais acessível e alimenta a alma — teclam elas da Califórnia. O casamento acabou, a carreira não anda bem, a auto-estima está em baixa? Dora sofre de tudo isso e resolve mergulhar nos clássicos (“‘O Morro dos Ventos Uivantes’? Tudo bem, estou mesmo com vontade de chafurdar” é uma das justificativas que a personagem dá às suas escolhas literárias) e em livros menos conhecidos do grande público.

Jennifer e Karen garantem que — pelo menos uma delas — leram cada livro citado em “Ler, viver e amar em Los Angeles”, e têm a intenção clara de dar boas dicas a seus leitores. — Só não lemos uma obra citada no livro, um romance francês chamado “La Disparition”, de Georges Perec, que escreveu o livro todo sem usar a letra “e”, em 1969.

Uma das passagens mais engraçadas de “Ler, Viver e Amar em Los Angeles” ocorre quando uma amiga de Dora descreve o momento em que, por volta dos 35 anos, se olhou no espelho e viu ali “uma outra pessoa, uma velha”. As escritoras, dentro desta faixa etária, garantem que há muitos sinais que indicam quando “uma certa idade” é atingida: — Quando o menino que carrega suas compras do supermercado a chama de senhora; quando as roupas de seu armário são consideradas vintage; quando você começa a beber vinho tinto com a clara preocupação de que faz bem ao coração — afirmam.

Mas — assim como Dora, claro, que arruma numa livraria um cara bacana — não há razão para desespero. Segundo as autoras, é muito bom passar dos 30 porque: você pode pagar por suas férias; você pode mandar um homem para o inferno sem se sentir culpada; você entende a importância de ter um bom creme anti-rugas (e melhor: pode pagar por ele); você percebe quando alguém está apenas puxando o seu saco. Você sabe diferenciar o que importa do que não importa; e olha para trás, para o seus erros, com orgulho deles.

— Além disso, se você não nasceu com o rosto ou corpo que queria, tem a capacidade de mudá-lo — acreditam as escritoras. Numa outra pergunta nossa, sobre que livros a dupla indicaria para quem quer se dar bem na carreira, Jennifer e Karen indicam “A Dieta de South Beach”. Hum... Dieta? Será que elas acham que precisamos ser belas e magras para ter sucesso na vida? Mas não são justamente as duas que, leitoras ávidas, preferem o conteúdo à forma? Torcemos para que sejam somente trintonas bemhumoradas, autoras de um livrinho bem divertido, uma boa companhia para esses dias frios.

O QUE ELAS RECOMENDAM

LIVROS 
PARA CURTIR OU CURAR UMA DOR DE COTOVELO: “A educação sentimental”, Gustave Flaubert; “Fim de caso”, Graham Greene; “Adeus às armas”, Ernest Hemingway; “O Morro dos Ventos Uivantes”, Emily Brontë; “Ele simplesmente não está a fim de você”, de Greg Behrendt e Liz Tuccillo.

PARA COMPREENDER MELHOR O CIÚME: “The transit of Venus”, Shirley Hazard (sem tradução para o português); “Madame Bovary”, de Gustave Flaubert; “A thousand acres”, de Jane Smiley (não foi traduzido para o português, mas foi adaptado para o cinema com o nome de “Terras perdidas”, com Jessica Lange e Michelle Pfeiffer no elenco); “Rei Lear”, de William Shakespeare. Para as autoras, este é “o melhor livro já escrito sobre o ciúme”.

 PARA ENCONTRAR UM PAR: “Orgulho e Preconceito” e “Persuasão”, de Jane Austen; “Jane Eyre”, de Charlotte Brontë e o conto de fadas “Cinderela”.

 PARA TER SUCESSO NA CARREIRA: “Dom Quixote”, Miguel de Cervantes; “A dieta de South Beach”, do médico Arthur Agatston.

PARA APRECIAR UMA HISTÓRIA DE AMOR: “Lolita”, Wladimir Nabokov; “Jane Eyre”, Charlotte Brontë; “Pigmaleão”, de George Bernard Shaw; “O grande Gatsby”, F. Scott Fitzgerald. E “qualquer coisa de Lord Byron, W.B. Yeats e Pablo Neruda”.

PARA OS MOMENTOS DE SOLIDÃO: “A redoma de vidro”, de Sylvia Plath.

PARA SER UMA CRIATURA MAIS ESPERTA: “Qualquer coisa escrita por Oscar Wilde e Dorothy Parker.” COMPRAS EM LA ROBERTSON BLVD: Em Beverly Hills. “A rua tem pequenas lojas maravilhosas, sempre visitadas por celebridades incógnitas sob seus óculos escuros e com seus chihuahuas.”

RODEO DRIVE: Designers famosos e caros.

 MELROSE: “O lugar de quem é hype”. Lojas de Marc Jacobs, Betsey Johnson, Fred Segal. “Para lingeries bem ousadas e sexies, vá à Agent Provocateur.” BELEZA 
ANASTASIA é um salão de beleza em Beverly Hills que, segundo as escritoras Jennifer Kaufman e Karen Mack, deixa qualquer uma com sobrancelhas como as de uma estrela de cinema. “Há também ali uma excelente brazilian bikini wax!”, garantem elas.

JOSEPH MARTIN HAIR & BEAUTY: O salão de Beverly Hills que é o preferido das estrelas. “Corte e pinte o cabelo com o Franck, o melhor de todos.” RESTAURANTES 
BEVERLY HILLS: Cut; Spago (do chef austríaco Wolfgang Puck); Il Pastaio do chef Drago; Mr.Chows.

EM CENTURY CITY: Craft. “Um dos mais badalados da Califórnia.” 
EM BRENTWOOD: O Vicenti e o Toscana. “Para apreciar as estrelas de cinema que os freqüentam”, recomendam as escritoras.

NO CENTRO DE LA: Lucques (“votado o melhor jovem chef do estado da Califórnia”); BLT steakhouse; e AOC (“para os jovens e descolados”).

EM SANTA MONICA: Giorgio Baldi. “Um clássico.” LIVRARIAS EM ENCINO: BookSoup; Vromans e Barnes & Noble.

EM CENTURY CITY: Borders. “Uma grande variedade.” EM MALIBU: Diesel