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Western na biblioteca

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Revista Trip
Xico Sá

 leitor cego no meio do faroeste e o narrador, infame, não lhe oferece guarida, muito pelo contrário, pega aquele desalmado e gira loucamente até que a sombra do corpo apague qualquer risco de prumo ou destino. Não há sequer esperança de um vira-lata-guia nos arredores. Nessa selva metropolitana cuja cartografia acidentada é só beco escuro e sem saída, Joca Reiners Terron fez uma fábula policial capaz de reinventar o deserto onde reinou Billy the Kid, o cavaleiro das balas invisíveis dos sonhos de um certo Borges. Sorte da porra, poder ler, à quima-roupa, como contemporâneo mesmo um cara como este viejo Terron. Deve ter sido o mesmo prazer os amigos e leitores que viram nascer as grandes obras do argentino Ricardo Piglia e do espanhol Vila-Matas, para citar os parentes literários deste mato-grossense que escreve com a arte daquelas aves que palitam dentes de jacarés. Uma aventura fudida o espera em Sonho interrompido por guilhotina (Casa da Palavra, 189 págs., R$ 29). Mas cuidado: não há a menor chance para mocinhos-leitores. Os personagens-escribas também não perdoam, matam. Nos vemos na Disneynferno!

(Xico Sá mandou esta resenha no meio do tiroteio de Cavaleiros solitários rumo ao sol poente, romance que ora escreve)